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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

07
Fev17

Queda para o trabalho

Charneca em flor

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 <p>Quem me conhece pessoalmente, sabe que uma das minhas principais características é ser desastrada. Sempre fui assim. A minha mãe sempre achou que eu caia mais que as outras crianças. Em menos de 2 semanas já cai 2 vezes e já não sou, propriamente, uma criança. A última vez foi na farmácia no domingo de serviço. Estava a acabar de atender uma nova utente. Quando ela já ia a sair, lembrei-me que não lhe tinha dado uma revista informativa de que lhe tinha falado. Vou a toda a pressa, desvio-me da minha colega e encosto-me ao armário. Não sei como enfio os ténis no puxador da gaveta. Tento continuar a andar e agarro-me à minha colega. Largo-a quando percebo que vou cair e estatelo-me ao comprido. Caí mais depressa e com mais aparato do que as acçôes dos bancos na Bolsa de Lisboa. Felizmente estavam poucas pessoas na farmácia, só a nova utente e um utente habitual. Mesmo no chão continuo com a preocupação de me despachar e tento-me levantar. Como estou presa chego a arrastar o bloco de gavetas (e se ele é pesado). As minhas colegas dizem que parecia que eu estava a nadar. Uma delas lá me consegue soltar. O que é que eu fiz? Avaliei se estava bem? Ou continuei a correr para acabar de atender a utente e dar-lhe a tal revista? Pois, foi a segunda hipótese. Trabalho e competência acima de tudo. Só depois é que tentei perceber se estava tudo bem e fiz gelo. No entanto tenho aqui 2 belos hematomas, um em cada joelho e estou muito dorida. Lição a retirar: andar devagar vendo onde ponho os pés. Outra lição a reter: se é para cair que não seja à frente das câmaras de vigilância. Assim mais ninguém pode ver a cena. Vamos que eu ainda me tornasse uma estrela do youtube, cadente mas ainda assim uma estrela.</p>

06
Fev17

Irritações #3

Charneca em flor

Acabei de sair da minha noite de serviço. Não é um trabalho fácil mas é imprescindível. Se a população precisa, as farmácias devem estar disponíveis. Agora é preciso ver que atrás do vidro está uma pessoa que podia estar em casa a dormir confortavelmente mas está ali, disponível para ajudar. Não é uma máquina. Esta introdução serve para relatar o que me irritou esta noite (também acontece nos atendimentos diurnos mas à noite devo estar mais susceptível):

Passava das 5 da manhã e tocam à campainha. Estou acordada a ler e não levo muito tempo a atender. Mesmo durante a noite de serviço, esforço-me para saudar e cumprimentar as pessoas com a mesma simpatia com que o faço durante o dia. Entra uma senhora na casa dos 40/50. Digo "Boa noite", do outro lado silêncio absoluto. Estende-me a receita continuando a não dizer palavra. Pergunto se quer NIF na factura, estende-me o cartão do cidadão sempre em silêncio. Começo-me a interrogar: "Se calhar é muda". Digo o valor e a personagem dá-me o dinheiro. Finalmente antes de sair digna-se a falar (não era muda). "Boa noite e obrigada". Vá lá, redimiu-se no fim. 

É verdade que é o meu trabalho e que sou paga para o desempenhar da melhor maneira possível mas é assim tão difícil ser simpática para quem a atende?! 

Que tipo de sociedade estamos a construir?!

 

P.S. - Felizmente atendi uma senhora mais velha que até me pediu desculpa por incomodar. 

 

05
Fev17

Desafio #365 fotos 2017 - Semana 5

Charneca em flor

Mais uma semana que chega ao fim e já estamos no 2° mês do ano. Então foi assim:

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1 - Antiga escola Grandella, perto da aldeia onde passei o fim-de-semana passado.

2 - Lanche hygge no trabalho, chá e bolo caseiro

3 - Excelente exemplo de arte urbana pela qual passo todos os dia. Belíssima homenagem aos soldados da paz.

4 - Laranjas biológicas para as sobremesas desta semana (e das próximas, presumo)

5 -Estas árvores fazem parte do meu caminho para o trabalho. Através delas observo as estações do ano. Aqui com um ar muito invernoso.

6 - Sexta foi dia de manicure. Faço unhas de gel há quase 2 anos. Descobri uma profissional excelente que faz mesmo como eu gosto, discretas e curtinhas. A M. é moldava e ir arranjar as unhas também serve para discussões filosóficas sobre as diferenças de pensamento portuguesas e moldavas.

