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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

25
Jun22

Pobre criança

Charneca em flor

Durante alguns dias consegui ir escapando às notícias sobre o caso da menina, Jessica de seu nome, que foi brutalmente assassinada em Setúbal. Mas não foi fácil. Mesmo quando não vejo espaços noticiosos na televisão, as notícias vão aparecendo no telemóvel. Eu até costumo ser resistente a este tipo de situações, houve uma altura em que via as crónicas criminais dos programas da manhã enquanto almoçava. No entanto, esta história ultrapassa todos os limites do horror. É demasiado escabrosa até para mim. 

É inacreditável como acontecem estes casos no séc. XXI. Como é que há quem acredite em bruxaria? Como é que as crianças continuam a ser tratadas como objectos que podem ser transacionados? Que sociedade estamos a construir se permitimos que os seus elementos mais frágeis e indefesos sejam sujeitos a este tipo de sevícias?! É preciso reflectir sobre o trabalho desenvolvido pelas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens. Quando surgem estes casos, parece que as acções da CPCJ são, claramente, insuficientes. Mas é preciso perceber se os meios de que dispõem são os adequados.

Uma sociedade que não é capaz de defender as suas crianças é uma sociedade falhada.

10-coisas-que-deixam-as-criancas-felizes.jpg

 

06
Jun22

Geografia não é o meu forte

Charneca em flor

A Europa sofreu grandes alterações desde a minha infância. Lembro-me de ter um jogo em que tinha que encaixar os países europeus bem como as respectivas bandeiras. Eu já não achava o jogo nada fácil mas se fosse jogado agora ainda seria mais complexo. Quando eu era criança, ainda havia Checoslováquia, Jugoslávia e União Soviética. Depois caiu o Muro de Berlim e a Europa nunca mais foi a mesma e ainda bem. O colapso da União Soviética deu-se em 1991 dando origem a 15 repúblicas independentes. Sabe-se, hoje, que essa divisão não foi bem aceite por todos. A Checoslováquia dissolveu-se em 1992 dando origem à República Checa e à Eslováquia. Jugoslávia também se começou a desintegrar mais ou menos na mesma altura embora não tenha sido um processo doloroso já que a declaração de independência de algumas das repúblicas que constituiam este país deram origem à Guerra dos Balcãs que durou cerca de 10 anos. A Jugoslávia deu origem a 7 novos países. 

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Esta introdução toda para dizer que perceber a geografia europeia já é complexo o suficiente sem andarem, constantemente, a modificar os nomes dos países. Primeiro foi a Holanda que deixou de ser Holanda e passou a designar-se, oficialmente, por Países Baixos. E ontem, durante o jogo da Selecção Portuguesa de Futebol, fiquei confusa quando os comentadores se referiam a uma das outras equipas do grupo de Portugal como Chéquia. Chéquia?! O país mudou mesmo de nome ou os comentadores estavam só a poupar palavras?

02
Jun22

Quando a realidade ultrapassa a ficção

Charneca em flor

Não posso dizer que tenha acompanhado o badalado julgamento que opôs  Johnny Deep à ex-mulher Amber Heard. Pelo que percebi, não se tratou de um processo sobre violência doméstica mas sim um processo em que Johnny Deep acusa Amber Heard por difamação. Depois de ter corrido muita tinta sobre o processo, depois de muitas acusações mútuas e depois de lavarem muita roupa suja em público - literalmente - o júri deu razão ao actor.

Na reacção ao veredicto, a actriz, ou a sua equipa de advogados, tentou "colar" esta história sórdida à luta de imensas mulheres que batalham por ver os seus agressores condenados por violência doméstica:

《"Estou ainda mais desapontada com o que este veredito significa para as mulheres. É um retrocesso. Atrasa o relógio até um tempo em que se uma mulher falasse e denunciasse podia ser publicamente envergonhada e humilhada. Volta atrás na ideia de que a violência contra as mulheres deve ser levada a sério", prosseguiu a atriz.》

Nesta declaração, publicada no Twitter, concordo com "a violência contra as mulheres deve ser levada a sério", obviamente, mas parece-me que não é disto que se trata neste caso. O que se viu ao longo das semanas foi um ex-casal onde o respeito mútuo acabou há muito se é que alguma vez houve. Aliás, foram ambos condenados por difamação e a pagarem uma indemnização um ao outro. 

Acredito que, perante, uma suspeita de violência doméstica não se deve descurar aquilo que a alegada  vítima sente mas, infelizmente, haverá mais casos de falsas alegações e são esses casos que prejudicam a luta contra a violência doméstica e não este veredicto.

06
Abr22

A feminilidade e a maternidade também podem ser tóxicas?

