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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

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27
Mai21

O bullying incendiou as redes sociais

Outra vez

Charneca em flor

Desde há 2 dias que as redes sociais e os órgãos de comunicação social divulgam um video onde se percebe uma situação de bullying.

Um grupo de adolescentes regressa a casa a pé junto a uma estrada com algum movimento. A cena começa com uma adolescente a dar um murro no ombro de um rapaz. No início até parece uma brincadeira só que o jovem agredido começa a tentar afastar-se do grupo. A miúda, instigada pelo grupo começa a andar mais depressa para o apanhar. Os miúdos atravessam a estrada, uma primeira vez, sem incidentes e a cena continua. Ouve-se alguém dizer: "ele está a chorar". Uma única pessoa diz: "parem com isso". O miúdo, quando está a ser alcançado, foge para a estrada e é atropelado.

Pelo que se sabe, o adolescente está a recuperar. Aos pais só disse que a culpa tinha sido dele porque tinha atravessado sem olhar. Só quando o vídeo surgiu é que se percebeu o que se tinha passado já que, pelo que percebi, os outros miúdos desapareceram do local rapidamente. 

O caso está a ser investigado e os pais já apresentaram queixa em tribunal. Como é habitual, as redes sociais incendiaram-se com comentários de ódio e violência contra a agressora e respectivos pais.

Bullying sempre existiu embora não se classificasse assim. Eu própria o sofri na pele. O que não havia era a partilha, quase imediata, destas cenas. Por um lado, ainda bem que estas situações vêm a público. É uma forma de acordar as consciências. Toda a sociedade, pais, professores, autoridades, governo e pessoas em geral, deveriam reflectir sobre que mundo estamos a construir. O que é que leva a que os jovens tenham necessidade de utilizar a violência como forma de afirmação? Já não estamos nos anos 80 quando eu, a "nerd" da turma, era agredida, gozada e humilhada por uma colega mais velha. Nesse tempo, éramos instigados a aprender a defendermo-nos. Comigo isso não resultou muito porque foram poucas as vezes em que consegui reagir à estupidez da minha colega.

Todos os jovens intervenientes deveriam ser analisados a nível psicológico e deveriam ter apoio para se chegar à raiz do problema. Serão os videojogos, os filmes, as séries, os youtubers? Será falta de acompanhamento familiar ou no ambiente escolar? E porque há jovens que são tão inseguros que não conseguem enfrentar os outros seja de que fôr?

Para além dos comentários de ódio que já li, também há quem desvalorize e diga que foi uma brincadeira entre miúdos que podia ter acabado muito mal. Para mim, nem a miúda é um monstro nem se trata, apenas, de uma brincadeira. Este caso, bem como outros idênticos, tem que ser valorizado e analisado pelo que é, violência gratuita. Alguma coisa tem que ser feita. Os pais e as escolas terão que trabalhar em conjunto para prevenir a escalada de violência que as interacções entre os adolescentes podem atingir.

18
Mai21

Algarve volta a ser britânico

Charneca em flor

Uma das notícias do dia de ontem foi o regresso, há muito esperado, dos turistas estrangeiros ao Algarve. O aeroporto de Faro recebeu 25 voos que transportaram 7000 passageiros, 5500 dos quais britânicos, mas muitos mais são esperados até ao final da semana. A Região de Turismo do Algarve organizou um "comité de boas-vindas" oferecendo, a cada passageiro, um kit com 2 máscaras, álcool gel e guias da região. Os jornalistas nacionais também "acamparam" no aeroporto de Faro para acompanhar a tão ansiada chegada dos turistas e aumentar a comitiva de recepção aos turistas.

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Imagem daqui

As imagens televisivas, o som das reportagens da rádio e as notícias dos jornais online só me inspiraram este comentário, "Para que é este exagero?!". Atenção, eu compreendo que os empresários e trabalhadores do sector turístico estejam muito satisfeitos com o facto de Portugal estar na lista dos países para os quais é seguro viajar. Este sector estava estrangulado, como é óbvio, mas o ano que passou devia ter ensinado que a economia não devia estar só assente no turismo e, principalmente, devia-se estimular o turismo interno. Pelo que sei, os preços praticados pela hotelaria não estão muito apetecíveis para o bolso português. Já devíamos ter aprendido que não se pode estar sempre à espera do que vem de fora. E, quanto a mim, esta subserviência era desnecessária. É que só faltou a Banda Filarmónica!!!

