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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

15
Jul20

Memórias no posto de gasolina

Charneca em flor

O bairro onde cresci desenvolveu-se em redor do posto de abastecimento de combustível que é o estabelecimento mais antigo daquela zona. Há uns anos, este posto sofreu uma grande remodelação para se transformar numa loja muito conhecida desta área dos combustíveis,  sabem qual é? O nome começa por "T" e acaba em "angerina". 

Ontem, enquanto pagava, recuei cerca de 40 anos até aos anos 70/80 e encontrei a criança que fui naquele mesmo lugar. Na minha memória surgiram as mesas de fórmica, o balcão frigorífico onde se perfilhavam garrafas de sumol e leite ucal, a vitrine dos bolos, o colorido dos rebuçados avulso e dos chupa-chupas.

Era ali, no café da bomba, que o meu pai me comprava rebuçados "bola de neve" e  a minha avó me comprava aqueles pequeninos pacotes com 4/5 bolachas maria no dia em que regressava a casa depois de nos fazer uma visita.

Nunca a menina que fui imaginaria que, um dia, iria estar ali a abastecer o carro, pagando com cartão multibanco* e utilizando uma aplicação no smartphone** para obter desconto. 

Às vezes ainda me sinto aquela menina tímida e desajeitada e nem acredito que já passaram tantos anos. Algumas destas memórias ainda estão tão nítidas na minha cabeça. Só que o mundo evoluiu tanto desde a minha infância.

 

*O cartão multibanco foi introduzida em Portugal em 1985 mas os terminais de pagamento automático só existem desde 1987.

**Os telemóveis começaram a ser comercializados em 1983 e os primeiros smartphones apareceram no mercado em 2007.

08
Jul20

Mas que ano...

Charneca em flor

Já estamos na 2a metade do ano e lembrei-me de ir à procura de alguma lista de desejos que pudesse ter feito no início do ano. E encontrei esta imagem

20200105_100231.jpg

Tenho a dizer que o ano de 2020 está a ser muito diferente daquilo que eu imaginei quando escrevi esta lista. Não só por causa da maldita pandemia mas pelas rasteiras que a vida nos pregou nos últimos dias. 

 

 

05
Jul20

Um aniversário estranho

Charneca em flor

Hoje faço anos, 46. Já tinha dito que o ambiente que me rodeia é muito diferente do habitual. Desde o 40° aniversário que se instituiu uma tradição aqui em casa, fazer uma escapadinha de fim-de-semana. Este ano, devido a toda esta conjectura que nos rodeia não organizámos nada. Mas eu estava apaziguada com esta decisão, embora me custasse. Contava fazer, pelo menos, um passeio. Só não contava ter o meu amor internado para uma cirurgia. Vai ser um aniversário memorável, disso não há dúvida, mas não da maneira que eu esperava.

Mas enfim, vai tudo correr bem, se Deus quiser. Só me resta agradecer pelo dom da vida que recebi há 46 anos e pela felicidade de, todos os dias, encontrar motivos para me levantar de manhã, continuar a trilhar o meu caminho e descobrir novas paixões. 

Se tiverem curiosidade em descobrir as comemorações de alguns dos meus aniversários anteriores é espreitar.

43° aniversário

44° aniversário

45° aniversário

02
Jul20

Sinto falta da música popular

Charneca em flor

O mês de Julho é o meu preferido porque é o meu mês de aniversário. No entanto, a estranheza deste ano de 2020 também chegou a este aspecto da minha vida. Nesta altura do ano, a cidade onde trabalho costuma estar em festa. Aliás eu nasci, precisamente, no primeiro dia dessa festa. Quer eu participe na festa ou não, a música, os carrinhos de farturas, as ruas e as montras enfeitadas conferem um tom mais alegre ao ambiente. 

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Este ano, como seria de esperar, a festa foi cancelada. E isso é mesmo muito estranho. Eu vivo numa outra localidade mas já trabalho aqui há 20 anos, quase metade da minha vida. Há 20 anos que os dias que antecedem o meu aniversário são dias muito alegres por aqui. O que é engraçado é que, em anos anteriores, até fico farta da música mas este ano estou a achar que há demasiado silêncio. A falta dos sinais indicativos de uma das maiores festas do Ribatejo quase que me fazem esquecer que estou quase a ficar mais velha.

06
Jun20

A minha nova paixão

Charneca em flor

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Não sei se a pandemia que me levou a descobrir uma nova paixão ou se foi da Primavera. O que é certo é que descobri me dá um grande prazer dedicar-me as plantas. Quando estamos na aldeia, eu e o A. somos aprendizes de agricultores mas ele dedica-se a isso mais do que eu. Embora eu fique muito contente por aquilo que obtemos como resultado do nosso trabalho.

