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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

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26
Fev21

Padrão ao chão

Charneca em flor

padrao-dos-descobrimentos-211500_1920.jpg

Imagem daqui

Já não é a primeira vez que este assunto vem à baila. Até já o mencionei aqui. Voltou a surgir uma polémica que envolve derrubar monumentos. Desta feita, o Padrão dos Descobrimentos. O deputado socialista Ascenso Simões escreveu um artigo de opinião onde designa o monumento que existe em Belém de mamarracho e sugere-se que seja derrubado porque, tal como os florões da Praça do Império, diz ele que:

"não têm qualquer sentido no tempo de hoje por não serem elemento arquitetónico relevante, por não caberem na construção de uma cidade que se quer inovadora e aberta a todas as sociedades e origens"

Alega o deputado que, como o monumento foi construído durante o Estado Novo, prova que o "salazarismo não morreu".

Ora vamos lá a ver. Se desaparecerem todas os monumentos/provas da existência do Estado Novo, da Guerra Colonial, dos Descobrimentos e consequente erros que os portugueses terão cometido ou do papel de Portugal na escravatura, qual será a consequência? Alguém acredita que se a simbologia do colonialismo desaparecer, o racismo desaparecerá por magia? O fascismo e a extrema-direita vão desaparecer se se apagar o Estado Novo da nossa História?

Não será melhor manter toda esta simbologia e contextualizá-la? Não adianta querer apagar a História. Só podemos alterar o futuro. Temos o poder de construir um futuro melhor mas nunca teremos o poder de apagar o passado. E nem acho que se deva fazê-lo. Já repeti isto muitas vezes, é preciso conhecer o passado, perceber aquilo que se poderia ter feito diferente para que os erros da humanidade, seja a deste retângulo ou do resto do mundo  não se voltem a repetir.

E até nem desgosto do Padrão dos Descobrimentos.

E já pensaram o que seria se, depois da Revolução dos Cravos, em vez de se ter mudado o nome de Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril, alguém se tivesse lembrado de a derrubar? Afinal, também é um símbolo do salazarismo.

 

P.S. - Espero que o senhor deputado Ascenso Simões tenha falado de derrubar o Padrão dos Descobrimentos em sentido figurado.

21
Fev21

Foto da semana 8/52

Charneca em flor

Na semana que passou não deu azo a muitas fotografias. Só publiquei 2 imagens. Como tiveram igual número de , optei pela mais actual

IMG_20210214_135449.jpg

O brinde ao almoço no passado domingo, dia dos namorados. Lá porque os restaurantes estão fechados e não se pode circular, não quer dizer que não se possa criar um momento especia. Nem que seja montar uma esplanada no terraço (para o qual se sobe através de uma escada periclitante) e brindar com o nosso vinho caseiro.

Hoje não está tempo para almoçar na esplanada mas ainda assim que seja um bom domingo.

 

20
Fev21

Cumprir ou não cumprir, essa é a questão

Charneca em flor

Para início de conversa, digo já que algumas regras relativas ao estado de emergência são confusas e pouco lógicas. Como se viu, por exemplo, ao não se considerar os livros como bem de primeira necessidade o que é muito discutível. Obviamente que os proprietários e funcionários dos pequenos, ou grandes, negócios afectados pelo imposição de encerramento estarão preocupados e revoltados. Há muito tempo que eu digo que a crise económica provocada pela pandemia vai ser extremamente grave e assusta-me pensar no que pode vir por aí.

Ainda há dias me pediram uma declaração com as despesas de saúde, em farmácia, para uma jovem mãe solicitar o apoio do banco alimentar. Só que é uma pessoa que tem emprego, é recepcionista numa clínica. Dá que pensar o que se passará com ela para precisar desse apoio. Será que não lhe pagam?! O pai da criança não a apoia?! Já a conheço há muito tempo e sempre foi trabalhadora e esforçada. Custa-me muito perceber que ela precisa deste apoio.