 

 

03
Abr21

Novas formas de fazer conversa

Charneca em flor

Provavelmente, só reparei nesta alteração na forma de "fazer conversa" porque trabalho na área da saúde. Digam-me se também acontece convosco. Tenho reparado que, nos últimos meses, passámos de:

"Olá, tudo bem? E, lá em casa, tudo bem? Ainda trabalhax no sítio X? Corre tudo bem?"

Para

"Então já tomaste a vacina? Foi a da AstraZeneca? E tiveste sintomas ou passaste bem?"

Se calhar, isto só acontece lá na farmácia porque os farmacêuticos, tal como outros funcionários das farmácias, estão incluídos nos grupos prioritários a vacinar assim como outros técnicos de saúde e os professores. Como temos alguns utentes que fazem parte destes grupos profissionais, estas conversas têm-se repetido.

Ou então somos nós que perguntamos aos nossos idosos:

"Então, Sr. Y/ Sr. Z, já foi chamado/a para a vacina?"

Digam lá, também acontece o mesmo no vosso ambiente?

20
Mar21

Vacina AstraZeneca, sim ou não?

Charneca em flor

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Imagem daqui

Eu bem queria falar de outros temas mas é incontornável. Voltemos a falar de pandemia, desta feita a propósito da balbúrdia das vacinas AstraZeneca.

No meu quotidiano na farmácia tenho reparado que perguntar: "Então já foi vacinada?" se tornou no novo "Olá, tudo bem?". Ou sou eu que pergunto aos meus velhotes se já foram chamados para a vacinação ou então são os utentes que perguntam à equipa se já foi vacinada. Na verdade, tenho 3 colegas que já tomaram a 1a dose e tomarão a próxima no fim de Maio/início de Junho.

A semana foi marcada pela suspensão temporária, e já revertida, da vacinação com a vacina do laboratório AstraZeneca. Esta tomada de posição deveu-se à ocorrência de algumas situações de formação de coágulos sanguíneos em pessoas inoculadas com esta vacina. Embora a percentagem de ocorrências fosse muito baixa manda o princípio da precaução, como disse a nossa Directora Geral da Saúde, que se suspendesse este instrumento terapêutico enquanto se procedia à avaliação do risco.

Portugal, como é habitual, só tomou esta posição depois da maioria dos outros países o terem feito. Curioso é reparar que nalguns países foram os responsáveis políticos que o anunciaram mas em Portugal foram os responsáveis técnicos, bem como o coordenador da vacinação, que o fizeram. A conferência de imprensa em que tal aconteceu foi das mais trapalhonas que já se viu. Atenção que eu não critico por criticar e até defendo o mais possível aqueles que tiveram que tomar decisões impopulares e difíceis no último ano. Penso que não se devia ter sujeitado a Dra Graça Freitas nem o Dr. Rui Ivo, do INFARMED, àquele papel. Acredito que a decisão de suspensão foi mais política do que científica.

A Agência Europeia do Medicamento acabou por decidir pela segurança da vacina já que não se conseguiu provar a relação entre os coágulos e a vacina, embora se tenha alterado a informação relativa a potenciais efeitos secundários. 

Quanto a mim, esta situação era desnecessária e só serviu para potenciar as posições negacionistas e anti-vacinas bem como a confiança do público em geral. Já há pessoas a dizerem que não querem ser vacinadas com esta opção mas não se pode escolher a vacina que queremos tomar. Se estão disponíveis é porque são, igualmente, seguras. Quem for chamado para a vacinação, e recusar por este motivo, passará para o fim da lista ou poderá, mesmo, ficar impedido de se imunizar.

No que diz respeito aos coágulos, corre-se um risco ao tomar a pílula contraceptiva e não é por isso que se deixa de a tomar.

Todas as ferramentas terapêuticas disponíveis têm riscos e benefícios que é preciso colocar na balança. Se os benefícios superam os riscos, só há uma opção. Vacinem-se assim que puderem.

