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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

28
Jun20

Concierto para el bioceno

Charneca em flor

A Ópera de Barcelona reabriu, no passado dia 22 de Junho, para o primeiro concerto depois do levantamento do estado de emergência em Espanha. No entanto, o concerto teve uma audiência muito especial, 2300 plantas de interior.

Segundo o produtor-executivo, Eugenio Ampudio, este insólito concerto “Reflete o absurdo da condição humana nesta era, que privou as pessoas da sua posição de espetadores. A natureza avançou para ocupar os espaços que tínhamos como garantidos (...) Mas, para ampliar a nossa empatia com o mundo que nos rodeia, abrimos as portas deste grande teatro, convidando a natureza a entrar"

A peça executada pelo quarteto de cordas foi "Chrysanthemum" de Puccini. A escolha deveu-se ao tom triste da peça em questão. Também não deve ser alheio o facto de ter o nome de uma flor, Crisântemo. Em Portugal, esta flor é utilizada para honrar a memória dos falecidos na altura do Dia de Finados. 

Depois do concerto, as plantas foram doadas a profissionais de saúde que estiveram na linha da frente do combate ao coronavírus. E devem ter chegado bem viçosas porque parece que as plantas gostam de música.

18
Jun20

Destino: Portugal

Charneca em flor

Como seria de prever, o sector do turismo é dos mais afectados pela pandemia. Em Portugal, a crise é ainda mais gritante porque, nos últimos anos, a nossa economia assentava neste sector, principalmente. No entanto, esta crise no turismo faz-se sentir, em maior ou menor escala, em todos os países.

Já há umas semanas que tenho reparado que muitos operadores turísticos têm apelado a que se faça férias "cá dentro" porque temos que ajudar a economia  interna. Obviamente que a legitimidade deste apelo é indiscutível mas porque é que só agora é que os empresários se lembraram que os portugueses existem? Durante imenso tempo só se preocuparam em atrair o maior número de estrangeiros possível e nunca pensaram que o boom do turismo não era eterno. Os estrangeiros vão e vêm e podem deixar de vir mas os portugueses estarão sempre cá. Se calhar deveriam ter pensado melhor antes de estenderem a passadeira vermelha aos de fora e empurrar os de cá para a porta das traseiras.

Não se pense que isto é exclusivo deste nosso rectângulo. Em França, por ocasião da abertura dos museus, vi uma pessoa, não sei se seria o director, dizer que agora os parisienses teriam oportunidade de ir ao Louvre. Presumo que antes nem conseguissem chegar lá perto quanto mais entrar.

Moral da história: O melhor mesmo é chegar a um ponto de equilíbrio em que todos se sintam acolhidos seja onde fôr e seja qual fôr a origem de cada um.

 

 

 

 

 

16
Jun20

A corrida do ouro, perdão, das compras

Charneca em flor

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Eu consigo compreender a postura dos empresários e funcionários dos centros comerciais e das grandes superfícies que abriram ontem. Estiveram 3 meses sem trabalhar e isso representa um prejuízo significativo. Ontem os clientes foram recebidos com pompa e circunstância que se notavam nos balões, palmas e música que aguardavam as pessoas à porta. Só não percebo a ânsia das pessoas que foram às compras logo no primeiro dia. A mim não me apetece nada ir enfiar num centro comercial. Actualmente prefiro o comércio de rua. Já bem basta ir ao supermercado porque temos que continuar a comer. Achei graça às pessoas que responderam aos jornalistas: "Ah e tal, já estávamos há muito tempo sem sair de casa por isso viemos aqui". Se me disserem que vão à praia ou passear num jardim porque estão fartos de estar em casa ainda se compreende. Agora sair de casa para nis enfiarmos noutra "casa" só que maior e com lojas, não percebo. Mas seja como fôr, espero que tenha ido ontem a correr às "mecas" do consumo tenham realmente feito compras. A economia tem que continuar a rolar.

07
Jun20

Manifestação em tempo de pandemia

Charneca em flor

As manifestações anti-racistas de ontem, desencadeadas pela morte de George Floyd às mãos da polícia nos Estados Unidos da América, inspiraram-me sentimentos dúbios.

