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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

24
Jun20

O homem do rosto sorridente

Charneca em flor

Nos últimos dias têm-se falado muito sobre suicídio, a reboque do falecimento do actor Pedro Lima. O suicídio sempre me fez muita confusão. E quando estas coisas acontecem, o meu primeiro pensamento é sempre o mesmo: " como é que ele/ela foi capazes de fazer isto aos filhos?".

Não sei de onde vem este meu pensamento. Não sei se tem a ver com o facto de ter perdido o meu pai muito cedo ou com o facto de ter lidado com o suicídio de uma pessoa próxima na infância. Perdi uma tia assim e nunca percebi como é que ela foi capaz de "abandonar" os filhos. Ou talvez seja por eu nunca ter tido filhos e achar que, quem teve a felicidade de os ter, tem a obrigação de lutar contra tudo e contra todos para os proteger.  

Não sei se o suicídio é sinal de fraqueza ou, pelo contrário, de coragem. Nem vou entrar nessa discussão. Já passei por imensos problemas, por inúmeras angústias e nunca me deixei cair numa situação de desespero tal que me levasse, sequer a  equacionar essa possibilidade.

No entanto, eu não sou ninguém para julgar os outros. Eu consegui sempre, até agora, dar a volta por cima mas há quem não consiga. Ninguém sabe o que é que vai encontrar ue se têm escrito por aí. O seu sofrimento já é suficiente.

Ao que tudo indica, o actor sofria de depressão e essa situação já se vinha a arrastar. Provavelmente não estaria a ser tratado. Quem o conhecia, diz que ele tinha sempre uma palavra para ajudar os outros. Mas não procurou ajuda.

A saúde mental em Portugal sempre foi descurada e agora mais do que nunca, infelizmente. Uma doença deste foro é tão, ou mais, grave que uma doença física. Só que não se vê, não se mede, só se sofre, muitas vezes em silêncio.

Estejamos mais atentos a nós próprios e aos outros.

 

 

18
Jun20

Destino: Portugal

Charneca em flor

Como seria de prever, o sector do turismo é dos mais afectados pela pandemia. Em Portugal, a crise é ainda mais gritante porque, nos últimos anos, a nossa economia assentava neste sector, principalmente. No entanto, esta crise no turismo faz-se sentir, em maior ou menor escala, em todos os países.

Já há umas semanas que tenho reparado que muitos operadores turísticos têm apelado a que se faça férias "cá dentro" porque temos que ajudar a economia  interna. Obviamente que a legitimidade deste apelo é indiscutível mas porque é que só agora é que os empresários se lembraram que os portugueses existem? Durante imenso tempo só se preocuparam em atrair o maior número de estrangeiros possível e nunca pensaram que o boom do turismo não era eterno. Os estrangeiros vão e vêm e podem deixar de vir mas os portugueses estarão sempre cá. Se calhar deveriam ter pensado melhor antes de estenderem a passadeira vermelha aos de fora e empurrar os de cá para a porta das traseiras.

Não se pense que isto é exclusivo deste nosso rectângulo. Em França, por ocasião da abertura dos museus, vi uma pessoa, não sei se seria o director, dizer que agora os parisienses teriam oportunidade de ir ao Louvre. Presumo que antes nem conseguissem chegar lá perto quanto mais entrar.

Moral da história: O melhor mesmo é chegar a um ponto de equilíbrio em que todos se sintam acolhidos seja onde fôr e seja qual fôr a origem de cada um.

