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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

10
Jan18

A saga do anel

Charneca em flor

O A. ofereceu-me um anel muito bonito no Natal.

anel (2).jpg

O único problema é que tem o tamanho 14 e o meu número é entre o 17 e o 19, dependendo dos dias e dos modelos. Quando ele comprou, disseram-lhe que era possível aumentar se fosse necessário.

Como estive de férias a seguir ao Natal, não pude ir à loja por isso só fui na semana passada. Até contei aqui como o início do atendimento não tinha começado bem. 

Por coincidência, fui atendida pela mesma pessoa que tinha vendido o anel. Chegou-se à conclusão que seria muito difícil aumentar o anel por isso a hipótese era encontrar numa outra loja da marca.

Entre idas e vindas, e telefonemas, à dita loja, verificou-se que também não havia um anel maior do mesmo modelo noutra loja. Na 2ª feira recebi um telefonema da funcionária dizendo que se podia fazer um pedido especial ao fabricante e o anel viria de Israel demorando uma série de semanas. Ora até nem me importava nada de o ir lá buscar, sempre fazia mais uma viagem.

Ontem lá volto eu ao centro comercial para entregar o meu anel e fazer o tal pedido especial. A funcionária N., que até se revelou muito simpática e atenciosa, agarra-se ao telefone porque, pelo que me pareceu, não percebia muito bem como fazer o tal pedido especial.

Enquanto isso fui dando uma vista de olhos aos expositores e vi peças bem bonitas.

O pior estava por vir. O fabricante não fazia aquele modelo para números maiores. Surgiu-me uma dúvida: a funcionária era pouco competente ou é a marca que era muito complicada?! Para além disso, acho uma grande discriminação para com quem não tem mãos finas e delicadas.

A solução foi, com grande pena minha, trocar por outra peça. Outro problema. Tentei encontrar um modelo do mesmo género para ser similar ao que o A. tinha escolhido. Todos os que havia com fileiras de zircónias como aquele eram pequenos. A discriminação para com os dedos grandes e gordos continuava. Querem lá ver que eu não tenho o direito de usar um anel bonito?!

Acabei por trazer estes dois que reunem 2 qualidades muito importantes. Achei bonitos, principalmente o da pérola, e servem-me.

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Até podia ficar fã desta marca mas esta história dos anéis deixa-me de pé atrás.

Magnolia, se me queres como cliente, repensa o design dos anéis.

 

24
Dez17

Blogmas 2017 - Christmas Eve

Charneca em flor

As luzes da árvore de Natal estão a piscar.

O bolo-rei está na mesa.

Os sonhos já estão fritos.

O perú está no forno

O bacalhau e as couves estão a ser preparados.

Na rádio ouvem-se músicas de Natal.

A minha mãe e o A. estão na cozinha.

Os presentes aguardam debaixo da árvore.

O pequeno presépio está no parapeito da janela.

O Natal pode começar...

 

 

 

22
Dez17

Blogmas 2017 - Natal triste

Charneca em flor

Costuma-se dizer que o Natal é a festa da família. E quando a família vai ficando mais reduzida porque, pela lei da vida, vamos perdendo aqueles que amamos? Como lidar com isso? 

Eu perdi o meu pai poucos meses antes do Natal e não tenho nenhuma memória do Natal desse ano, absolutamente nenhuma. De uma coisa tenho a certeza, foi o Natal mais triste da minha vida. 

Quando perdemos alguém que estava muito presente nestes momentos, nunca mais olhamos para o Natal da mesma maneira. Podemos voltar a festejar mas faltará sempre aquele lugar na mesa. 

Neste blogmas em que reflicto sobre a ausência daqueles que amamos, principalmente nesta época, quero lembrar e prestar homenagem a todas as famílias que sofreram e sofrem, ainda, com os incêndios de Junho e Outubro. Tenho muita dificuldade em escutar as suas histórias sem começar a chorar. Todos os dias são difíceis mas estes, em que por todo o lado se sente um ambiente alegre e festivo, devem ser particularmente difíceis. Porque enquanto uns se preocupam com aquilo que vão ter na mesa da consoada, outros nem têm nem mesa nem tecto. Enquanto uns se afadigam a comprar presentes, outros choram a perda de pais, filhos, avós, netos, irmãos, amigos...

 

Ontem ouvi a nova música de Pedro Abrunhosa, "Meu querido filho tão tarde que é". Não é uma música de Natal mas é uma música sobre o amor e a perda. E o mais importante no Natal é o amor que nos une. Foi esta música que me inspirou a escrever sobre aqueles que já partiram. Nós não os vemos mas eles estão connosco na consoada, vivos nas nossas memórias, nas histórias que se contam e no nosso coração:

 

 

"Chama por mim, lá da porta do céu/ninguém cala a dor de uma mãe que perdeu"

 

20
Dez17

Blogmas 2017 - A mesa de Natal

Charneca em flor

Um dos pratos típicos da mesa da consoada é o bacalhau cozido com couves. Também faz parte da minha mesa. Não é um prato que coma habitualmente durante o resto do ano. Aliás até tenho ideia de que se comesse noutra altura, não me pareceria muito apetitoso. No Natal, bacalhau com couves sabe-me ao melhor dos pitéus. Desde que conheço o A., e passo o Natal com ele, também não pode faltar o peru bem tostadinho no forno. Para o dia de Natal reservamos Polvo à Lagareiro. Ou seja, pela nossa mesa passam os principais pratos do Natal português. 

