Há uma interrogação que me tem atormentado nos últimos dias. Que pessoa me estou a tornar com esta pandemia? Dou por mim a julgar as pessoas que vejo a rua. Ou porque são idosas e estão na rua, aparentemente sem nada de urgente para fazer. Ou porque não têm máscara ou está mal colocada.
No supermercado, faço cara feia (é mais olhar matador porque só se vêem os olhos) a quem se aproxima demasiado.
No meu local de trabalho, em vez do meu habitual sorriso, agora escondido pela máscara, e natural simpatia, passo o tempo a "ralhar":
- Respeite a distância
- Não ponha os seus objectos em cima do balcão
- Não, não pode ir ver isso que está no expositor
- Espere na zona marcada
- Não pode estar à frente da porta
- Tem que esperar na rua
- A máscara tem que tapar o nariz
- Não pode estar no interior da farmácia sem máscara
- a máscara, a máscara, a máscara...
Basicamente estou a tornar-me numa vigilante chata e irritante. Não conheço esta pessoa em que me estou a tornar e também não simpatizo nada com ela.
Os criadores, seja de arte, música ou literatura, são, obviamente, influenciados por tudo aquilo que se passa à sua volta. Já em 2017, Pedro Abrunhosa nos brindou com uma tocante canção inspirada pela tragédia dos incêndios. Agora foi a experiência de confinamento, as cidades vazias, o distanciamento que inspiraram esta maravilhosa "Tempestade"
O Instagram do blogue tem andado muito florido. Desta feita não se trata de flores silvestres nem das minhas plantas mas sim de um ramo de margaridas que recebemos lá na farmácia onde trabalho.
Apesar de se tratar de uma acção de marketing já que vinha acompanhado de material publicitário alusivo a um anti-histamínico (estamos na época das alergias), não deixa de ser um gesto bonito e que nos fez sorrir . Para além disso, também vinha com uma carta de agradecimento pelo trabalho que temos vindo a desenvolver nesta época difícil e exigente.
Não é nada que me surpreenda mas esta semana começou a verdadeira saga das máscaras.
Tenho visto isto tudo e mais os casos em que a máscara anda no bolso ou na mala. E ainda as pessoas que puxam a máscara para baixo ou para cima quando precisam de falar mexendo na parte da frente da máscara. Para além, distanciamento social quase que deixou de fazer parte dos cuidados porque as pessoas se sentem completamente seguras já que estão com máscara. Continuam a pôr todos os objectos que possam imaginar em cima do balcão como por exemplo, a carteira, o telemóvel, o cartão multibanco e mesmo os óculos.
Como diz a minha patroa, não se percebe como é que a situação Covid-19 não tem sido mais dramática. Veremos a evolução.
Durante as últimas semanas comecei a dedicar-me mais à jardinagem e à observação das flores silvestres que encontro nos meus passeios. É a Primavera em pleno e a Natureza a provar que, aconteça o que acontecer, é sempre possível renascer. Tanto o meu instagram pessoal como o instagram do blogue foram invadidos de imagens coloridas de flores e plantas.
Assim esta semana temos a foto da semana em dose dupla
A Yucca que vive na sala há alguns meses
A lavanda, ou alfazema como preferirem, que comprei ontem e que vai ficar na mesa do pátio
Em relação à yucca, já não é a primeira que tenho. Confesso que sou uma plant killer. Tenho tendência de me esquecer das plantas, nomeadamente, esqueço-me de as regar e depois rego-as demais . Estou a fazer um esforço para me emendar até porque fiz um grande investimento em plantas nas últimas semanas.
Ontem fomos ao supermercado e passámos por uma loja de plantas onde resolvemos parar. O tamanho da loja era brutal. Tinha todas as plantas que possam imaginar. Conseguimos comprar só 2. A alfazema tem um aroma de que gosto muito e transporta-me sempre para a minha viagem pela Provença. Também comprei uma buganvília que é uma das minhas paixões. Há muito que queria ter uma.
Os artistas continuam a aproveitar o confinamento para serem criativos e generosos. Rita Redshoes traz uma música alegre mas com um vídeo marcado pela época que vivemos. Espero que vos alegre esta 2a feira
Hoje assinala-se o Dia do Trabalhador. Será um 1° de Maio diferente, sem as habituais manifestações sindicais por motivos óbvios. Eu quero aqui prestar homenagem a todos os trabalhadores como sejam:
Aos profissionais de saúde que lutam directamente contra a Covid-19
Aos outros profissionais de saúde, como os farmacêuticos, que continuaram a prestar cuidados necessários
Aos trabalhadores que tiveram que se adaptar ao teletrabalho de um dia para o outro
Aos trabalhadores que entraram em lay-off e não sabem como será o futuro
Aos trabalhadores que ficaram desempregados e para os quais não há luz ao fundo do túnel
Vamos todos lutar, daqui para a frente, para diminuir a transmissão do coronavírus e ajudar a economia a ir recuperando para que a vida de todos nós melhore.