 

 

 

 

 

16
Jun20

A corrida do ouro, perdão, das compras

Charneca em flor

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Eu consigo compreender a postura dos empresários e funcionários dos centros comerciais e das grandes superfícies que abriram ontem. Estiveram 3 meses sem trabalhar e isso representa um prejuízo significativo. Ontem os clientes foram recebidos com pompa e circunstância que se notavam nos balões, palmas e música que aguardavam as pessoas à porta. Só não percebo a ânsia das pessoas que foram às compras logo no primeiro dia. A mim não me apetece nada ir enfiar num centro comercial. Actualmente prefiro o comércio de rua. Já bem basta ir ao supermercado porque temos que continuar a comer. Achei graça às pessoas que responderam aos jornalistas: "Ah e tal, já estávamos há muito tempo sem sair de casa por isso viemos aqui". Se me disserem que vão à praia ou passear num jardim porque estão fartos de estar em casa ainda se compreende. Agora sair de casa para nis enfiarmos noutra "casa" só que maior e com lojas, não percebo. Mas seja como fôr, espero que tenha ido ontem a correr às "mecas" do consumo tenham realmente feito compras. A economia tem que continuar a rolar.

10
Jun20

Não sei se é assim que se mudam mentalidades

Charneca em flor

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Acabei de ouvir, na TSF, que a HBO retirou o filme "E tudo o vento levou..." do seu catálogo embora admitindo que o filme regresse depois de uma discussão sobre o seu contexto histórico e as representações racistas patentes.

O E Tudo o Vento Levou é um produto de seu tempo e descreve alguns dos preconceitos étnicos e raciais que, infelizmente, têm sido comuns na sociedade americana. Essas representações racistas estavam erradas na época e estão erradas hoje, e sentimos que manter esse título sem uma explicação e uma denúncia dessas representações seria irresponsável ”, disse um porta-voz da HBO Max à revista Variety. 

Na cidade de Bristol derrubaram uma estátua de um esclavagista e atiraram-na ao rio.

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O Mayor de Londres também admite avaliar os monumentos, as ruas e os murais existentes na cidade para perceber se há exaltação de comportamentos racistas e equacionar a possível retirada.

Como já disse aqui, esforço-me para controlar as minhas expressões e pensamentos que possam ser racistas. Tento tratar todas as pessoas, principalmente no meu contexto profissional, com o mesmo respeito e atenção.

Afirmo-me como anti-racista mas penso que não são com aquelas medidas que se mudam as mentalidades. Não é escamoteando o passado que se acaba com o racismo actual. Acredito que é mantendo a memória dos acontecimentos passados, devidamente contextualizados e explicados, que se pode modificar o presente e o passado.

Se escondermos todos os esqueletos que da humanidade e fizermos de conta que aquelas coisas nunca aconteceram, há uma elevada probabilidade de voltarem a acontecer.

07
Jun20

Manifestação em tempo de pandemia

Charneca em flor

As manifestações anti-racistas de ontem, desencadeadas pela morte de George Floyd às mãos da polícia nos Estados Unidos da América, inspiraram-me sentimentos dúbios.

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Por um lado, compreendo perfeitamente e sinto-me solidária com os protestos. Como pessoa, como cidadã e até como cristã, qualquer forma de racismo, xenofobia ou discriminação ofende-me moralmente. Obviamente que sou humana e não sou perfeita e, às vezes, também dou por mim a ter pensamentos ou utilizar expressões que até podem ser racistas ou discriminatórias. É uma luta diária contra mim mesma e contra a sociedade em que cresci. Porque, sejamos sinceros, há racismo em Portugal. Não somos o país mais racista do mundo e nem sequer na Europa mas há racismo na nossa sociedade. E há seres humanos que sofrem com isso. Não podemos permitir que isso aconteça. Todos os seres humanos têm direito à mesma dignidade. Quando nos cortamos, o nosso sangue é da mesma cor.

Por outro lado, neste contexto de pandemia, os manifestantes correram um risco apreciável de aumentar a taxa de transmissão do Sars-CoV 2. Haveria, com toda a certeza, uma maneira mais segura de se fazer um protesto destes. Nas imagens que nos chegaram pelas televisões, não foi respeitado o distanciamento social, havia pessoas com máscaras sociais, cujo nível de filtração de partículas é muito baixo, ou mesmo sem máscara. Felizmente também se viam máscaras cirúrgicas que impedem a transmissão aos outros. Veremos se estas manifestações não têm consequências graves.

