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Quando estou de serviço dá-me para isto

Sexta-feira, 28.07.17

As noites de serviço são sempre uma animação. Desde os jovens que tocaram à porta para: "é só para fazer uma pergunta, dona" à senhora que fica muito admirada porque eu apareço depois de ela tocar à campainha. O que será que ela esperava? Que ninguém aparecesse ou que fosse atendida por um robot? Esta senhora passou todo atendimento, que é feito por um postigo de atendimento, com um ar alucinado de quem não está a acreditar. O que será que as pessoas pensam? Que, estando ima pessoa sozinha, iria abrir a porta a meio da noite sem qualquer segurança, ficando à mercê de todos os tipos de crime? Mas o que encaganitou mesmo foi uma situação que também me faz pensar durante o atendimento normal diurno. Durante o serviço dá-me para a reflexão, o que se há-de fazer? Passo a explicar:

O pai vem aviar uma receita para a criança ou pedir um aconselhamento. A farmacêutica faz uma pergunta simples como: "prefere medicamento genérico ou marca?" Ou "e qual é a marca do leite que o bebé bebe?". Uma grande parte dos homens não sabe responder a esta pergunta ou tomar uma simples decisão sem perguntar à mãe da criança. Agora a minha dúvida existencial é: isto acomtece porque vivemos numa sociedade matriarcal e a mãe é que manda? Ou ainda há muitos pais que se demitem do seu papel e são as mães que cuidam dos filhos na totalidade com pouco ou nenhum apoio da parte dos pais?

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por Charneca em flor às 08:16

O segredo das coreanas

Quarta-feira, 17.05.17

Na semana passada tive um formação Caudalie na farmácia. A Caudalie é uma marca que segue uma filosofia de tratamento com produtos naturais. Não só as substâncias activas são naturais como não utilizam conservantes, corantes ou perfumes químicos nem fazem testes em animais. A Caudalie foi a primeira marca a registar o resveratrol, potente anti-oxidante extraído da grainha da uva. 

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Ora, a propósito da abertura da Boutique Caudalie na Coreia do Sul, a formadora comenta que as coreanas têm uma rotina de beleza que inclui até 15 passos. Dá para acreditar?! Fiz alguma investigação ( ou seja googlei o assunto) e encontrei vários artigos e vídeos sobre o tema. Há versões com mais ou menos passos mas a essência é a mesma. A verdade é que as coreanas têm uma pele óptima como a maioria das mulheres orientais. As chinesas (que são muitas )que vão lá à farmácia têm muito cuidado com a pele e investem muito em bons produtos.

Os vídeos são quase todos com brasileiras de origem coreana e encontrei este artigo de 2015 que faz um resumo interessante.

Só sou eu que acho que isto é incomportável para o estilo de vida ocidental?! Ou será que elas têm  razão? O que é que as minhas amigas pensam? Que rotinas de beleza utilizam?

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por Charneca em flor às 07:49

Instantes #14

Terça-feira, 09.05.17

Ontem foi dia de "plantão". Foi uma noite/madrugada de muito movimento. Nestas noites há sempre umas coisas que me fazem uma certa confusão. Imaginem a situação: Passa da 1 da manhã e dirigem-se à farmácia para aviar uma receita. A porta da farmácia parece fechada. O que é mais provável? Empurrar a porta com toda a força para tentar entrar ou tocar à campainha?

Mas alguém espera que um local como uma farmácia, que pode ser um alvo apetecível dos assaltos, esteja de porta aberta de madrugada?!

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por Charneca em flor às 14:24

Deixem de ser conflituosas, pá

Quinta-feira, 20.04.17

Como dizia ontem, tive uns dias de férias. Ontem fui só trabalhar à tarde porque tinha horas para tirar (introduzimos banco de horas este mês). Acreditam que fiquei logo farta, mesmo só trabalhando 4 horas?! Não há paciência para certos elementos que só sabem arranjar confusão e motivos de conflito. Eu sou uma acérrima defensora da tolerância mas há dias que só me dá vontade de mandar a tolerância para o inferno. Trabalho no mesmo local há quase 18 anos e nunca houve problemas com os horários quando éramos poucas funcionárias. Uma cedia daqui, outra cedia dali e tudo se arranjava. Ultimamente, e com mais funcionárias, parece que ninguém se entende! Irra!