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Por um lado, compreendo perfeitamente e sinto-me solidária com os protestos. Como pessoa, como cidadã e até como cristã, qualquer forma de racismo, xenofobia ou discriminação ofende-me moralmente. Obviamente que sou humana e não sou perfeita e, às vezes, também dou por mim a ter pensamentos ou utilizar expressões que até podem ser racistas ou discriminatórias. É uma luta diária contra mim mesma e contra a sociedade em que cresci. Porque, sejamos sinceros, há racismo em Portugal. Não somos o país mais racista do mundo e nem sequer na Europa mas há racismo na nossa sociedade. E há seres humanos que sofrem com isso. Não podemos permitir que isso aconteça. Todos os seres humanos têm direito à mesma dignidade. Quando nos cortamos, o nosso sangue é da mesma cor.

Por outro lado, neste contexto de pandemia, os manifestantes correram um risco apreciável de aumentar a taxa de transmissão do Sars-CoV 2. Haveria, com toda a certeza, uma maneira mais segura de se fazer um protesto destes. Nas imagens que nos chegaram pelas televisões, não foi respeitado o distanciamento social, havia pessoas com máscaras sociais, cujo nível de filtração de partículas é muito baixo, ou mesmo sem máscara. Felizmente também se viam máscaras cirúrgicas que impedem a transmissão aos outros. Veremos se estas manifestações não têm consequências graves.

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Compreendo que os empresários que ainda não podem abrir as empresas como os bares, as discotecas, os centros comerciais da região de Lisboa, os promotores dos espectáculos e todas as pessoas que trabalham nestes locais se sintam ofendidas com a grande acumulação de pessoas que se viram nas ruas das várias cidades, um pouco por todo o  mundo. 

É verdade que a ordem agora é desconfinar mas cada indivíduo deve ser responsável pela sua protecção e pela protecção dos outros. Não foi isso que se viu ontem. Eu não contesto que todos os cidadãos portugueses têm o direito a se manifestarem uma vez que vivemos numa democracia mas, eu disse neste post no blogue Liberdade aos 42, a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. É muito difícil conseguir este equilíbrio.

05
Jun20

O outro lado da Covid19

Os novos pobres

Charneca em flor

A minha profissão dá-me muito prazer mas há sempre momentos bons, inspiradores mas também há situações que nos deixam de coração apertado. 

Ontem atendi um senhor relativamente novo, na casa dos 30/40 anos. A receita tinha medicamentos relacionados com colesterol elevado, hipertensão e anticoagulantes (para prevenção de AVC e enfartes).

Processei a receita com os medicamentos genéricos que tinha disponíveis os quais apresentavam um preço médio. Quando lhe disse o valor, o utente disse-me que não tinha dinheiro suficiente porque tinha ido pedir ajuda à Segurança Social e eles tinham-lhe dado o valor correspondente ao preço que aparecia na receita.

Muitas vezes o valor que aparece na receita como sendo o valor máximo a pagar diz respeito a  genéricos que estão esgotados ou muito difíceis de arranjar.

Fiz várias tentativas dentro do stock que tinha disponível mas não conseguia arranjar uma solução. Acabei por ter que pesquisar nos armazenistas e lá consegui uma solução.

Mas não foi o trabalho e o tempo dispendido que me incomodou. Foi o olhar daquele homem por cima da máscara. Tão triste, tão humilde. Fiquei tão incomodada por ele se ter humilhado ao ponto de me ter dado a informação quanto à proveniência do dinheiro. Que historia de vida estará por trás daquele olhar? 

É tão aflitivo perceber que as pessoas não têm dinheiro para o que é essencial. E isto ainda é só o princípio do período de crise económica que nos espera. Quantos de nós, portugueses, estarão já no limiar da pobreza?

 

 

30
Mai20

E esse desconfinamento?

Charneca em flor

Olá, olá, vizinhos aqui do charco do .

