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21
Nov18

Entre Borba e Vila Viçosa, mais uma tragédia

Charneca em flor

O país foi surpreendido por mais uma tragédia. Na passada 2a feira, ruiu a antiga EN 255 que, passando por uma pedreira, ligava Borba a Vila Viçosa. O aluimento das terras arrastou 1 retroescavadora pertence à empresa proprietária da pedreira e, a acreditar nas testemunhas, arrastou também 2 veículos que iam a passar na estrada. Há 2 mortos confirmados e 3 desaparecidos.

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Na verdade, esta estrada, actualmente, é municipal porque já existe uma outra estrada nacional para ligar as 2 vilas alentejanas. Apesar disso, a estrada que desapareceu continuava a ser utilizada por muitos condutores incluindo turistas uma vez que era uma estrada muito pitoresca. Eu mesma já passei várias vezes por lá há uns anos. No fim da adolescência, início da vida adulta estive ligada a um movimento católico de jovens e os encontros diocesanos realizavam-se no Seminário de São José, em Vila Viçosa. Tal como o próprio nome indica, esta vila é uma das mais belas vilas alentejanas. Borba já não conheço tão bem.

A indústria do mármore tem sido um importante pólo de desenvolvimento para aquela região e as pedreiras dominam a paisagem. Agora, parece que todos sabiam que uma tragédia estava eminente desde autarcas, industriais do mármore, Direcção Regional da Economia e habitantes locais. Ao que parece, eram conhecidos estudos que indicavam que aquela estrada era perigosa e que a circulação devia ser restringida. As perguntas que se impõem são: Se já se sabia do perigo iminente, porque é que ninguém fez nada? De quem é a responsabilidade? Continua a ser preciso que aconteça uma tragédia para que os responsáveis actuem?

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As notícias dos últimos dias fazem-me lembrar uma situação similar que aconteceu há 17 anos, a queda da Ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios que arrastou cerca de 60 pessoas para a morte. Nessa altura fizeram-se promessas de justiça. Ao fim de alguns anos foram levados a tribunal areeiros e técnicos responsáveis pelas avaliações de segurança. Foram todos absolvidos. Como diz o povo "a culpa morreu solteira".

E desta vez?! Será que a culpa arranjará noivo ou ficará sozinha como é habitual?! 

Qual é a justificação para que estas situações se continuem a repetir?

Interrogo-me até que ponto as nossas estradas, pontes ou viadutos serão seguros. Para chegar ao meu trabalho tenho que atravessar uma ponte com mais de 50 anos. Durante algumas semanas depois desse dia 4 de Março de 2001, passava por lá com muito receio. Depois daquela tragédia, fizeram-se inúmeras inspecções a pontes e viadutos. Imagino que agora acontecerá o mesmo mas depois as pessoas vão-se acomodar porque a memória é curta. Só as famílias tocadas por esta dor é que nunca esquecerão.

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