Charneca em flor

Muito se tem falado da masculinidade tóxica mas será que também há feminilidade tóxica? Passo a explicar a razão da minha pergunta. Na minha prática profissional, enquanto farmacêutica, já há muito que reparo que há pais que não têm independência de tomar decisões sobre os seus filhos sem consultar as mães das crianças. Felizmente não são todos. Ou seja, quando vêm adquirir medicamentos ou outros produtos para os filhos, e é preciso fazer uma escolha, há sempre um telefonema para as mães.

O último exemplo é o seguinte:

O médico tinha prescrito um soro de hidratação do qual existem 2 sabores, limão e groselha. O pai estava na farmácia mas foi a mãe que escolheu o sabor, à distância de uma chamada telefónica. Porque é que o pai não conhece o filho suficientemente para fazer uma opção tão simples?

Será que é o pai que é desligado da função ou será que é a mãe que não deixa o pai partilhar os cuidados do filho porque se acha mais capaz do que o companheiro? Até quando é que se considerará os cuidados dos filhos como principal  responsabilidade da mãe e o pai como mero ajudante? De que lado virá a perpetuação destes papéis tradicionais? Dos homens ou das próprias mulheres que chamam a si estas funções sem os deixar assumir o seu papel de pai?

28
Mar22

O desgosto das meninas afegãs

Charneca em flor

Ontem à noite fiquei muito impressionada com uma reportagem sobre as meninas afegãs que voltaram a estar impedidas de frequentar a escola. O actual regime talibã só autoriza o ensino feminino até ao 6° ano. Os talibãs vão manter a interdição do acesso de raparigas ao ensino secundário, apesar da promessa do regime afegão de que as escolas voltariam a permitir, na 4a feira passada, o regresso das adolescentes às aulas. As meninas chegaram a dirigir-se aos estabelecimentos de ensino mas foram impedidas de lá permanecer.

O compromisso de proporcionar educação a todos e em todos os níveis fez parte do acordo para que o regime talibã recebesse ajuda humanitária. A actual situação foi justificada com a falta de professores, que fugiram do país aquando do regresso dos talibãs ao poder, bem como com tempo insuficiente para adequar as escolas à separação entre rapazes e raparigas e aos princípios islâmicos.

Esta questão da educação faz parte de uma ampla restrição dos direitos das mulheres no Afeganistão. 

Quantos jovens, de ambos os sexos, haverá no nosso país que, tendo fácil acesso à educação, não o sabem aproveitar não usufruindo do ensino em toda a sua plenitude? As meninas afegãs choram porque as impedem de estudar e por aqui há tantos miúdos e miúdas que não dão devida importância à escola. Dá que pensar.

 

 

24
Mar22

Os dias da democracia

Charneca em flor

Hoje assinala-se o dia em que a duração da democracia ultrapassa a duração da ditadura. O Estado Novo durou 17 499 dias e já estamos há 17 500 dias num regime democrático.

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Imagem daqui

Esta efeméride, bem como os 50 anos da Revolução de Abril que se comemoram em 2024, deve fazer-nos reflectir sobre o estado da nossa democracia e do nosso papel na manutenção da Liberdade. Não podemos considerá-la como um dado adquirido. A democracia é frágil e, se não estivermos atentos, corremos o risco de a destruir. O facto de a abstenção eleitoral ultrapassar os 50% não nos pode deixar tranquilos. O acto eleitoral é o acto definidor de um regime democrático. Se há tanta gente que não se interessa por esta questão é um sinal de que a democracia não está assim tão saudável. 

Esta pequena reflexão leva-me, também, ao elenco ministerial que foi conhecido ontem. Pela primeira vez há mais mulheres à frente dos ministérios e no Conselho de Ministros, que incluí o Primeiro-Ministro, estão empatados. Foi preciso chegar ao séc. XXI, e quase 50 anos de Revolução dos Cravos),  para que a verdadeira paridade estivesse presente.

Só  me resta desejar sorte a estes novos governantes. Se todos fizerem o seu trabalho com honestidade e rigor, ganhamos todos.

12
Mar22

Cuidado com as parangonas

Charneca em flor

Entre as mais variadíssimas questões que me causam preocupação, há uma que me estar a deixar genuinamente chocada.

Já é uma frase feita que diz que, na guerra, a primeira vítima é a verdade. Mesmo em Portugal, a mais de 4000 km de Kyiv, a Comunicação Social não está a desempenhar o seu papel da melhor maneira. Para além de se notar que as notícias da guerra nem sempre são confirmadas antes de serem divulgadas, as notícias sobre a escalada dos preços do combustível e dos alimentos estão a tornar-se sensacionalistas. E se certas manchestes são expectáveis de alguns órgãos noticiosos, há outros nos quais eu não esperava ler este alarmismo.