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por Charneca em flor às 07:56

Candeia que vai à frente alumia duas vezes

Sexta-feira, 17.03.17

Pelo menos é o que diz o povo. A meu ver este ditado ilustra aquilo que deve ser um líder. Alguém que vai à frente a iluminar o caminho para que os outros o sigam. Se transferirmos esta imagem para o mundo laboral percebemos que, qualquer estrutura mesmo que pequena, precisa de um bom líder para ter sucesso.

 

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A área em que trabalho sofreu muitas alterações nos últimos  anos. Umas para melhor e outras para pior. O retorno financeiro diminuiu bastante o que exige ainda mais dedicação. Conheço a patroazinha há 18 anos e ela sempre foi muito negativa. Ultimamente tem sido demais. Já desconfiava mas agora tenho a certeza, ela não tem perfil para líder. Está desmotivada e vai-nos desmotivando a nós. É preciso um grande esforço para não cairmos na teia da desmotivação. A patroazinha é uma candeia com uma chama muito fraquinha. 

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por Charneca em flor às 07:40

Passeio no Parque

Quinta-feira, 16.02.17

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Ontem foi dia de formação em Lisboa. A formação decorreu perto do Parque Eduardo VII e cheguei lá muito cedo. Quando saí do Metro dei com uma campanha promocional da Starbucks e recebi este Caffé Latte. Era bom mas estava muito fresco. Se fosse quente, sabia-me melhor porque, àquela hora, estava fresco.

Pela hora do almoço estava completamente diferente. Quase parecia um dia de Primavera. Aproveitei para dar uma volta pelo Parque. Estava tudo tão calmo. Alguns turistas mas não demasiados. Na maioria das vezes que passo por ali é na altura da Feira do Livro. Nessa ocasião quase que não se vê o jardim. Soube-me mesmo bem.

A excessiva pressão turística irrita-me mas compreendo os turistas. Lisboa é, mesmo, uma belíssima cidade.

 

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por Charneca em flor às 07:42

Queda para o trabalho

Terça-feira, 07.02.17

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 <p>Quem me conhece pessoalmente, sabe que uma das minhas principais características é ser desastrada. Sempre fui assim. A minha mãe sempre achou que eu caia mais que as outras crianças. Em menos de 2 semanas já cai 2 vezes e já não sou, propriamente, uma criança. A última vez foi na farmácia no domingo de serviço. Estava a acabar de atender uma nova utente. Quando ela já ia a sair, lembrei-me que não lhe tinha dado uma revista informativa de que lhe tinha falado. Vou a toda a pressa, desvio-me da minha colega e encosto-me ao armário. Não sei como enfio os ténis no puxador da gaveta. Tento continuar a andar e agarro-me à minha colega. Largo-a quando percebo que vou cair e estatelo-me ao comprido. Caí mais depressa e com mais aparato do que as acçôes dos bancos na Bolsa de Lisboa. Felizmente estavam poucas pessoas na farmácia, só a nova utente e um utente habitual. Mesmo no chão continuo com a preocupação de me despachar e tento-me levantar. Como estou presa chego a arrastar o bloco de gavetas (e se ele é pesado). As minhas colegas dizem que parecia que eu estava a nadar. Uma delas lá me consegue soltar. O que é que eu fiz? Avaliei se estava bem? Ou continuei a correr para acabar de atender a utente e dar-lhe a tal revista? Pois, foi a segunda hipótese. Trabalho e competência acima de tudo. Só depois é que tentei perceber se estava tudo bem e fiz gelo. No entanto tenho aqui 2 belos hematomas, um em cada joelho e estou muito dorida. Lição a retirar: andar devagar vendo onde ponho os pés. Outra lição a reter: se é para cair que não seja à frente das câmaras de vigilância. Assim mais ninguém pode ver a cena. Vamos que eu ainda me tornasse uma estrela do youtube, cadente mas ainda assim uma estrela.</p>

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por Charneca em flor às 08:54

