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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

28
Jun20

Concierto para el bioceno

Charneca em flor

A Ópera de Barcelona reabriu, no passado dia 22 de Junho, para o primeiro concerto depois do levantamento do estado de emergência em Espanha. No entanto, o concerto teve uma audiência muito especial, 2300 plantas de interior.

Segundo o produtor-executivo, Eugenio Ampudio, este insólito concerto “Reflete o absurdo da condição humana nesta era, que privou as pessoas da sua posição de espetadores. A natureza avançou para ocupar os espaços que tínhamos como garantidos (...) Mas, para ampliar a nossa empatia com o mundo que nos rodeia, abrimos as portas deste grande teatro, convidando a natureza a entrar"

A peça executada pelo quarteto de cordas foi "Chrysanthemum" de Puccini. A escolha deveu-se ao tom triste da peça em questão. Também não deve ser alheio o facto de ter o nome de uma flor, Crisântemo. Em Portugal, esta flor é utilizada para honrar a memória dos falecidos na altura do Dia de Finados. 

Depois do concerto, as plantas foram doadas a profissionais de saúde que estiveram na linha da frente do combate ao coronavírus. E devem ter chegado bem viçosas porque parece que as plantas gostam de música.

07
Jun20

Manifestação em tempo de pandemia

Charneca em flor

As manifestações anti-racistas de ontem, desencadeadas pela morte de George Floyd às mãos da polícia nos Estados Unidos da América, inspiraram-me sentimentos dúbios.

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Por um lado, compreendo perfeitamente e sinto-me solidária com os protestos. Como pessoa, como cidadã e até como cristã, qualquer forma de racismo, xenofobia ou discriminação ofende-me moralmente. Obviamente que sou humana e não sou perfeita e, às vezes, também dou por mim a ter pensamentos ou utilizar expressões que até podem ser racistas ou discriminatórias. É uma luta diária contra mim mesma e contra a sociedade em que cresci. Porque, sejamos sinceros, há racismo em Portugal. Não somos o país mais racista do mundo e nem sequer na Europa mas há racismo na nossa sociedade. E há seres humanos que sofrem com isso. Não podemos permitir que isso aconteça. Todos os seres humanos têm direito à mesma dignidade. Quando nos cortamos, o nosso sangue é da mesma cor.

Por outro lado, neste contexto de pandemia, os manifestantes correram um risco apreciável de aumentar a taxa de transmissão do Sars-CoV 2. Haveria, com toda a certeza, uma maneira mais segura de se fazer um protesto destes. Nas imagens que nos chegaram pelas televisões, não foi respeitado o distanciamento social, havia pessoas com máscaras sociais, cujo nível de filtração de partículas é muito baixo, ou mesmo sem máscara. Felizmente também se viam máscaras cirúrgicas que impedem a transmissão aos outros. Veremos se estas manifestações não têm consequências graves.

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Compreendo que os empresários que ainda não podem abrir as empresas como os bares, as discotecas, os centros comerciais da região de Lisboa, os promotores dos espectáculos e todas as pessoas que trabalham nestes locais se sintam ofendidas com a grande acumulação de pessoas que se viram nas ruas das várias cidades, um pouco por todo o  mundo. 

É verdade que a ordem agora é desconfinar mas cada indivíduo deve ser responsável pela sua protecção e pela protecção dos outros. Não foi isso que se viu ontem. Eu não contesto que todos os cidadãos portugueses têm o direito a se manifestarem uma vez que vivemos numa democracia mas, eu disse neste post no blogue Liberdade aos 42, a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. É muito difícil conseguir este equilíbrio.

30
Mai20

E esse desconfinamento?

Charneca em flor

Olá, olá, vizinhos aqui do charco do .

Então, como estão a viver o desconfinamento? Já vamos para a 3a fase . Que alegria

Na minha opinião, as pessoas estão um bocadinho desconfinadas de mais. A malta levou muito à letra o "Saiam de casa. Temos que recuperar a economia". Tal como muitos exageraram no "Fiquem em casa". 

Eu vivo na região de Lisboa e Vale do Tejo que, com o fim do confinamento, se tem vindo a tornar na região mais complicada já que a grande maioria dos novos casos têm sido detectados nesta região. Obviamente que seria expectável uma vez que é a região que concentram uma elevada percentagem da população portuguesa e imigrante. Este aumento de casos tem sido justificado, maioritariamente, por surtos claramente identificados.

Acontece que quando me desloco para trabalhar vejo as pessoas muito descontraídas e já mandaram o distanciamento social às urtigas. É por isso que eu nunca fui  muito apologista da utilização das máscaras. As pessoas, como têm uma máscara já acham que estão 100% protegidos. Nem que a máscara vá no queixo, no pulso ou na mão a abanar, tipo cesto do capuchinho vermelho. Até já tenho ouvido relatos de partilha de máscaras. Não estão a ver como se processa? Imaginem 2 pessoas que querem entrar numa loja e só uma delas é que tem máscara. Essa pessoa entra, faz as compras e saí. Nessa altura empresta a máscara à outra pessoa para que possa fazer o mesmo. Boa ideia, não acham?!

Sou obrigada a concordar com a minha patroa quando diz: "A situação em Portugal não é pior porque temos tido muita sorte. Com os disparates que se têm visto."

 

12
Mai20

Não sei quem é esta pessoa

Charneca em flor

Há uma interrogação que me tem atormentado nos últimos dias. Que pessoa me estou a tornar com esta pandemia? Dou por mim a julgar as pessoas que vejo a rua. Ou porque são idosas e estão na rua, aparentemente sem nada de urgente para fazer. Ou porque não têm máscara ou está mal colocada. 

