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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

29
Out20

Limitações no Dia de Finados

Charneca em flor

O Conselho de Ministros, através da Resolução 89-A/2020, decretou a proibição de circulação entre concelhos no território continental entre o dia 30 de Outubro e o dia 3 de Novembro. A intenção é limitar as viagens devido ao Dia de Todos-os-Santos e o Dia de Finados.

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Nesta altura do ano são muitos os portugueses que se deslocam às terras de origem para prestar homenagem aos seus mortos.

Aqui há dias discutia-se, lá na farmácia, se esta medida fazia sentido ou não. Havia quem alegasse que estar num cemitério não era assim tão perigoso uma vez que se tratava de um espaço ao ar livre. Na minha opinião, a medida faz algum sentido porque esta celebração serve de pretexto para que as famílias se encontrem e convivam. Isso acontece, principalmente, na região norte em que esse culto da morte é mais acentuado.

Acontece que a resolução apresenta tantas excepções à limitação de circulação que esta medida ficou vazia de significado. 

E, vocês, o que acham sobre isso? No sítio onde vivem, as pessoas reúnem-se  nesta altura para visitarem os cemitérios? Ou acham que já ninguém liga ao Dia de Finados e por isso esta medida era desnecessária?

09
Out20

Segunda vaga

Charneca em flor

E eis que Portugal ultrapassa os 1000 casos diários neste início de Outono. Há várias semanas que se antevia este cenário. Acabei de ouvir que os especialistas estão surpreendidos porque tinham previsto que isto acontecesse mais tarde, em pleno Inverno. O que me parece é que os especialistas não sabem grande coisa. Este vírus continua a ser um grande desconhecido tornando impossível qualquer previsão. O que se percebe é que, tal como a primeira, esta nova vaga chega a Portugal mais tarde do que no resto da Europa. Vantagens de estarmos aqui neste cantinho recôndito. Como dizem os meus utentes, é preciso ter sorte.

Cuidem-se.

09
Set20

Ana Gomes a Presidente

Charneca em flor

Ana Gomes confirmou, ontem, que será candidata à Presidência da República. O anúncio oficial será amanhã. Há muito que se especulava sobre esta possibilidade.

Ana Gomes licenciou-se em Direito mas no fim da licenciatura enveredou pela carreira diplomática onde permaneceu durante alguns anos. Das funções que desempenhou, destacou-se como consultora presidencial para a diplomacia do Presidente Ramalho Eanes aos 28 anos e embaixadora de Portugal em Jacarta. E foi aí que deu nas vistas. Abraçou a causa timorense e não descansou enquanto não colocou Timor Leste no centro da diplomacia internacional.

Depois de Jacarta, abandonou a carreira diplomática e enveredou pela política. Filiada no PS, é, desde a primeira hora, uma voz incómoda. Chegou ao Parlamento Europeu em 2004 onde continuou a ser uma mulher de causas. Como eurodeputada, participou em missões em locais como a Etiópia, Iraque, Kosovo, Bósnia Herzegovina, Síria ou República Democrática do Congo. Na Etiópia é considerada uma heroína pelo contributo que deu à luta pela liberdade do povo etíope 

Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, já não foi candidata e pediu escusa do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Se já antes dizia tudo o que pensava, agora é que ninguém a pára. A principal causa que a move, actualmente, é o combate à corrupção sendo uma das maiores defensoras de Rui Pinto.

Ana Gomes não olha a cores políticas quando escolhe os alvos das suas batalhas e dispara em todas as direcções empenhada na luta pela integridade e pela transparência. 

Com o percurso que precede esta candidatura, Ana Gomes tornará a campanha presidencial muito mais interessante. Os debates serão renhidos. André Ventura já se aproveitou do anúncio da candidatura da Ana Gomes para dar que falar. 

Por muito que eu gostasse de ver uma mulher como presidente, não acredito que seja desta. Embora ainda não o tenha anunciado, Marcelo irá, com toda a certeza, recandidatar-se e tudo indica que será reeleito. Mas nenhuma eleição está ganha à partida. Acredito que Ana Gomes vai travar este combate com toda a sua coragem e resiliência. E se tiver um bom resultado talvez se volte a candidatar daqui a 5 anos. Quem sabe?!

 

 

24
Jun20

O homem do rosto sorridente

Charneca em flor

Nos últimos dias têm-se falado muito sobre suicídio, a reboque do falecimento do actor Pedro Lima. O suicídio sempre me fez muita confusão. E quando estas coisas acontecem, o meu primeiro pensamento é sempre o mesmo: " como é que ele/ela foi capazes de fazer isto aos filhos?".

Não sei de onde vem este meu pensamento. Não sei se tem a ver com o facto de ter perdido o meu pai muito cedo ou com o facto de ter lidado com o suicídio de uma pessoa próxima na infância. Perdi uma tia assim e nunca percebi como é que ela foi capaz de "abandonar" os filhos. Ou talvez seja por eu nunca ter tido filhos e achar que, quem teve a felicidade de os ter, tem a obrigação de lutar contra tudo e contra todos para os proteger.  