12
Mar21

Nova Conselheira de Estado

Charneca em flor

Depois de tomar posse no passado dia 9, o Presidente da República reconduziu 4 dos Conselheiros de Estadodos cinco que a ele cabe nomear. Um dos lugares encontrava-se vago desde o falecimento do intelectual/filósofo Eduardo Lourenço. Para o ocupar, o Presidente escolheu a escritora Lídia Jorge. 

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Imagem daqui

Considero uma excelente escolha mas continua a haver pouca representatividade da sociedade uma vez que só há 3 mulheres no Conselho de Estado. Para além da recém-nomeada, têm assento neste Conselho, a Provedora da Justiça, por inerência, e Leonor Beleza, também por nomeação do Presidente da República.

O Conselho de Ministro é o "Órgão consultivo de parecer obrigatório mas não vinculativo sobre algumas decisões do Presidente da República". Ou seja, as 19 pessoas que constituem o Conselho de Estado têm como função aconselhar o Presidente nalgumas das decisões que ele tem que tomar. A ideia é fornecer visões diversificadas sobre um determinado assunto. Sendo assim, como já disse, há um deficit de representatividade não só por as mulheres serem, apenas, 3 mas também porque seria interessante consultar várias gerações. Ora não há Conselheiros de idades mais jovens. O Conselheiro mais novo é o Presidente da Região Autónoma dos Açores, José Manuel Boieiro, que tem 55 anos e o mais velho é o antigo Presidente da República, General Ramalho Eanes.

Seja como fôr, é de louvar ter sido escolhida uma mulher, não só pelo seu género, mas também pelo seu talento literário mas também pelas suas qualidades intelectuais e pela sua intervenção cívica na sociedade sempre com o seu ar doce e sereno. Que seja uma excelente adição ao Conselho de Estado.

02
Mar21

O ano mais estranho das nossas vidas

Charneca em flor

Embora tenha sido identificado no dia anterior, faz hoje 1 ano que foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 em Portugal. Até agora já foram confirmados 804 686 casos e já faleceram, desta patologia, 16 351 pessoas. Ao longo destes 365 dias, fomos acompanhando, através da comunicação social, a evolução da doença no nosso país e no mundo.

O país foi sujeito a um primeiro confinamento cerca de 20 dias depois do primeiro caso identificado e durou perto de 1 mês e meio. Para quem se manteve sempre a trabalhar como eu, esses dias foram muitos estranhos com as ruas, efectivamente, vazias, a estrada sem carros, as filas para entrar no supermercado. Bem vistas as coisas, foi assustador porque estava-se perante o desconhecido.

No princípio da pandemia, o nosso país foi considerado um dos melhores a controlar a transmissão mas isso também se alterou. Já este ano, e durante várias semanas, fomos o país da União Europeia onde a doença esteve mais descontrolada.

Muito mudou e evoluiu ao longo destes 12 meses. No princípio, apenas algumas pessoas usavam máscara e, actualmente, o seu uso é obrigatório na maioria das situações. Às vezes dou por mim a olhar em volta, vejo todas as pessoas de máscara, penso que estamos a ser ridículos e que ficámos todos doidos. O que nos deu para andarmos de máscara? Mas, depois lembro-me que estamos a viver uma pandemia provocada por um vírus extremamente contagioso. A desinfecção das mãos entrou nas nossas rotinas. 

A Covid-19 andou mais perto de uns do que de outros. Aliás, eu senti-o na pele, felizmente, de forma leve mas com grande preocupação no início. 

No início deste ano entraram-nos imagens inacreditáveis pela casa dentro. Filas de ambulâncias durante horas à porta dos hospitais que estiveram muito perto da ruptura completa. Os funerais, de doentes covid e não covid, aconteciam muitos dias depois das pessoas falecerem prolongando o sofrimento das famílias. Foi duro, muito duro. Voltámos ao confinamento mas com aspecto completamente diferente do primeiro. As pessoas já não estão a levar o confinamento com muito rigor. Fala-se de cansaço pandémico. Seja como fôr, a situação parece quase controlada.

No entanto, acenderam-se várias luzes ao fundo do túnel. Poucos acreditavam ser possível mas, em tempo recorde, surgiram várias vacinas que já começaram a ser administradas. Infelizmente, as empresas farmacêuticas têm falhado nos prazos de entrega e, em Portugal, ainda há poucas pessoas inoculadas. A imunidade de grupo está muito distante. 