No supermercado, faço cara feia (é mais olhar matador porque só se vêem os olhos) a quem se aproxima demasiado.

No meu local de trabalho, em vez do meu habitual sorriso, agora escondido pela máscara, e natural simpatia, passo o tempo a "ralhar":

- Respeite a distância

- Não ponha os seus objectos em cima do balcão 

- Não, não pode ir ver isso que está no expositor 

- Espere na zona marcada

- Não pode estar à frente da porta

- Tem que esperar na rua 

- A máscara tem que tapar o nariz

- Não pode estar no interior da farmácia sem máscara 

- a máscara, a máscara, a máscara...

Basicamente estou a tornar-me numa vigilante chata e irritante. Não conheço esta pessoa em que me estou a tornar e também não simpatizo nada com ela.

11
Mai20

Tempestade, Pedro Abrunhosa com Carolina Deslandes

Charneca em flor

Os criadores, seja de arte, música ou literatura, são, obviamente, influenciados por tudo aquilo que se passa à sua volta. Já em 2017, Pedro Abrunhosa nos brindou com uma tocante canção inspirada pela tragédia dos incêndios. Agora foi a experiência de confinamento, as cidades vazias, o distanciamento que inspiraram esta maravilhosa "Tempestade"

Boa semana e coragem.

 

06
Mai20

A saga das máscaras

Charneca em flor

Não é nada que me surpreenda mas esta semana começou a verdadeira saga das máscaras. 

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Tenho visto isto tudo e mais os casos em que a máscara anda no bolso ou na mala. E ainda as pessoas que puxam a máscara para baixo ou para cima quando precisam de falar mexendo na parte da frente da máscara. Para além, distanciamento social quase que deixou de fazer parte dos cuidados porque as pessoas se sentem completamente seguras já que estão com máscara. Continuam a pôr todos os objectos que possam imaginar em cima do balcão como por exemplo, a carteira, o telemóvel, o cartão multibanco e mesmo os óculos.

Como diz a minha patroa, não se percebe como é que a situação Covid-19 não tem sido mais dramática. Veremos a evolução.

 

 

01
Mai20

Dia Internacional do Trabalhador

Em confinamento

Charneca em flor

Hoje assinala-se o Dia do Trabalhador. Será um 1° de Maio diferente, sem as habituais manifestações sindicais por motivos óbvios. Eu quero aqui prestar homenagem a todos os trabalhadores como sejam:

  • Aos profissionais de saúde que lutam directamente contra a Covid-19 
  • Aos outros profissionais de saúde, como os farmacêuticos, que continuaram a prestar cuidados necessários 
  • Aos trabalhadores que tiveram que se adaptar ao teletrabalho de um dia para o outro
  • Aos trabalhadores que entraram em lay-off e não sabem como será o futuro
  • Aos trabalhadores que ficaram desempregados e para os quais não há luz ao fundo do túnel

Vamos todos lutar, daqui para a frente, para diminuir a transmissão do coronavírus e ajudar a economia a ir recuperando para que a vida de todos nós melhore.

29
Abr20

Vai ficar tudo bem?

Não me parece

Charneca em flor

Eu até nem costumo ser uma pessoa muito pessimista. Aliás, nesta situação do coronavírus, acreditei durante muito tempo que nunca chegaríamos a ponto em que estamos. Pensei que isto era uma doença que não chegaria à Europa ou ao resto do mundo da maneira que chegou.

No entanto, estou muito preocupada com o fim do Estado de Emergência e com o início do desconfinamento. Obviamente que a economia não pode estar parada mais tempo mas sinto, pelo que ouço das pessoas, que os portugueses estão convencidos que, a partir de 2a feira, a vida volta ao normal. Não volta. Interiorizem que os cuidados são para manter senão podemos viver uma situação verdadeiramente dramática.

Outra coisa que me tem irritado é esta ideia de que a humanidade vai ficar melhor depois desta experiência surreal. Lamento. Também não vai acontecer. Já se nota o egoísmo vir ao de cima. Reparem bem naquilo que se vai passando à vossa volta.

É uma pena. Eu queria muito que todos nós saíssemos disto melhores pessoas .

 

25
Abr20

25 de Abril de 2020, uma Liberdade diferente

Charneca em flor

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Este ano dá-se a circunstância particular de se assinalar o 46° aniversário do Dia da Liberdade em Estado de Emergência. Esta situação retira-nos alguns direitos para salvaguardar o direito supremo à saúde. Como eu continuo a trabalhar, não me sinto assim tão tolhida nos meus movimentos embora haja muitas coisas que não posso fazer. Prefiro deixar de passear, de viajar, de ir a espectáculos ou a restaurantes durante algum tempo para poder preservar a saúde de todos os que se cruzam comigo. 

Acredito que muitos dos portugueses, com menos de 46 anos, que se sentem "presos" em casa nunca deram verdadeiro valor à liberdade de que sempre usufruíram. Devem ser os mesmos que, agora, condenam a cerimónia que decorre, neste momento, na Assembleia da República. Lamento mas não se podem comparar funerais, casamentos, almoços familiares ou celebrações religiosas com a dita cerimónia que assinala a Revolução dos Cravos . O nível de proximidade nunca seria o mesmo. Aliás, neste momento delicado da nossa História faz mais sentido do que nunca assinalar o 25 de Abril. Nunca a liberdade e os direitos conquistados foram tão frágeis.

Eu também não me lembro da ditadura. Afinal, nasci já num país livre. No entanto, o meu pai, durante os poucos anos em que estivemos juntos, transmitiu-me os valores de Abril. Eu acompanhava-o sempre nos desfiles que aconteciam na minha terra neste dia. Cresci a sentir que o dia 25 de Abril era um dia de festa. Que assim continue a ser.

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