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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

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16
Mar18

Desafio das 52 semanas - semana 11

Charneca em flor

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O tema da Tag 52 semanas transporta-nos ao passado. Vou tentar completar a frase "Os meus brinquedos favoritos na infância eram..."

Não tenho uma memória muito nítida da minha infância. Imagino que seja porque a  minha vida foi marcada pela morte do meu pai quando eu tinha 14 anos. Tudo o que aconteceu antes desse acontecimento ficou um pouco desfocado. 

Lembro-me de adorar brincar com uma boneca grande que nem era minha, era da minha mãe. Era uma boneca típica dos anos 70, tinha cerca de 40/50 cm e um vestido de renda. Ou seja, quando comecei a brincar com ela éramos quase do mesmo tamanho. A minha brincadeira preferida era fazer de conta que era médica e a boneca era a doente. Coitada, tinha sempre a cabeça preferida.

Outra brincadeira gira era pôr um cordel preso nas pernas das cadeiras da sala de jantar e "estender" a roupa das bonecas. A imaginação das crianças não tem limites e transforma pernas de cadeiras, cordéis e molas em brinquedos.

Tambem me recordo de, ainda bem pequena, adorar um puzzle daqueles com cubos de madeira. Brincava tanto com ele que os desenhos já quase não se viam.

Quando ia brincar para casa do meu primo, não tinha problema nenhum em me divertir com carrinhos dele. Uma das nossas brincadeiras era pôr os carrinhos todos em fila (e se eram muitos). Era um engarrafamento a caminho da Praia da Figueirinha em Setúbal o que acontecia com alguma frequência nos idos anos 70 e 80.

Ou o peluche da Abelha Maia que tinha asas e tudo. O que nós voavamos juntas.

E não posso esquecer os livros. Esses faziam mesmo muito, muito feliz.

Que saudades desse tempo em que eu via o mundo com lentes cor de rosa.

04
Out16

Com lentes cor de rosa

Charneca em flor

Aqui há dias um antigo colega da escola publicou 2 fotografias da nossa turma do 9º ano. Foi muito giro e emocionante descobrir aquelas imagens com quase 28 anos. Nem me lembrava que existiam nem tão pouco me recordava daquela ocasião ter acontecido. Alguns colegas já nem sei como se chamam e da professora também não me lembro do nome. Lembro-me bem dela já que foi minha professora em 2 anos seguidos, lembro-me da interacção com ela, lembro de que tipo de pessoa era, lembro de ir jantar à casa dela com outros colegas, lembro-me de tudo mas o nome está escondido nos recantos da minha memória. No entanto, a alcunha dela é inesquecível "A sargento". Impressionantes as partidas que a memória nos prega. O nono foi um ano lectivo muito particular. Foi o pior ano da minha vida porque perdi o meu pai logo na primeira semana (dia 9 completam-se 28 anos sobre esse acontecimento marcante e preponderante). A revolta que senti, a pergunta "porquê a mim?" repetida tantas vezes, somada à adolescência tornaram esse ano muito negro. Ainda por cima a turma era nova, tinha deixado as minhas melhores amigas dos anos anteriores. Valeu-me, apesar de tudo, o poder das novas amizades, principalmente a de uma outra rapariga que perdera a mãe uns anos antes. Essa pessoa faz parte da minha vida até hoje mesmo que, agora, nos encontremos muito pouco. Também foi no nono que eu aprendi a ser mais humilde. Até essa altura estava convencida que era muito boa aluna, a melhor. E fui nas turmas anteriores mas esta turma era muito mais equilibrada e havia outro aluno melhor do que eu. Foi o meu maior rival. Enquanto encarei os testes com esse sentimento de rivalidade, os resultados nem sempre foram os que eu queria. A dada altura aceitei a realidade e comecei a estudar para dar o meu melhor. Assim correu tudo de maneira diferente. Umas vezes o melhor era ele, outras vezes era eu.

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Aquela publicação trouxe-me inúmeras recordações. Fui ler o meu antigo diário, lembrei-me das paixões "assolapadas" e platónicas dessa altura, lembrei-me dos sonhos e da ingenuidade com que eu olhava a vida... com lentes cor de rosa. Porque, apesar da morte do meu pai, eu continuei a ter uma visão cor de rosa do mundo. A publicação do PF fez-me olhar para dentro e perguntar-me onde está essa miúda sonhadora e ingénua. Ainda faz parte de mim? Ainda a guardo cá dentro ou perdi-a pelo caminho?

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