Não sabemos o que o futuro, e as novas estirpes, nos reservam. Uma coisa parece certa, a própria OMS o afirmou, a pandemia não se vai resolver, na totalidade, em 2021. 

Só nos resta aguardar e aprendermos a viver com este vírus. Eu tenho muito receio de que o novo normal passe a ser só normal.

 

E era assim que eu pensava em Janeiro de 2020

26
Fev21

Padrão ao chão

Charneca em flor

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Imagem daqui

Já não é a primeira vez que este assunto vem à baila. Até já o mencionei aqui. Voltou a surgir uma polémica que envolve derrubar monumentos. Desta feita, o Padrão dos Descobrimentos. O deputado socialista Ascenso Simões escreveu um artigo de opinião onde designa o monumento que existe em Belém de mamarracho e sugere-se que seja derrubado porque, tal como os florões da Praça do Império, diz ele que:

"não têm qualquer sentido no tempo de hoje por não serem elemento arquitetónico relevante, por não caberem na construção de uma cidade que se quer inovadora e aberta a todas as sociedades e origens"

Alega o deputado que, como o monumento foi construído durante o Estado Novo, prova que o "salazarismo não morreu".

Ora vamos lá a ver. Se desaparecerem todas os monumentos/provas da existência do Estado Novo, da Guerra Colonial, dos Descobrimentos e consequente erros que os portugueses terão cometido ou do papel de Portugal na escravatura, qual será a consequência? Alguém acredita que se a simbologia do colonialismo desaparecer, o racismo desaparecerá por magia? O fascismo e a extrema-direita vão desaparecer se se apagar o Estado Novo da nossa História?

Não será melhor manter toda esta simbologia e contextualizá-la? Não adianta querer apagar a História. Só podemos alterar o futuro. Temos o poder de construir um futuro melhor mas nunca teremos o poder de apagar o passado. E nem acho que se deva fazê-lo. Já repeti isto muitas vezes, é preciso conhecer o passado, perceber aquilo que se poderia ter feito diferente para que os erros da humanidade, seja a deste retângulo ou do resto do mundo  não se voltem a repetir.

E até nem desgosto do Padrão dos Descobrimentos.

E já pensaram o que seria se, depois da Revolução dos Cravos, em vez de se ter mudado o nome de Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril, alguém se tivesse lembrado de a derrubar? Afinal, também é um símbolo do salazarismo.

 

P.S. - Espero que o senhor deputado Ascenso Simões tenha falado de derrubar o Padrão dos Descobrimentos em sentido figurado.

06
Fev21

Trapalhada à portuguesa

Charneca em flor

Na semana que passou verificou-se uma descida no número de novos casos positivos embora o número de mortos se mantenha, mais ou menos, no mesmo nível elevado bem como os doentes em cuidados intensivos. Felizmente deixamos de ver as imensas filas de ambulâncias à porta dos hospitais.

A trapalhada, agora, é outra. O problema de falta de organização centra-se na vacinação. Eu sei que, nos outros países da UE, também há problemas mas com o mal dos outros...

Os laboratórios farmacêuticos comprometeram-se, na negociação com a UE, com um nível de fornecimento que não estão cumprir e, como é óbvio, o nosso país é afectado por isso. O plano de vacinação elaborado já sofreu uma série de alterações. Já ouvi relatos de profissionais de saúde convocados para a vacinação que, confirmada a presença, faltam à própria da hora, sem justificação, originando as tais sobras. A Comunicação Social descobriu várias situações de vacinação de pessoas que conseguiram fintar a prioridade para serem vacinadas em primeiro lugar. Felizmente, que o número destas ocorrências é reduzido mas dá uma péssima imagem do Plano de Vacinação. Por um lado, parece que as normas são abrangentes demais permitindo incluir, na vacinação dos lares por exemplo, pessoas com cargos directivos que não contactam com os idosos. Por outro lado, parece que há instituições que pedem mais doses do que as que necessitam originando as tais "sobras" e ninguém parece controlar isso. Quando se investiga, pune-se o denunciante em vez do prevaricador como aconteceu com o farmacêutico que trabalhava no INEM do norte que foi afastado.