Mas eu pensei em escrever por outra situação. Compreendendo as dificuldades que muitas pessoas atravessam mas acho discutível que haja quem arrisque e não cumpra as regras. Por exemplo, já nos apercebemos de algumas cabeleireiras que continuam a atender clientes "às escondidas". Eu não seria capaz de ir a um cabeleireiro nesta situação. Para além do risco da patologia* e da multa, acho desleal para com aqueles que cumprem e sofrem com isso. Eu também não gostaria que as farmácias fossem encerradas e umas cumprissem e outras não. Há muita dificuldade em que as pessoas se ponham no lugar do outro. Falta empatia acima de tudo.

Agora, eu seria capaz de denunciar estas situações? Penso que não. Só se fosse uma situação de perigo iminente, por exemplo, saber que alguém tinha Covid-19 e não estava em isolamento. Caso contrário, acho que não era capaz de denunciar. Espero que nunca volte o tempo dos denunciantes. Isso cheira demais a ditadura, mesmo que seja por motivos de saúde pública.

 

*agora, durante uns meses, estarei imune.

15
Fev21

Quem quer ganhar um livro?

Charneca em flor

O blogue Porque Eu Posso fez 7 anos mas são os leitores que vão ganhar presentes. A sua autora, Fátima Bento, é uma mulher cheia de ideias. Depois de ter desafiado a blogosfera a escrever textos coloridos, agora resolveu fazer um giveway literário e oferecer livros. E livros nunca são demais.

Não conheço a Fátima pessoalmente mas, pelo que leio no seu blogue e vejo no seu Instagram, deve ser uma excelente pessoa. Para mim quem gosta de escrever, de ler e até gosta de animais (pelo menos de gatos, sei que gosta), não deve ser má pessoa .

Posto isto, sei que serão bem recebidos no blogue Porque Eu Posso. Vão passar um bom bocado enquanto lêem os textos da Fátima e podem participar no giveway de aniversário.

Vá, vão lá fazer uma visita à Fátima.

06
Fev21

Trapalhada à portuguesa

Charneca em flor

Na semana que passou verificou-se uma descida no número de novos casos positivos embora o número de mortos se mantenha, mais ou menos, no mesmo nível elevado bem como os doentes em cuidados intensivos. Felizmente deixamos de ver as imensas filas de ambulâncias à porta dos hospitais.

A trapalhada, agora, é outra. O problema de falta de organização centra-se na vacinação. Eu sei que, nos outros países da UE, também há problemas mas com o mal dos outros...

Os laboratórios farmacêuticos comprometeram-se, na negociação com a UE, com um nível de fornecimento que não estão cumprir e, como é óbvio, o nosso país é afectado por isso. O plano de vacinação elaborado já sofreu uma série de alterações. Já ouvi relatos de profissionais de saúde convocados para a vacinação que, confirmada a presença, faltam à própria da hora, sem justificação, originando as tais sobras. A Comunicação Social descobriu várias situações de vacinação de pessoas que conseguiram fintar a prioridade para serem vacinadas em primeiro lugar. Felizmente, que o número destas ocorrências é reduzido mas dá uma péssima imagem do Plano de Vacinação. Por um lado, parece que as normas são abrangentes demais permitindo incluir, na vacinação dos lares por exemplo, pessoas com cargos directivos que não contactam com os idosos. Por outro lado, parece que há instituições que pedem mais doses do que as que necessitam originando as tais "sobras" e ninguém parece controlar isso. Quando se investiga, pune-se o denunciante em vez do prevaricador como aconteceu com o farmacêutico que trabalhava no INEM do norte que foi afastado.

A notícia de hoje é que as seringas de 1 ml, mais adequadas para a vacina, podem começar a escassear. Mas há quanto tempo é que se sabe que estas seringas seriam necessárias? É verdade que, antes, não eram muito utilizadas logo havia pouca produção mas, se calhar, já se podia ter articulado um aumento da produção com as empresas fabricantes destes artigos. É claro que se pode utilizar seringas maiores mas é uma regra básica da medição, pequenos volumes devem-se medir com o instrumento mais pequeno possível de modo a diminuir a probabilidade de erro.

