Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

05
Abr20

Foto da semana 15/52

Charneca em flor

IMG_20200329_095824.jpg

No tempo pré-Corona, era habitual ir tomar um café matinal aos cafés da zona. Às vezes até se aproveitava para apanhar sol na esplanada. Obviamente, agora isso não é possível mas uma mesinha na varanda, café de cafeteira e bolo caseiro pode ser uma boa alternativa.

Boa semana com muita saúde. .

 

01
Abr20

As minhas singelas sugestões

Para o isolamento social

Charneca em flor

A experiência de isolamento social já começa a cansar, não é verdade? Não se vê a luz ao fundo do túnel. Estamos a ficar viciados em noticias sobre quarentena, covid-19 e outras que tais. Assim não há sanidade mental que resista. Quem me conhece sabe que a minha profissão faz com que eu não esteja em isolamento absoluto mas a ansiedade também me atinge. Por isso vou sugerir algumas estratégias para nos aliviar a pressão no peito.

Ouvir música - os músicos, e todos os que trabalham na área musical, sofrerão bastante com toda esta situação uma vez que os espectáculos ao vivo são a sua grande fonte de rendimento. Assim o mínimo que se pode fazer é ouvir os seus trabalhos. Por exemplo:

- Cláudia Pascoal lançou, nas plataformas digitais, um disco muito alegre que me tem acompanhado nas deslocações para o trabalho.

- O disco Madrepérola da Capicua também vale a pena ouvir porque está fantástico, as letras dela são muito boas. Capicua é uma excelente poeta que brinca com as palavras como ninguém. Foi com ela que aprendi a gostar de hip hop.

 

Podcasts - Embora muitos deles estejam "contaminados" com o coronavirus, há alguns bem engraçados. Eu sigo no Spotify mas penso que também se podem encontrar no iTunes e no Soundcloud. Os meus preferidos são:

- Terapia de Casal do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Já existe há algum tempo e como o próprio nome indica dão "conselhos matrimoniais" muito engraçados. Obviamente sem base científica mas baseados na sua própria experiência e opinião.

- Sem Barbas na Língua do barbudos, Hugo Gonçalves, escritor, e Guilherme Duarte, humorista. Nos episódios da passada semana, contaram com a colaboração de 2 especialistas em saúde pública.

- Ponto Final, Parágrafo - Este podcast é animado pela jovem Magda Cruz e como se pode perceber o tema central é literatura. Antes do isolamento social, ela entrevistava um convidado sobre os seus gostos literários. Agora teve que se reinventar mas é possível ouvir os episódios anteriores que são bem interessantes.

 

30
Mar20

Volveremos a brindar por Lucia Gil

Charneca em flor

Lucia Gil, uma cantora e actriz, inspirou-se na situação que se vive por todo o mundo para compôr esta belíssima, e emotiva, canção que depressa se transformou no hino da quarentena. Lucia Gil sente esta situação de maneira particular porque os pais são profissionais de saúde.

Vamos continuar a lutar contra este vírus. Não com armas mas com ciência, solidariedade e ficando em casa quando assim é possível. 

 

27
Mar20

A perspectiva e o medo mudam tudo

Charneca em flor

O mundo está mesmo virado do avesso. Há bem pouco tempo, reclamava-se que as pessoas, principalmente as crianças e os jovens, tinham uma vida sedentária e passavam o tempo na internet nas mais variadíssimas redes sociais. Em certos países, as relações humanas já  eram predominantemente à distância de um clique em vez de serem à distância de um abraço. Agora até se estimula que se sirvam das mesmas redes sociais diabolizadas para manterem o contacto com os outros, uma vez que o contacto físico de proximidade está contra indicado. Não dá para compreender.

23
Mar20

It's the end of the world as we know it (and I feel fine) - R.E.M.

Charneca em flor

Uma música antiga mas extremamente actual

Hoje quero aproveitar o dia que costumo dedicar à música para homenagear os músicos que, impedidos de fazer concertos, têm alegrado estes dias através das redes sociais tocando ao vivo. Há quem se junte no Festival #euficoemcasa, há quem o faça individualmente e ainda quem, todas as noites, cante uma canção de embalar para dormirmos melhor apesar das vicissitudes com que nos deparamos. 