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Compreendo que os empresários que ainda não podem abrir as empresas como os bares, as discotecas, os centros comerciais da região de Lisboa, os promotores dos espectáculos e todas as pessoas que trabalham nestes locais se sintam ofendidas com a grande acumulação de pessoas que se viram nas ruas das várias cidades, um pouco por todo o  mundo. 

É verdade que a ordem agora é desconfinar mas cada indivíduo deve ser responsável pela sua protecção e pela protecção dos outros. Não foi isso que se viu ontem. Eu não contesto que todos os cidadãos portugueses têm o direito a se manifestarem uma vez que vivemos numa democracia mas, eu disse neste post no blogue Liberdade aos 42, a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. É muito difícil conseguir este equilíbrio.

30
Mai20

E esse desconfinamento?

Charneca em flor

Olá, olá, vizinhos aqui do charco do .

Então, como estão a viver o desconfinamento? Já vamos para a 3a fase . Que alegria

Na minha opinião, as pessoas estão um bocadinho desconfinadas de mais. A malta levou muito à letra o "Saiam de casa. Temos que recuperar a economia". Tal como muitos exageraram no "Fiquem em casa". 

Eu vivo na região de Lisboa e Vale do Tejo que, com o fim do confinamento, se tem vindo a tornar na região mais complicada já que a grande maioria dos novos casos têm sido detectados nesta região. Obviamente que seria expectável uma vez que é a região que concentram uma elevada percentagem da população portuguesa e imigrante. Este aumento de casos tem sido justificado, maioritariamente, por surtos claramente identificados.

Acontece que quando me desloco para trabalhar vejo as pessoas muito descontraídas e já mandaram o distanciamento social às urtigas. É por isso que eu nunca fui  muito apologista da utilização das máscaras. As pessoas, como têm uma máscara já acham que estão 100% protegidos. Nem que a máscara vá no queixo, no pulso ou na mão a abanar, tipo cesto do capuchinho vermelho. Até já tenho ouvido relatos de partilha de máscaras. Não estão a ver como se processa? Imaginem 2 pessoas que querem entrar numa loja e só uma delas é que tem máscara. Essa pessoa entra, faz as compras e saí. Nessa altura empresta a máscara à outra pessoa para que possa fazer o mesmo. Boa ideia, não acham?!

Sou obrigada a concordar com a minha patroa quando diz: "A situação em Portugal não é pior porque temos tido muita sorte. Com os disparates que se têm visto."

 

07
Abr20

Nova panaceia

Novidades, todas as semana1s

Charneca em flor

A modos que é isto

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O meu blogue "factura" por causa da Covid-19. Como podem ver há 2 dias foi uma loucura de visitas que devem ter estragado o contador do Sapo. E porquê? perguntam os simpáticos leitores. Por causa desta pesquisa 

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E por causa de um malfadado post, escrito há 5 anos, sobre comprimidos para piolhos que está sempre no top das leituras. Só que desta vez, a maltinha não pesquisava uma solução para acabar com esses parasitas chatos () mas sim a cura para a Covid-19. Ao que parece, a ivermectina apresenta uma excelente capacidade de destruir o vírus in vitro mas ainda não se sabe se funciona in vivo.

No meu post não se refere a esta substância porque eu desconhecia a utilização nas infestações de piolhos à data em que escrevi o post. No entanto, e uma vez que esse post continua a ter muitos comentários ao longo do tempo, já consegui descobrir que essa molécula é utilizada no Brasil para tratamento dos piolhos e que até produzida em Portugal para ser comercializada em países africanos porque actua noutras patologias.

Sendo assim, pessoas, deixem de perguntar ao Google, qual é o preço da ivermectina em Portugal. O Google não pode saber porque esse medicamento, à data, não está aprovado para toma oral em Portugal. Vou repetir, este medicamento não é comercializado em Portugal. Escusam de tentar açambacar como tentaram fazer com o Plaquinol na semana passada.