Enfim, não estou a ver que se consiga obter a tal imunidade de grupo que almeja. É que acontece uma trapalhada qualquer, todas as semanas.

31
Jan21

Foto da Semana 4/52

2021

Charneca em flor

Esta semana já fui trabalhar, depois de ter alta da Covid-19. Pude sair dos limites da minha casa e já consegui tirar mais algumas fotos embora os dias não passem muito de trabalho, casa, livros, plantas e um passeio higiénico de vez em quando. 

A foto com mais  foi, precisamente, do livro que li na semana que passou

20210131_101948.jpg

 

Bom domingo.

28
Jan21

Já me livrei do bicho

Charneca em flor

coronavirus-4-.jpg

O meu isolamento terminou há uns dias e já voltei a trabalhar. Continuo a acompanhar a situação pandémica que o país, e o mundo, atravessam. Agora que tanto eu como o A. estamos restabelecidos, já posso olhar para trás e enfrentar aquilo que senti quando vi o positivo no teste rápido.

O primeiro sentimento foi medo. Antes eu dizia que não tinha medo de apanhar Covid-19 porque achava que teria sintomas leves já que não tenho factores de risco (um resfriadinho como dizia o Bolsonaro). Mas quando me vi naquela situação receei que a doença evoluisse para uma situação grave quando já era patente que o SNS estava a chegar ao colapso. Também senti medo de ter infectado alguém como, de facto, aconteceu já que fui eu que infectei o meu companheiro. Aí o medo transformou-se em pavor porque ele tem historial de doença asmática.

A seguir ao medo, senti culpa. Culpa por me ter deixado infectar embora eu não tenha percebido como e culpa por não ter percebido logo aos primeiros sintomas que se tratava desta doença.

Felizmente, a nossa situação clínica evoluiu favoravelmente. Eu nunca tive muitos sintomas. O A. teve alguns dias com sintomas mais intensos mas que também conseguiu ultrapassar. Assim chegou a sensação de alívio porque não contaminei mais ninguém e por nenhum de nós ter tido necessidade de recorrer ao hospital por agravamento dos nossos sintomas. 

Ao olhar para as imagens que chegam pelas televisões não posso deixar de pensar que tivemos uma imensa sorte.

E, pensando bem, não achei o isolamento assim tão negativo. Gosto muito de passear, de viajar, de sair mas sinto-me muito bem em casa. Não consigo perceber o drama das pessoas com o confinamento.

Ainda mantenho algumas preocupações. Continuo com tosse apesar de já ter feito um teste rápido que deu negativo e de ter tido alta. Já acho que vou ficar com tosse para o resto da vida. E, se falo durante mais tempo ou ando mais depressa, parece que o ar não quer entrar. Será psicológico?!

25
Jan21

Inacreditável mas previsível

Charneca em flor

Ontem só me consegui deitar quando já faltavam poucos concelhos para apurar. Estive à espera para ter a certeza que Ana Gomes ultrapassava André Ventura o que, de facto, aconteceu. No entanto, o 3o lugar daquele candidato não me deixa nada sossegada. Não consigo acreditar que quase 500 mil portugueses votaram em André Ventura. Dói-me verificar que, quer no concelho onde trabalho quer no concelho em que vivo, o candidato de extrema-direita ficou em 2o lugar. Como é que é possível que as pessoas não consigam ver o risco que se está a correr?! Eu percebo que as pessoas se sintam insatisfeitas com o estado do país, da Europa e do Mundo. Foi em épocas assim que estas teorias avançaram, no passado. Mas têm mesmo a certeza que querem viver num país comandado pelos princípios do Chega?

Larguem as redes sociais e leiam livros de história, procurem informação em fontes fidedignas, percebam o mundo onde vivem e como é que chegámos a este ponto. E percebam quais são os meios de comunicação social verdadeiramente independentes porque a Comunicação Social também deve assumir a sua quota-parte de responsabilidade no surgimento deste tipo de forças. Ponham a mão na consciência e descubram qual é o caminho que querem trilhar.

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