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E na vossa mesa de Consoada, que pratos não podem faltar?

18
Dez17

Blogmas 2017 - Pragas natalícias

Charneca em flor

De há uns anos para cá, adquiriu-se o hábito de enfeitar as varandas, as janelas ou os jardins pela altura do Natal. Assim um bocadinho à maneira de Hollywood

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Confesso que gosto de ver as casas enfeitadas e iluminadas. Por acaso, nunca pus nenhum enfeite luminoso nas minhas varandas mas quem sabe um dia?!

Ora com o objectivo de assinalar o Natal no exterior das casas, surgiu uma praga aqui há anos. Felizmente que, actualmente, a praga está quase debelada. Falo dos pais natal, possivelmente vindos de uma qualquer loja chinesa, pendurados em varandas, janelas ou chaminés. Alguns pendurados pelo pescoço, pobres coitados. Já não é a primeira vez que falo deles, já andaram aqui pelo blogue. O pior é que os desgraçados ficam pendurados quase até ao Natal seguinte. E se há coisa que me irrita é enfeites natalícios depois do dia 6 de Janeiro.

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Depois dos pais natal, apareceram os estandartes com o Menino Jesus. Sempre são mais bonitos e com mais significado. Sem Jesus, não havia Natal.

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17
Dez17

Blogmas 2017 - O Natal da minha infância

Charneca em flor

Já em posts anteriores aflorei um pouco das minhas memórias sobre os Natais da minha infância. Hoje vou mergulhar mais profundamente nessas recordações. Não é fácil por vários motivos. Primeiro porque houve um momento negro na minha vida que tornou todas as memórias anteriores mais difusas, a perda do meu pai. Para além disso também já me faltam também a minha avó e o meu avô, protagonistas dessas memórias. 

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As raízes da minha família estão no Alentejo mas eu cresci no Ribatejo. No Natal "íamos sempre à terra" passar a Consoada com a família da minha mãe. O meu pai era muito ligado à família da minha mãe, talvez por ter perdido a mãe dele muito cedo. Os meus avós adoravam-no. Os meus pais não tinham carro por isso lá iamos na "camionete da carreira" na véspera de Natal. Chegávamos perto da hora do jantar, habitualmente o típico bacalhau. A minha avó vivia numa casa pequena e humilde mas é desse espaço que guardo alguns dos melhores momentos da minha vida. A grande lareira/chaminé alentejana dominava a cozinha que era o centro da casa. No Inverno o lume acendia-se logo de manhã e alimentava-se o lume durante todo o dia. Na noite de Natal, como era o serão mais longo do ano, punha-se o maior madeiro que se encontrava para aguentar toda a noite.

Depois do jantar é que era divertido. A minha avó amassava as filhós (ou coscorões como se chamam noutras regiões) ou então já as tinha amassado antes. Chegava a altura de estender a massa e eu também gostava muito de participar. A cozinha da minha avó parecia uma linha de montagem, eu e a minha avó estendiamos (as minhas, invariavelmente, mais grossas) e a minha mãe fritava.  

O meu pai e o meu avô bebiam um bocadinho acima do normal. O efeito que lhes fazia é que era diferente. O meu avô sentava-se num mocho (o nome que se dá a uns bancos baixinhos que existem no Alentejo) na chaminé, encostava-se ao braço e dormitava de boca aberta. O meu pai dava-lhe para o disparate e convencia-me a fazer uma caricatura do meu avô com a massa das filhós. E a minha mãe lá fritava "o meu avô", coitado. 

Lembro-me mal dos presentes. Muitas vezes, roupa para estrear no dia seguinte, um cobertor, o livro da Abelha Maia ou um relógio, presente do meu padrinho que também morava nessa pequena casa. Não me lembro de ficar ansiosa com os presentes nem se pedia alguma coisa que nunca recebi. As coisas materiais não perduraram na minha memória. O que perdurou foram os momentos, os sorrisos, as gargalhadas, o amor que nos unia e o sabor das filhós da minha avó. Nunca mais comi outras iguais.

16
Dez17

Blogmas 2017 - Família

Charneca em flor

O Natal deveria ser uma época de harmonia e felicidade. Muitas vezes é precisamente o contrário. Seja porque o facto de as famílias passarem mais tempo juntas intensifica os conflitos latentes durante o ano ou seja porque as famílias não se entendem sobre como ou onde passar a consoada.

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Por exemplo, quando os filhos são pequenos vão para onde os pais forem mas quando crescem e constituem as suas próprias famílias é preciso ceder para manter a harmonia. Há quase sempre famílias com tradições mais vincadas do que outras. Infelizmente, isso é tantas vezes motivo de zangas e amuos que se arrastam durante muitos anos. E não deveria ser assim de todo porque se celebra o nascimento de Jesus. Para quem acredita, Jesus Cristo pregou o amor incondicional portanto no Natal também se celebra o amor incondicional. Amar sem medida implica deixar ir e não prender com amarras. Seja no Natal ou em qualquer outro dia do ano.

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