Não sei se o suicídio é sinal de fraqueza ou, pelo contrário, de coragem. Nem vou entrar nessa discussão. Já passei por imensos problemas, por inúmeras angústias e nunca me deixei cair numa situação de desespero tal que me levasse, sequer a  equacionar essa possibilidade.

No entanto, eu não sou ninguém para julgar os outros. Eu consegui sempre, até agora, dar a volta por cima mas há quem não consiga. Ninguém sabe o que é que vai encontrar ue se têm escrito por aí. O seu sofrimento já é suficiente.

Ao que tudo indica, o actor sofria de depressão e essa situação já se vinha a arrastar. Provavelmente não estaria a ser tratado. Quem o conhecia, diz que ele tinha sempre uma palavra para ajudar os outros. Mas não procurou ajuda.

A saúde mental em Portugal sempre foi descurada e agora mais do que nunca, infelizmente. Uma doença deste foro é tão, ou mais, grave que uma doença física. Só que não se vê, não se mede, só se sofre, muitas vezes em silêncio.

Estejamos mais atentos a nós próprios e aos outros.

 

 

18
Jun20

Destino: Portugal

Charneca em flor

Como seria de prever, o sector do turismo é dos mais afectados pela pandemia. Em Portugal, a crise é ainda mais gritante porque, nos últimos anos, a nossa economia assentava neste sector, principalmente. No entanto, esta crise no turismo faz-se sentir, em maior ou menor escala, em todos os países.

Já há umas semanas que tenho reparado que muitos operadores turísticos têm apelado a que se faça férias "cá dentro" porque temos que ajudar a economia  interna. Obviamente que a legitimidade deste apelo é indiscutível mas porque é que só agora é que os empresários se lembraram que os portugueses existem? Durante imenso tempo só se preocuparam em atrair o maior número de estrangeiros possível e nunca pensaram que o boom do turismo não era eterno. Os estrangeiros vão e vêm e podem deixar de vir mas os portugueses estarão sempre cá. Se calhar deveriam ter pensado melhor antes de estenderem a passadeira vermelha aos de fora e empurrar os de cá para a porta das traseiras.

Não se pense que isto é exclusivo deste nosso rectângulo. Em França, por ocasião da abertura dos museus, vi uma pessoa, não sei se seria o director, dizer que agora os parisienses teriam oportunidade de ir ao Louvre. Presumo que antes nem conseguissem chegar lá perto quanto mais entrar.

Moral da história: O melhor mesmo é chegar a um ponto de equilíbrio em que todos se sintam acolhidos seja onde fôr e seja qual fôr a origem de cada um.

 

 

 

 

 

16
Jun20

A corrida do ouro, perdão, das compras

Charneca em flor

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Eu consigo compreender a postura dos empresários e funcionários dos centros comerciais e das grandes superfícies que abriram ontem. Estiveram 3 meses sem trabalhar e isso representa um prejuízo significativo. Ontem os clientes foram recebidos com pompa e circunstância que se notavam nos balões, palmas e música que aguardavam as pessoas à porta. Só não percebo a ânsia das pessoas que foram às compras logo no primeiro dia. A mim não me apetece nada ir enfiar num centro comercial. Actualmente prefiro o comércio de rua. Já bem basta ir ao supermercado porque temos que continuar a comer. Achei graça às pessoas que responderam aos jornalistas: "Ah e tal, já estávamos há muito tempo sem sair de casa por isso viemos aqui". Se me disserem que vão à praia ou passear num jardim porque estão fartos de estar em casa ainda se compreende. Agora sair de casa para nis enfiarmos noutra "casa" só que maior e com lojas, não percebo. Mas seja como fôr, espero que tenha ido ontem a correr às "mecas" do consumo tenham realmente feito compras. A economia tem que continuar a rolar.

10
Jun20

Não sei se é assim que se mudam mentalidades

Charneca em flor

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Acabei de ouvir, na TSF, que a HBO retirou o filme "E tudo o vento levou..." do seu catálogo embora admitindo que o filme regresse depois de uma discussão sobre o seu contexto histórico e as representações racistas patentes.

O E Tudo o Vento Levou é um produto de seu tempo e descreve alguns dos preconceitos étnicos e raciais que, infelizmente, têm sido comuns na sociedade americana. Essas representações racistas estavam erradas na época e estão erradas hoje, e sentimos que manter esse título sem uma explicação e uma denúncia dessas representações seria irresponsável ”, disse um porta-voz da HBO Max à revista Variety. 

Na cidade de Bristol derrubaram uma estátua de um esclavagista e atiraram-na ao rio.