A notícia de hoje é que as seringas de 1 ml, mais adequadas para a vacina, podem começar a escassear. Mas há quanto tempo é que se sabe que estas seringas seriam necessárias? É verdade que, antes, não eram muito utilizadas logo havia pouca produção mas, se calhar, já se podia ter articulado um aumento da produção com as empresas fabricantes destes artigos. É claro que se pode utilizar seringas maiores mas é uma regra básica da medição, pequenos volumes devem-se medir com o instrumento mais pequeno possível de modo a diminuir a probabilidade de erro.

Enfim, não estou a ver que se consiga obter a tal imunidade de grupo que almeja. É que acontece uma trapalhada qualquer, todas as semanas.

25
Jan21

Inacreditável mas previsível

Charneca em flor

Ontem só me consegui deitar quando já faltavam poucos concelhos para apurar. Estive à espera para ter a certeza que Ana Gomes ultrapassava André Ventura o que, de facto, aconteceu. No entanto, o 3o lugar daquele candidato não me deixa nada sossegada. Não consigo acreditar que quase 500 mil portugueses votaram em André Ventura. Dói-me verificar que, quer no concelho onde trabalho quer no concelho em que vivo, o candidato de extrema-direita ficou em 2o lugar. Como é que é possível que as pessoas não consigam ver o risco que se está a correr?! Eu percebo que as pessoas se sintam insatisfeitas com o estado do país, da Europa e do Mundo. Foi em épocas assim que estas teorias avançaram, no passado. Mas têm mesmo a certeza que querem viver num país comandado pelos princípios do Chega?

Larguem as redes sociais e leiam livros de história, procurem informação em fontes fidedignas, percebam o mundo onde vivem e como é que chegámos a este ponto. E percebam quais são os meios de comunicação social verdadeiramente independentes porque a Comunicação Social também deve assumir a sua quota-parte de responsabilidade no surgimento deste tipo de forças. Ponham a mão na consciência e descubram qual é o caminho que querem trilhar.

22
Jan21

Uma caixa de pastilhas na campanha eleitoral

Charneca em flor

Ontem as televisões mostraram imagens de uma manifestação violenta, com arremesso de objectos, junto a uma iniciativa de campanha do candidato André Ventura.

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Assim não vamos lá. Para "derrotar" as ideias xenófobas, racistas e retrógradas deste indivíduo é preciso mais inteligência do que actos violentos. Uma vez que a sua candidatura foi considerada válida, o candidato tem todo o direito de fazer campanha até porque o estado de emergência não impede actos políticos. A democracia não está suspensa.

Podemos questionar como é que o regime democrático permitiu o surgimento destes fenómenos de extrema-direita. Aonde errámos como sociedade para que estas pessoas aparecessem no panorama político? É importante confrontar os adeptos deste senhor com ideias e não com pedras.

Há mesmo quem acredite que André Ventura é anti-sistema?! Ainda há poucos anos ele foi candidato autárquico pelo PSD. Não, André Ventura não é anti-sistema. Ele, apenas, deu mediatismo à "conversa de café". Aliás, nos debates percebeu-se que ele não é capaz de discutir uma ideia que seja. Limitou-se a falar mais alto do que os outros candidatos.

Estes actos violentos, bem como as piadas dos humoristas, só vão servir os objectivos deste indivíduo. Ele, e os seus seguidores, vão-se vitimizar. E isso até pode funcionar a seu favor.

Os leitores mais novos não se devem recordar da famosa paulada da Marinha Grande a Mário Soares. Decorria a campanha para a primeira volta das eleições presidenciais de 1986. A Marinha Grande era hostil a Mário Soares mas o candidato insistiu em lá ir. Era esperado por um grupo de oponentes e gerou-se uma situação de violência tendo o candidato levado bofetadas e pauladas. Antes deste incidente as sondagens não eram favoráveis a Mário Soares mas, depois do sucedido, o candidato usou esta situação a seu favor levando-o a conseguir levar as eleições para uma 2a volta que acabou por vencer.

Por fim, só quero dizer que se querem votar como forma de protesto, votem antes no Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans. Votar em André Ventura como protesto é muito arriscado. Depois não se venham lamentar.

Não estou a comparar estes dois políticos que isso até é ofensivo para Mário Soares. Só quero dizer que estes actos violentos podem ser contraproducentes e levar a resultados contrários ao que se pretende.

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