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Temo que este tipo de notícias provoque uma corrida desenfreada aos supermercados, acontecimento já visto anteriormente, o que conduzirá,  efectivamente, a falta de alimentos não perecíveis nas prateleiras das lojas. Até poderei concordar com o racionamento o quanto antes se isso significar que, quem tenha meios económicos, não possa  comprar toneladas de farinha, massas e conservas que depois farão falta a outras pessoas menos abonadas. Com este tipo de primeiras páginas, não demorará muito até vermos a repetição de imagens de pessoas a correrem aos supermercados. E já sabemos que esse fenómeno é uma bola de neve porque tem o efeito de levar mais pessoas a fazerem o mesmo que vêem na televisão.

Por fim, quero só reiterar que tinha o Expresso na conta de jornal sério mas, de quando em vez, sofro uma dolorosa desilusão.

 

02
Mar22

Será que estou a sofrer de FOMO*?

Charneca em flor

Os últimos dias não têm sido fáceis emocionalmente. É impossível ficar indiferente ao que se passa a Leste. Não conheço a Ucrânia mas conheço alguns países daquela zona da Europa e fico de coração partido com aquilo que as pessoas estão a passar. Os países que fazem fronteira com a Ucrânia, e que estão a receber refugiados, não são países ricos, antes pelo contrário. Como é que vão fazer frente a esta situação? Como é que vão lidar com aquela enchente de pessoas desesperadas e que saíram quase sem nada das suas casas? É de partir o coração ver a confusão das pessoas que tentam entrar nos comboios ou que chegam a pé às fronteiras, fragilizadas pela dor ou pelos anos de vida porque se vêem muitos idosos a chegar às fronteiras.

Não consigo deixar de ver notícias ou de fazer refresh no Twitter. Eu sei que é doentio. Já me aconteceu o mesmo no início da pandemia (hoje faz 2 anos que foi identificado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal). Nos primeiros meses consumia notícias a um ritmo alucinante. Eu sei que é doentio mas não consigo evitar. Tenho que fazer um esforço suplementar para me concentrar noutra coisa. 2019 parece cada vez mais distante. 

 

*Fear of missing out, medo de ficar fora dos assuntos mais actuais

26
Fev22

Mundo, um lugar estranho e triste

Guerra da Ucrânia

Charneca em flor

Afinal, a guerra avançou mesmo. Nunca imaginei que o séc. XXI  fosse palco de uma guerra na Europa. Em toda esta situação, ninguém é inocente. O primeiro culpado é Vladimir Putin mas o Ocidente também não fica bem na fotografia. Os Estados Unidos da América, por exemplo, alimentaram este conflito mas, agora, deixaram a Ucrânia completamente sozinha contra o seu vizinho beligerante.

A Ucrânia estava em fase de aproximação ao Ocidente e isso, para a Rússia, tornou-se imperdoável. Para mim, a Ucrânia tinha todo o direito de fazer as alianças que entendesse uma vez que é um país independente mas, infelizmente, a reacção russa era expectável. 

É impressionante assistir à fuga dos ucranianos para os países vizinhos*, ver a destruição das cidades ucranianas (há alvos civis atingidos) e ver aqueles que não conseguiram fugir abrigados em estações de metro e garagens.

Ainda há pouco vi o desespero de um ucraniano que vive fora do país e que foi tentar resgatar o irmão e a família para os levar para outro país mas que viu o jovem irmão impedido de sair do país. Ao abrigo da lei marcial imposta no país, o presidente impôs a mobilização militar geral impedindo a saída de todos os homens, entre os 18 e os 60 anos, de sair da Ucrânia. Se os homens se voluntariassem ainda em todo o caso, mas esta obrigação não me parece correcta. 

O presidente Volodymyr Zelensky mantém-se em Kiev, junto das tropas, apesar de os EUA lhe terem oferecido ajuda para sair do país ao que ele respondeu que precisa de munições mas não de boleia. Temo que vá acabar por ser capturado e morto.

Os outros países viram esta situação prestes a acontecer e tiveram mais que tempo para prepararem a ajuda à Ucrânia. Será que vamos assistir, em directo, ao desaparecimento de um país? E quem garante que Putin ficará por aqui?!

 

*mais de 50 mil pessoas saíram da Ucrânia em 48 horas.

17
Fev22

Tá lá? É o inimigo?

Charneca em flor

Esta situação de quase invasão da Ucrânia pela Rússia, acompanhada pelos órgãos de comunicação social, fez-me lembrar este sketch do saudoso Raul Solnado

Então Vladimir Putin ia invadir a Ucrânia quando está tanta gente a olhar? Faz algum sentido? Será que Putin não estará a fazer bluff com os países ocidentais? Ou a querer ridicularizar os serviço secretos americanos?

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