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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

06
Abr19

Decisões difíceis

Charneca em flor

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Já tenho abordado por aqui as relações, mais ou menos próximas, com as colegas de trabalho. Esta semana passámos por uma situação muito delicada exactamente porque a linha entre a relação de trabalho e de amizade é muito ténue. Para além da nossa equipa, existem outros profissionais de saúde que colaboram connosco de forma regular. Num desses casos, apesar de todas gostarmos muito da pessoa em questão, as suas funções não estavam a correr tão bem como seria de desejar. Já há uns meses que se foi tentando dar dicas para que a pessoa melhorasse o seu desempenho. Não se observaram grandes progressos. A solução que se vislumbrava era a mais difícil, substituir a pessoa. Isso foi oficializado esta semana. Foi duro e a minha directora técnica ficou de rastos. Felizmente que a gestão da farmácia não é da minha responsabilidade. Não sei se seria capaz de deixar de pensar com o coração para pensar com a cabeça.

26
Mar19

Problemas de casa no trabalho

Charneca em flor

Como já tenho dito, a relação entre colegas no meu trabalho é, por vezes, demasiado próxima. Uma das minhas colegas tem tido alguns problemas familiares e isso reflecte-se no desempenho. Passa a vida ao telefone a ponto de já ter sido chamada à atenção pela patroazinha. É complicado fazer horário com ela porque, de vez em quando, desaparece. Tenho muita pena e compaixão pela situação que ela está a passar mas a verdade é que já estamos todas a ficar desgastadas, também. Até porque ela está, todo o santo dia, a falar sobre o assunto. Ainda bem que ela vai tirar uns dias de férias. 

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No entanto, fico a pensar se, quando fui eu que atravessei períodos complicados na vida, também fui assim tão cansativa.

E vocês, levam a vida pessoal para o trabalho ou vice versa? Ou conseguem desligar?!

16
Mar19

Diário da Gratidão #75

Charneca em flor

Hoje tive convidados para o almoço. Eu tratei das entradas e do prato principal e eles trouxeram a sobremesa (podem vê-la no Instagram). Fico sempre insegura quando tenho que fazer comida para outras pessoas para além das pessoas cá de casa. Felizmente correu tudo bem que até me esqueci de registar as minhas iguarias. E acho que isso é um bom sinal. É sinal de que estava tudo muito bom.

 

24
Jan19

Colegas de trabalho ou amigas

Charneca em flor

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Quando li esta entrevista da Joana, houve uma pergunta, e consequente resposta, que me chamou a atenção e que me fez pensar. A dada altura a querida Joana diz o seguinte:

"Para mim era mais do que normal estar a trabalhar e não sentir qualquer necessidade de fazer amigos. Na minha cabeça sempre esteve muito bem definido a diferença entre trabalho e amizade. É óbvio que se pode juntar mas não tem de acontecer porque são coisas diferentes."

Comparei a atitude da Joana em ambiente de trabalho com a minha postura. Trabalho quase há 20 anos no mesmo local. Alguns dos colegas foram mudando mas o núcleo principal foi-se mantendo. Com tantos anos e passando mais horas com as colegas do que com a família (descontando as horas que estamos a dormir) foi inevitável que se fosse construindo uma relação de amizade, quase de família. Muitas vezes cai-se num excesso de confiança. Com tudo o que isso tem de bom e de mau. 

Falando por mim, eu só me sei dedicar a 100% às pessoas e penso sempre o melhor de cada um até que me provem o contrário. Quando os dias não correm de feição e os conflitos se acumulam começo a pensar em qual é a atitude mais saudável. Surgem dúvidas na minha cabeça e penso que, se calhar, a Joana é que tem razão. As relações de trabalho e de amizade não se deviam confundir. 