Então, como estão a viver o desconfinamento? Já vamos para a 3a fase . Que alegria

Na minha opinião, as pessoas estão um bocadinho desconfinadas de mais. A malta levou muito à letra o "Saiam de casa. Temos que recuperar a economia". Tal como muitos exageraram no "Fiquem em casa". 

Eu vivo na região de Lisboa e Vale do Tejo que, com o fim do confinamento, se tem vindo a tornar na região mais complicada já que a grande maioria dos novos casos têm sido detectados nesta região. Obviamente que seria expectável uma vez que é a região que concentram uma elevada percentagem da população portuguesa e imigrante. Este aumento de casos tem sido justificado, maioritariamente, por surtos claramente identificados.

Acontece que quando me desloco para trabalhar vejo as pessoas muito descontraídas e já mandaram o distanciamento social às urtigas. É por isso que eu nunca fui  muito apologista da utilização das máscaras. As pessoas, como têm uma máscara já acham que estão 100% protegidos. Nem que a máscara vá no queixo, no pulso ou na mão a abanar, tipo cesto do capuchinho vermelho. Até já tenho ouvido relatos de partilha de máscaras. Não estão a ver como se processa? Imaginem 2 pessoas que querem entrar numa loja e só uma delas é que tem máscara. Essa pessoa entra, faz as compras e saí. Nessa altura empresta a máscara à outra pessoa para que possa fazer o mesmo. Boa ideia, não acham?!

Sou obrigada a concordar com a minha patroa quando diz: "A situação em Portugal não é pior porque temos tido muita sorte. Com os disparates que se têm visto."

 

12
Mai20

Não sei quem é esta pessoa

Charneca em flor

Há uma interrogação que me tem atormentado nos últimos dias. Que pessoa me estou a tornar com esta pandemia? Dou por mim a julgar as pessoas que vejo a rua. Ou porque são idosas e estão na rua, aparentemente sem nada de urgente para fazer. Ou porque não têm máscara ou está mal colocada. 

No supermercado, faço cara feia (é mais olhar matador porque só se vêem os olhos) a quem se aproxima demasiado.

No meu local de trabalho, em vez do meu habitual sorriso, agora escondido pela máscara, e natural simpatia, passo o tempo a "ralhar":

- Respeite a distância

- Não ponha os seus objectos em cima do balcão 

- Não, não pode ir ver isso que está no expositor 

- Espere na zona marcada

- Não pode estar à frente da porta

- Tem que esperar na rua 

- A máscara tem que tapar o nariz

- Não pode estar no interior da farmácia sem máscara 

- a máscara, a máscara, a máscara...

Basicamente estou a tornar-me numa vigilante chata e irritante. Não conheço esta pessoa em que me estou a tornar e também não simpatizo nada com ela.

11
Mai20

Tempestade, Pedro Abrunhosa com Carolina Deslandes

Charneca em flor

Os criadores, seja de arte, música ou literatura, são, obviamente, influenciados por tudo aquilo que se passa à sua volta. Já em 2017, Pedro Abrunhosa nos brindou com uma tocante canção inspirada pela tragédia dos incêndios. Agora foi a experiência de confinamento, as cidades vazias, o distanciamento que inspiraram esta maravilhosa "Tempestade"

Boa semana e coragem.

 

06
Mai20

A saga das máscaras

Charneca em flor

Não é nada que me surpreenda mas esta semana começou a verdadeira saga das máscaras. 

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Tenho visto isto tudo e mais os casos em que a máscara anda no bolso ou na mala. E ainda as pessoas que puxam a máscara para baixo ou para cima quando precisam de falar mexendo na parte da frente da máscara. Para além, distanciamento social quase que deixou de fazer parte dos cuidados porque as pessoas se sentem completamente seguras já que estão com máscara. Continuam a pôr todos os objectos que possam imaginar em cima do balcão como por exemplo, a carteira, o telemóvel, o cartão multibanco e mesmo os óculos.

Como diz a minha patroa, não se percebe como é que a situação Covid-19 não tem sido mais dramática. Veremos a evolução.

 

 

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