 

 

 

 

 

27
Mar20

A perspectiva e o medo mudam tudo

Charneca em flor

O mundo está mesmo virado do avesso. Há bem pouco tempo, reclamava-se que as pessoas, principalmente as crianças e os jovens, tinham uma vida sedentária e passavam o tempo na internet nas mais variadíssimas redes sociais. Em certos países, as relações humanas já  eram predominantemente à distância de um clique em vez de serem à distância de um abraço. Agora até se estimula que se sirvam das mesmas redes sociais diabolizadas para manterem o contacto com os outros, uma vez que o contacto físico de proximidade está contra indicado. Não dá para compreender.

23
Mar20

It's the end of the world as we know it (and I feel fine) - R.E.M.

Charneca em flor

Uma música antiga mas extremamente actual

Hoje quero aproveitar o dia que costumo dedicar à música para homenagear os músicos que, impedidos de fazer concertos, têm alegrado estes dias através das redes sociais tocando ao vivo. Há quem se junte no Festival #euficoemcasa, há quem o faça individualmente e ainda quem, todas as noites, cante uma canção de embalar para dormirmos melhor apesar das vicissitudes com que nos deparamos. 

Todos fazemos falta. Agora fazem mais falta os profissionais de saúde, as forças da autoridade ou os trabalhadores dos supermercados, entre outros. Mas a cultura continua a ser preponderante para sermos uma civilização e para mantermos alguma sanidade mental apesar da loucura que nos rodeia e atinge.

O meu obrigada aos músicos porque continuam a fazer o que sabem fazer melhor.

20
Mar20

E estamos em estado de emergência

Charneca em flor

Imagino que muitos se sentirão como eu, a viver numa realidade paralela. Quando vou no carro ou em casa, até me parece que está tudo normal, que é possível planear as próximas férias ou ir almoçar fora. Ou até fazer as compras que me apetecer quando me apetecer. Só que depois percebo que não vivemos dias normais. Dou por mim a lavar as mãos até à exaustão mesmo quando as acabei de lavar e ainda não toquei em mais nada. Ou a fugir das pessoas na rua. Chego ao trabalho e tenho que atender com uma protecção entre mim e o utente. E desato a chorar de alegria e emoção porque consegui comprar mais meia dúzia de embalagens de álcool. Não, nada disto é normal. Às vezes penso que é tudo ridículo porque, afinal, ninguém vê este inimigo e eu nem conheço nenhum doente com Covid19 (felizmente). 

As pessoas que se cruzam comigo não parecem nada doentes. Porque é que tenho que ter medo delas?

Como a maioria de vocês deve saber, eu continuarei a trabalhar por inerência da minha profissão. Têm sido dias esgotantes embora a situação tenha melhorado. 

As pessoas têm sido surpreendentes mas isso nem sempre é positivo. Como falávamos lá na farmácia, ontem, as situações limites fazem sobressair aquilo que o ser humano tem de melhor mas também tudo aquilo que tem de pior. Há exemplos de atitudes louváveis de pessoas que ajudam os vizinhos idosos para que eles não saiam de casa mas o medo também provoca atitudes egoístas e irreflectidas. E têm-se visto muitas atitudes deste tipo. Na farmácia há pessoas que insistem em comprar medicamentos para 2 anos e desinfectante em tal quantidade que chegará até à próxima pandemia. No supermercado compram tudo o que podem incluindo um carregamento de papel higiénico. A sociedade está cada vez mais estranha.

Há quem acredite que disto resultará uma sociedade melhor e mais solidária. O meu pragmatismo duvida.

 

P.S - Muita coragem para os meus colegas farmacêuticos, para todos os outros profissionais de saúde, forças de autoridade, bombeiros e operadores de supermercado que têm que continuar nesta luta diária

 

 

 

 

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