28
Jan18

Foto da Semana #4

Charneca em flor

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Escolhi esta farmacêutica pitoresca como foto da semana porque representa um dos momentos mais emotivos dos últimos 7 dias. Foi com esta lembrança que nos despedimos de uma das nossas colegas mais jovens. Ela decidiu deixar-nos para completar o seu doutoramento. Os seus sonhos não passam pela farmácia comunitária por isso decidiu seguir o seu caminho. A A. trabalhava em part-time exactamente por causa do doutoramento e nos últimos meses tornara-se complicado conciliar as 2 coisas. A sua saída inspirou-nos sentimentos dúbios. Por um lado sabemos que ela seguiu o caminho que escolheu e que a fará mais feliz mas por outro lado sentiremos a sua falta. Nós e os nossos utentes que gostavam muito dela. É uma jovem muito doce e tinha muito jeito para lidar com os utentes. Veio trabalhar connosco numa altura muito crítica quando a outra colega se foi embora em poucos dias. Foi a nossa salvação. A A. cresceu muito nestes anos, quer como pessoa quer como profissional. É uma pessoa muito humana e empática. Essas características fazem muita falta nesta sociedade cada vez mais egoísta. Desejo-lhe um futuro muito risonho e feliz. Ontem despedimo-nos, não com um "adeus" mas com um "até já". Ela fará sempre parte desta "família" que nós, no fundo, formamos lá na farmácia.

 

08
Set17

Felicidades para ti, R.

Charneca em flor

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Hoje casa uma pessoa que foi uma das minhas amigas mais próximas. Por motivos que eu não consigo explicar, afastamo-nos. Como tal não fui convidada. E tenho pena. Assumo que pouco fiz para evitar esse afastamento. Não lhe telefono há muito tempo mas cheguei a enviar sms's no Natal ou no aniversário que ficaram sem resposta. Se formos a ver, a amizade é uma estrada com 2 sentidos e não uma via de sentido único. Na verdade, nenhuma de nós se tem metido à estrada. Numa das últimas vezes que nos vimos (na maternidade de visita a uma outra amiga em comum que tinha sido mãe) eu fiquei muito contente de a encontrar e ela tratou-me com frieza. Possivelmente, tanto eu como ela mudámos, em direcções opostas e talvez a nossa amizade já não fizesse sentido hoje. Mas mesmo assim gostava de a acompanhar neste dia tão especial, em nome de tudo aquilo que vivemos juntas, das lágrimas e dos sorrisos que partilhámos. Ela assim não entendeu. Acompanho-a na mesma, em espírito. Que sejas muito feliz, R.

18
Mai17

Levei a minha mãe ao sushi

Charneca em flor

Ontem a minha mãe foi almoçar comigo. Eu achei que tinha piada levá-la a um Sushi-bar. Bom, na verdade, eu chamaria-lhe um restaurante asiático porque acaba por ter sushi e comida chinesa. O serviço é buffet à la carte. Comida chinesa ela já tinha comido mas sushi não. Foi uma risota, pelo menos para mim. Quando provou uma das peças de sushi fez uma cara deste género 

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E comenta: "sabe a lodo."

A lodo?! Será que a minha mãe já provou lodo?

Lá foi comendo e eu tentei escolher pratos que não tivessem algas partindo que era isso que sabia a lodo. No fim lá foi dizendo: "afinal não é assim tão mau". Para a próxima, fica fã. Obviamente que pedi alguns pratos de comida chinesa para que ela não ficasse cheia de fome.

O almoço de ontem fez-me lembrar a primeira vez que experimentei. Fui com uma amiga que nunca tinha comido mas que queria experimentar porque era chique gostar de sushi. Já lá vão 10 anos. Fomos com umas amigas dela que eu não conhecia e uma delas já era habitué. Não me lembro do restaurante mas parece- me que era perto do El Corte Ingles. Eu adorei logo da primeira vez e a minha amiga (aquela que queria gostar porque era chique) detestou, com grande pena dela. Eu fartei-me de rir porque não tenho paciência para estas manias de termos todos que gostar das mesmas coisas.