7 - Ontem fiz um passeio pela mata. Sempre agradável e inspirador.

 

Bom domingo. Eu estarei a trabalhar 

 

04
Fev17

Passeio pela mata

Charneca em flor

O meu fim-de-semana está reduzido apenas a este sábado. Amanhã é dia de "plantão" por isso é melhor aproveitar bem o dia de hoje. A manhã foi ocupada por uma actividade que já não praticávamos há muito tempo, um passeio pela mata. Embora tenha sido dificultado pelo meu esporão do calcâneo e por uma matilha de cães abandonados, valeu a pena. Aqui estão algumas imagens:

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Espero que a meteorologia não vos assuste. Aproveitem para passear e descubram o que vos rodeia. Bom fim-de-semana.

 

 

03
Fev17

Nâo somos imortais

Charneca em flor

As redes sociais podem servir para nos trazerem boas notícias mas também nos trazem notícias tristes. Foi o que aconteceu comigo esta semana. Numa destas noites, quando me preparava para relaxar, abro o Facebook e começo a ver inúmeras publicações dos amigos da adolescência  dando conta da morte de um rapaz muito conhecido e muito querido de todos, o J.. Como dizem os velhotes, era um rapaz da minha criação.

Por mais que se saiba, intelectualmente, que a morte é inevitável temos sempre a ideia de que somos eternos. Quando vemos partir alguém da nossa idade confrontamo-nos com a nossa própria mortalidade. E é duro. Faz pensar que tantas vezes perdemos tempo com insignificâncias e um dia a vida foge-nos num instante.

Nos últimos anos não tenho passado os meus tempos livres aqui pela terrinha e não via o J. há muito tempo. No entanto tenho gratas recordações do fim da nossa adolescência e do início da nossa vida adulta. O J. era um tipo porreiro, bonacheirão e sempre sorridente. A Festa não será a mesma sem ele e sem a sua máquina fotográfica. Que descanse em paz e que a sua família consiga ultrapassar este momento de dor.

02
Fev17

Uma gracinha de um cegueta

Charneca em flor

Ontem chegou ao balcão um utente habitual da farmácia. Este senhor tem a particularidade de ser cego mas brincar com a sua deficiência. É habitual usar expressões como "bons olhos a vejam". Fazemos tudo para o ajudar e facilitar o atendimento. Qual não é o meu espanto quando ele me põe um embrulho em cima do balcão e diz: - Isto é só uma gracinha de um cegueta para vocês dividirem como irmãs. O pacote tinha uns salgadinhos. Fiquei comovida e quando lhe agradeci dizendo que não era preciso ter-se incomodado, ele responde-me: - Vocês são sempre tão gentis comigo. Só falta andarem comigo ao colo. Fiquei tocada, não pela importância do "presente" mas pela delicadeza do gesto. Não exerço a minha profissão à espera de presentes mas estes gestos recordam-me porque escolhi trabalhar em farmácia comunitária. Porque gosto, verdadeiramente, de pessoas.

01
Fev17

Eutanásia na ordem do dia

Charneca em flor

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Hoje a eutanásia, ou a morte medicamente assistida, vai ser discutida no Parlamento. No caso da interrupção voluntária da gravidez sou abertamente contra porque acredito que não há razão para recorrer ao aborto quando há métodos para prevenir a gravidez. Em relação à eutanásia, o meu lado científico e profissional entra em choque com os meus valores cristãos. Compreendo o desespero a que o sofrimento físico pode levar e o que pode levar as pessoas a procurar um escape para esse sofrimento. Por outro lado, acredito que se deve saber aceitar esses momentos. No meu dia-a-dia tenho acompanhado inúmeras situações de doenças graves e de sofrimento atroz umas que foram fatais e outras que, felizmente, foram ultrapassadas. Começo a pensar , e se as pessoas do 2° caso pedem para morrer e desperdiçam a oportunidade de viver mais uns anos com alguma qualidade de vida? Como digo fico muito dividida. A nível pessoal nunca passei por nenhuma situação limite. Não sei o que pensaria se eu ou algum dos meus estivesse num sofrimento desesperante.

Se eventualmente o tema for a referendo como propõe o CDS não faço a mínima ideia de qual seria o meu sentido de voto.

O Parlamento irá discutir o tema sem pressas até porque ainda não há uma proposta legislativa havendo apenas uma petição pública. O BE e o PAN vão avançar com projectos legislativos e o PS e PSD já revelaram que darão liberdade de voto aos seus deputados. Ainda há um longo caminho para percorrer mas o tema entre, definitivamente, na discussão política e pública. 

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