Todos fazemos falta. Agora fazem mais falta os profissionais de saúde, as forças da autoridade ou os trabalhadores dos supermercados, entre outros. Mas a cultura continua a ser preponderante para sermos uma civilização e para mantermos alguma sanidade mental apesar da loucura que nos rodeia e atinge.

O meu obrigada aos músicos porque continuam a fazer o que sabem fazer melhor.

20
Mar20

E estamos em estado de emergência

Charneca em flor

Imagino que muitos se sentirão como eu, a viver numa realidade paralela. Quando vou no carro ou em casa, até me parece que está tudo normal, que é possível planear as próximas férias ou ir almoçar fora. Ou até fazer as compras que me apetecer quando me apetecer. Só que depois percebo que não vivemos dias normais. Dou por mim a lavar as mãos até à exaustão mesmo quando as acabei de lavar e ainda não toquei em mais nada. Ou a fugir das pessoas na rua. Chego ao trabalho e tenho que atender com uma protecção entre mim e o utente. E desato a chorar de alegria e emoção porque consegui comprar mais meia dúzia de embalagens de álcool. Não, nada disto é normal. Às vezes penso que é tudo ridículo porque, afinal, ninguém vê este inimigo e eu nem conheço nenhum doente com Covid19 (felizmente). 

As pessoas que se cruzam comigo não parecem nada doentes. Porque é que tenho que ter medo delas?

Como a maioria de vocês deve saber, eu continuarei a trabalhar por inerência da minha profissão. Têm sido dias esgotantes embora a situação tenha melhorado. 

As pessoas têm sido surpreendentes mas isso nem sempre é positivo. Como falávamos lá na farmácia, ontem, as situações limites fazem sobressair aquilo que o ser humano tem de melhor mas também tudo aquilo que tem de pior. Há exemplos de atitudes louváveis de pessoas que ajudam os vizinhos idosos para que eles não saiam de casa mas o medo também provoca atitudes egoístas e irreflectidas. E têm-se visto muitas atitudes deste tipo. Na farmácia há pessoas que insistem em comprar medicamentos para 2 anos e desinfectante em tal quantidade que chegará até à próxima pandemia. No supermercado compram tudo o que podem incluindo um carregamento de papel higiénico. A sociedade está cada vez mais estranha.

Há quem acredite que disto resultará uma sociedade melhor e mais solidária. O meu pragmatismo duvida.

 

P.S - Muita coragem para os meus colegas farmacêuticos, para todos os outros profissionais de saúde, forças de autoridade, bombeiros e operadores de supermercado que têm que continuar nesta luta diária

 

 

 

 

17
Mar20

Dia-a-dia num país em alerta.

Charneca em flor

Eu bem queria falar de outra coisa mas é incontornável. Ontem tive o dia de trabalho mais estranho destes 20 anos que já levo de experiência. A minha postura sempre foi de proximidade com os utentes por isso a distância necessária é-me especialmente dolorosa. Comecei o dia com máscara mas felizmente, pela hora do almoço, foram instaladas protecções de acrílico nos balcões da farmácia. É melhor do que usar a máscara mas ainda assim é uma situação muito estranha. Entre cada atendimento, desinfectamos as mãos, os multibancos e as superfícies. A pele das minhas mãos está mais que seca.

original.gif

 

Mesmo com tanta informação, ainda tive que chamar a atenção porque as pessoas não respeitava o distanciamento social, porque se encostavam ao balcão da farmácia, estavam de luvas e mexiam na cara ou na máscara. Ou porque são idosos e continuam a vir à farmácia, todos os dias, em vez de ficarem em casa.

Alguns dos estabelecimentos da minha rua estão fechados. Há muito menos trânsito e menos pessoas na rua. Quase que não se ouve outro assunto nas conversas com que nos cruzamos. O cenário é quase apocalíptico. E isto ainda é só o início. Sinto que tenho que fazer um maior esforço para não me ir abaixo. Toda esta situação dá-me uma sensação de tristeza que nunca tinha sentido. Nem quero pensar como se sentem os profissionais de saúde que estão nos hospitais na linha da frente. Que Deus, ou a Ciência, nos ajude a todos; tudo depende daquilo em que acreditam. 

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Vale a pena espreitar

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Blogs de Portugal