Irritações #3

Segunda-feira, 06.02.17

Acabei de sair da minha noite de serviço. Não é um trabalho fácil mas é imprescindível. Se a população precisa, as farmácias devem estar disponíveis. Agora é preciso ver que atrás do vidro está uma pessoa que podia estar em casa a dormir confortavelmente mas está ali, disponível para ajudar. Não é uma máquina. Esta introdução serve para relatar o que me irritou esta noite (também acontece nos atendimentos diurnos mas à noite devo estar mais susceptível):

Passava das 5 da manhã e tocam à campainha. Estou acordada a ler e não levo muito tempo a atender. Mesmo durante a noite de serviço, esforço-me para saudar e cumprimentar as pessoas com a mesma simpatia com que o faço durante o dia. Entra uma senhora na casa dos 40/50. Digo "Boa noite", do outro lado silêncio absoluto. Estende-me a receita continuando a não dizer palavra. Pergunto se quer NIF na factura, estende-me o cartão do cidadão sempre em silêncio. Começo-me a interrogar: "Se calhar é muda". Digo o valor e a personagem dá-me o dinheiro. Finalmente antes de sair digna-se a falar (não era muda). "Boa noite e obrigada". Vá lá, redimiu-se no fim. 

É verdade que é o meu trabalho e que sou paga para o desempenhar da melhor maneira possível mas é assim tão difícil ser simpática para quem a atende?! 

Que tipo de sociedade estamos a construir?!

 

P.S. - Felizmente atendi uma senhora mais velha que até me pediu desculpa por incomodar. 

 

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por Charneca em flor às 08:30

Uma gracinha de um cegueta

Quinta-feira, 02.02.17

Ontem chegou ao balcão um utente habitual da farmácia. Este senhor tem a particularidade de ser cego mas brincar com a sua deficiência. É habitual usar expressões como "bons olhos a vejam". Fazemos tudo para o ajudar e facilitar o atendimento. Qual não é o meu espanto quando ele me põe um embrulho em cima do balcão e diz: - Isto é só uma gracinha de um cegueta para vocês dividirem como irmãs. O pacote tinha uns salgadinhos. Fiquei comovida e quando lhe agradeci dizendo que não era preciso ter-se incomodado, ele responde-me: - Vocês são sempre tão gentis comigo. Só falta andarem comigo ao colo. Fiquei tocada, não pela importância do "presente" mas pela delicadeza do gesto. Não exerço a minha profissão à espera de presentes mas estes gestos recordam-me porque escolhi trabalhar em farmácia comunitária. Porque gosto, verdadeiramente, de pessoas.

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por Charneca em flor às 07:40

A encomenda

Sábado, 17.12.16

Ontem passei por uma situação que parecia uma cena de cinema. Então foi assim: A gata da patroazinha está muito doente e ela tem feito tudo o que é possível para estabilizar a situação da bichana. E quando eu digo tudo, isso incluí mandar vir medicamentos naturais do estrangeiro. Nem consigo imaginar como ela consegue descobrir estas coisas. Horas e horas de pesquisa mas adiante. No ínicio do més, ela fez uma encomenda a uma empresa do Reino Unido. Como a conta de Paypal dela está com problemas, eu ofereci-me para utilizar o meu Paypal para efectuar o pagamento. Não reparei que, ao contrário da maioria das coisas, a morada associada ao Paypal era a da minha casa e não a do meu trabalho. A empresa enviou para a morada do Paypal. Ontem apercebemo-nos disso durante o dia e ficámos preocupadas porque não está ninguém em minha casa durante o dia. Não havia outro remédio senão aguardar para ver o que acontecia.

À noite tinha um aviso da transportadora na caixa do correio, com a identificação e número de telefone do motorista da empresa. Apesar de ser tarde, liguei para tentar perceber se podia passar a entrega para o meu local de trabalho. Qual não é o meu espanto quando o senhor me diz: "- Olhe, estou aqui parado no sítio X porque tenho o carro avariado. Se quiser pode vir aqui e recebe já a encomenda." Eram 21h portanto noite cerrada mas lá fui ter com o motorista. Quando voltei para casa é que comecei a pensar que aquilo quase parecia uma entrega de droga. Se passasse a polícia e me visse, à noite, à beira de uma estrada a receber um pacote, o que iria pensar? Como é que eu explicava que tinha ido aquele sítio e àquela hora para receber um pacote com comprimidos para a gata?!

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por Charneca em flor às 07:33


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