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Tradição?!

Segunda-feira, 26.06.17

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Eu nasci, cresci, vivo e trabalho em terras ribatejanas e aficionadas. Conheço pessoalmente toureiros, forcados e ganadeiros. Já assisti a corridas de toiros e a largadas nas inúmeras festas que acontecem pelo Ribatejo nesta altura do ano. No passado, não perdia uma festa popular nas redondezas da minha terra. Hoje em dia já ligo pouco. Com o divórcio fui-me desligando da Festa Brava mas ainda aprecio (ai o que eu fui dizer). É muito difícil crescer no Ribatejo e não se ser influenciada pela cultura e pelas tradições tauromáquicas. Nos últimos dias, o meu mural de Facebook foi inundado de publicações sobre um nefasto acontecimento na Festa da Amizade, ou Festa da Sardinha Assada, em Benavente. Ao que parece consiste em atar o toiro a um poste e pegar fogo aos cornos do dito. Quem lê as notícias e publicações sobre este assunto fica com a ideia que se trata de uma tradição. Poderá ser uma tradição mas não é portuguesa e muito menos benaventense. Bem sei que já não vou a esta festa há um rol de anos mas nunca vi nem ouvi falar de tal coisa. É verdade que a Festa da Amizade foi ganhando mais dias e mais actividades ao longo dos anos. Antigamente era só 1 dia e o programa era muito limitado. Não sei se é a primeira vez que acontece ou se já se vem a repetir há mais tempo. Procurei o programa de anos anteriores e não consta portanto presumo que tenha sido a primeira vez que se lembraram de tal coisa.

Uma coisa que era "tradição" era o toiro fugir já que o traziam do campo até ao recinto das largadas pelas ruas da vila, com os cabrestos e os campinos. Se não fugisse, nem tinha graça.

Outra "tradição" era a sofreguidão com que as pessoas se lançavam às caixas das sardinhas. Para quem não sabe, nestas festas, há sempre a Noite da Sardinha Assada em que a organização disponibiliza, aos residentes e visitantes, fogareiros, sardinhas, pão e vinho, gratuitamente. Sim, gratuitamente, não é a 12€ ou mais como nas festas de Santo António em Lisboa ou São João no Porto. A sofreguidão era de tal ordem que parecia que as pessoas não comuam há dias. Dizia-se que muita gente enchia alguidares de sardinhas que não seriam para comer naquela noite mas sim para congelar e comer ao longo do ano. Não me custa nada a acreditar.

Como eu dizia, nunca ouvi falar em tal tradição. Segundo consta, a Autarquia tinha cancelado o evento mas um grupo de fulanos decidiu fazer na mesma. Dizem os acusadores que a GNR assistiu e nada fez. Agora é preciso saber se se cometeu uma imoralidade ou uma ilegalidade e, como sempre, apurar responsabilidades.

Não sei quem praticou este acto reprovável mas se são aficionados (o que não acredito, devem ser só estúpidos) deram um tiro no pé. Ajudaram os detractores das touradas com mais argumentos. Respeitem a dignidade do toiro bravo. Não é para andar confuso e de cornos a arder que ele foi criado.

E já agora, não julguem toda a população de Benavente por meia dúzia de estúpidos que lá existam.

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por Charneca em flor às 07:41


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