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O Mayor de Londres também admite avaliar os monumentos, as ruas e os murais existentes na cidade para perceber se há exaltação de comportamentos racistas e equacionar a possível retirada.

Como já disse aqui, esforço-me para controlar as minhas expressões e pensamentos que possam ser racistas. Tento tratar todas as pessoas, principalmente no meu contexto profissional, com o mesmo respeito e atenção.

Afirmo-me como anti-racista mas penso que não são com aquelas medidas que se mudam as mentalidades. Não é escamoteando o passado que se acaba com o racismo actual. Acredito que é mantendo a memória dos acontecimentos passados, devidamente contextualizados e explicados, que se pode modificar o presente e o passado.

Se escondermos todos os esqueletos que da humanidade e fizermos de conta que aquelas coisas nunca aconteceram, há uma elevada probabilidade de voltarem a acontecer.

07
Jun20

Manifestação em tempo de pandemia

Charneca em flor

As manifestações anti-racistas de ontem, desencadeadas pela morte de George Floyd às mãos da polícia nos Estados Unidos da América, inspiraram-me sentimentos dúbios.

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Por um lado, compreendo perfeitamente e sinto-me solidária com os protestos. Como pessoa, como cidadã e até como cristã, qualquer forma de racismo, xenofobia ou discriminação ofende-me moralmente. Obviamente que sou humana e não sou perfeita e, às vezes, também dou por mim a ter pensamentos ou utilizar expressões que até podem ser racistas ou discriminatórias. É uma luta diária contra mim mesma e contra a sociedade em que cresci. Porque, sejamos sinceros, há racismo em Portugal. Não somos o país mais racista do mundo e nem sequer na Europa mas há racismo na nossa sociedade. E há seres humanos que sofrem com isso. Não podemos permitir que isso aconteça. Todos os seres humanos têm direito à mesma dignidade. Quando nos cortamos, o nosso sangue é da mesma cor.

Por outro lado, neste contexto de pandemia, os manifestantes correram um risco apreciável de aumentar a taxa de transmissão do Sars-CoV 2. Haveria, com toda a certeza, uma maneira mais segura de se fazer um protesto destes. Nas imagens que nos chegaram pelas televisões, não foi respeitado o distanciamento social, havia pessoas com máscaras sociais, cujo nível de filtração de partículas é muito baixo, ou mesmo sem máscara. Felizmente também se viam máscaras cirúrgicas que impedem a transmissão aos outros. Veremos se estas manifestações não têm consequências graves.

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Compreendo que os empresários que ainda não podem abrir as empresas como os bares, as discotecas, os centros comerciais da região de Lisboa, os promotores dos espectáculos e todas as pessoas que trabalham nestes locais se sintam ofendidas com a grande acumulação de pessoas que se viram nas ruas das várias cidades, um pouco por todo o  mundo. 

É verdade que a ordem agora é desconfinar mas cada indivíduo deve ser responsável pela sua protecção e pela protecção dos outros. Não foi isso que se viu ontem. Eu não contesto que todos os cidadãos portugueses têm o direito a se manifestarem uma vez que vivemos numa democracia mas, eu disse neste post no blogue Liberdade aos 42, a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. É muito difícil conseguir este equilíbrio.

30
Mai20

E esse desconfinamento?

Charneca em flor

Olá, olá, vizinhos aqui do charco do .

Então, como estão a viver o desconfinamento? Já vamos para a 3a fase . Que alegria

Na minha opinião, as pessoas estão um bocadinho desconfinadas de mais. A malta levou muito à letra o "Saiam de casa. Temos que recuperar a economia". Tal como muitos exageraram no "Fiquem em casa". 

Eu vivo na região de Lisboa e Vale do Tejo que, com o fim do confinamento, se tem vindo a tornar na região mais complicada já que a grande maioria dos novos casos têm sido detectados nesta região. Obviamente que seria expectável uma vez que é a região que concentram uma elevada percentagem da população portuguesa e imigrante. Este aumento de casos tem sido justificado, maioritariamente, por surtos claramente identificados.

Acontece que quando me desloco para trabalhar vejo as pessoas muito descontraídas e já mandaram o distanciamento social às urtigas. É por isso que eu nunca fui  muito apologista da utilização das máscaras. As pessoas, como têm uma máscara já acham que estão 100% protegidos. Nem que a máscara vá no queixo, no pulso ou na mão a abanar, tipo cesto do capuchinho vermelho. Até já tenho ouvido relatos de partilha de máscaras. Não estão a ver como se processa? Imaginem 2 pessoas que querem entrar numa loja e só uma delas é que tem máscara. Essa pessoa entra, faz as compras e saí. Nessa altura empresta a máscara à outra pessoa para que possa fazer o mesmo. Boa ideia, não acham?!

Sou obrigada a concordar com a minha patroa quando diz: "A situação em Portugal não é pior porque temos tido muita sorte. Com os disparates que se têm visto."

 

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