 

 

04
Out16

Com lentes cor de rosa

Charneca em flor

Aqui há dias um antigo colega da escola publicou 2 fotografias da nossa turma do 9º ano. Foi muito giro e emocionante descobrir aquelas imagens com quase 28 anos. Nem me lembrava que existiam nem tão pouco me recordava daquela ocasião ter acontecido. Alguns colegas já nem sei como se chamam e da professora também não me lembro do nome. Lembro-me bem dela já que foi minha professora em 2 anos seguidos, lembro-me da interacção com ela, lembro de que tipo de pessoa era, lembro de ir jantar à casa dela com outros colegas, lembro-me de tudo mas o nome está escondido nos recantos da minha memória. No entanto, a alcunha dela é inesquecível "A sargento". Impressionantes as partidas que a memória nos prega. O nono foi um ano lectivo muito particular. Foi o pior ano da minha vida porque perdi o meu pai logo na primeira semana (dia 9 completam-se 28 anos sobre esse acontecimento marcante e preponderante). A revolta que senti, a pergunta "porquê a mim?" repetida tantas vezes, somada à adolescência tornaram esse ano muito negro. Ainda por cima a turma era nova, tinha deixado as minhas melhores amigas dos anos anteriores. Valeu-me, apesar de tudo, o poder das novas amizades, principalmente a de uma outra rapariga que perdera a mãe uns anos antes. Essa pessoa faz parte da minha vida até hoje mesmo que, agora, nos encontremos muito pouco. Também foi no nono que eu aprendi a ser mais humilde. Até essa altura estava convencida que era muito boa aluna, a melhor. E fui nas turmas anteriores mas esta turma era muito mais equilibrada e havia outro aluno melhor do que eu. Foi o meu maior rival. Enquanto encarei os testes com esse sentimento de rivalidade, os resultados nem sempre foram os que eu queria. A dada altura aceitei a realidade e comecei a estudar para dar o meu melhor. Assim correu tudo de maneira diferente. Umas vezes o melhor era ele, outras vezes era eu.

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Aquela publicação trouxe-me inúmeras recordações. Fui ler o meu antigo diário, lembrei-me das paixões "assolapadas" e platónicas dessa altura, lembrei-me dos sonhos e da ingenuidade com que eu olhava a vida... com lentes cor de rosa. Porque, apesar da morte do meu pai, eu continuei a ter uma visão cor de rosa do mundo. A publicação do PF fez-me olhar para dentro e perguntar-me onde está essa miúda sonhadora e ingénua. Ainda faz parte de mim? Ainda a guardo cá dentro ou perdi-a pelo caminho?

22
Fev16

Adeus, Dona P.

Charneca em flor

 Uma das piores consequências do passar dos anos é que vamos vendo partir pessoas que fazem parte das nossas memórias. Foi o que aconteceu ontem. Recebi a notícia da morte da mãe de uma das minhas amigas da faculdade. Uma mulher divertida e cheia de vida é a imagem que eu guardo dela. Muitas vezes me recebeu na sua casa já que ficava lá, algumas vezes, quando dormia em Lisboa. E recebia-me sempre, a mim e às outras colegas do grupo, com muita alegria. A sua gargalhada é inesquecível. Fazia um casal giríssimo com o pai da minha amiga, ela muito faladora e animada e ele sempre muito calmo e tranquilo. Como havia outra colega com o mesmo nome que eu, ela chamava-me "a S. das belas pernas" (há 20 anos era verdade!) porque eu usava muitas saias curtas. 

Depois de terminarmos a faculdade, ainda nos fomos cruzando, nos casamentos, baptizados e aniversários. Era possível ficar séria ao pé dela, era a alma da festa e da brincadeira. A bebida preferida da Dona P. era um bom e fresco vinho branco que ela bebia sempre. Nessas alturas, quando o  vinho branco passava um bocadinho da conta, dizia outra frase muito típica: "Nunca viste uma preta bêbeda, pois não?" só para provocar as nossas gargalhadas. 

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A Dona P. partiu mas eu ergo um copo de vinho branco bem gelado em honra dela. A melhor maneira de a homenagear é com alegria e não com lágrimas. Um dia, ainda vou conhecer a sua terra, São Tomé e Princípe.

Espero que Deus a tenha recebido de braços abertos e que, neste momento, a Dona P. tenha posto o paraíso a rir à gargalhada.

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