Em relação às plantas decorativas, sempre gostei muito mas nunca tive grande jeito mas também não dispendia muito tempo com elas. Até me considerava uma assassina de plantas. A minha mãe sempre teve muito jeito e até ficou agradavelmente surpreendida comigo.

IMG_20200430_102417.jpg

 

Consigo situar como é que me apaixonei pelas plantas. A "culpada" foi a Rita da Nova. Ouvia falar disso no podcast "Terapia de Casal" do qual já falei aqui. Como a sigo no instagram e no blogue, reparei que ela tinha plantas lindas e perguntei-lhe onde as tinha adquirido. Acabei por fazer uma encomenda aos Viveiros Vítor Lourenço. Como quando se navega na internet, uma pesquisa vai levando a outra, descobri mais apaixonados por plantas e tenho aprendido muito. 

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Estou quase a deixar de ser uma completa assassina de plantas . Como tem corrido bem com as plantas de interior, comecei a dar atenção as plantas que o meu falecido sogro tinha no pátio da casa da aldeia. E que bonitas estão. Pelo menos, a maioria. Até arrisquei em comprar uma buganvília cor de rosa. Vamos ver quanto tempo dura a minha paixão .

 

21
Mai20

Jorrará leite e mel

Charneca em flor

Ontem assinalou-se o Dia Mundial da Abelha. Lembrei-me de fazer uma publicação no Instagram alusiva ao tema. E escolhi um frasco de mel para o efeito. Sempre tive fácil e abundante acesso a mel caseiro. Quando era miúda quase todos os homens da família eram apicultores nas horas vagas; o meu avô paterno, o meu avô materno, o meu pai e o meu tio. Nessa altura não ligava muito a mel. Até chegava a dizer que não gostava. Acontecia mais ou menos como as nêsperas de que falei há dias embora a aversão a estas frutas fosse maior do que ao mel.

Depois, um a um, fui perdendo o meu avô paterno, o meu pai e por fim o meu avô materno. Só sobrou o meu tio J., verdadeiro apaixonado da apicultura. O mel deixou de ser tão abundante com antes. E foi nessa altura que eu comecei a apreciar este laborioso trabalho das abelhas.

O meu tio está a ficar mais idoso e tem inúmeros problemas de saúde. Não sei durante quanto tempo ainda vou ter a possibilidade de me deliciar com um chá adoçado com mel ou um bolo de mel tipicamente alentejano. E já lhe estou a sentir a falta. 

Mais uma prova de que não damos o real valor aquilo que temos em abundância. Só quando se torna mais escasso é que o apreciamos verdadeiramente.

19
Mai20

Nêsperas, doces nêsperas

Charneca em flor

A minha mãe sempre apreciou nêsperas e eu nunca liguei muito. Na casa da família do A. há uma nespereira enorme. O A. também gosta muito e todos anos insiste para eu comer. E é habitual eu torcer o nariz. Às vezes, se ele me descasca-se, lá acedia em comer 1 ou 2.

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Não sei o que se passou este ano mas começou a apetecer-me comer as benditas nêsperas. Afinal, há tantas à disposição que é uma pena não aproveitar não é  verdade? Sabem melhor acabadas de apanhar mas também tenho comido alguns dias depois de terem sido colhidas. 

Não me reconheço. Fico a pensar se, quando digo que não gosto de alguma coisa, isso é mesmo verdade ou será só uma mania?!

12
Mai20

Não sei quem é esta pessoa

Charneca em flor

Há uma interrogação que me tem atormentado nos últimos dias. Que pessoa me estou a tornar com esta pandemia? Dou por mim a julgar as pessoas que vejo a rua. Ou porque são idosas e estão na rua, aparentemente sem nada de urgente para fazer. Ou porque não têm máscara ou está mal colocada. 

No supermercado, faço cara feia (é mais olhar matador porque só se vêem os olhos) a quem se aproxima demasiado.

No meu local de trabalho, em vez do meu habitual sorriso, agora escondido pela máscara, e natural simpatia, passo o tempo a "ralhar":

- Respeite a distância

- Não ponha os seus objectos em cima do balcão 

- Não, não pode ir ver isso que está no expositor 

- Espere na zona marcada

- Não pode estar à frente da porta

- Tem que esperar na rua 

- A máscara tem que tapar o nariz

- Não pode estar no interior da farmácia sem máscara 

- a máscara, a máscara, a máscara...

Basicamente estou a tornar-me numa vigilante chata e irritante. Não conheço esta pessoa em que me estou a tornar e também não simpatizo nada com ela.

27
Fev20

Destralhar

Charneca em flor

Tirei uns dias de férias com o objectivo de começar a destralhar a minha casa. Comecei pela roupa. Estou a tirar cá de casa, a roupa que não me serve ou que já não visto há, pelo menos, 2 anos. Cheguei a várias conclusões:

  • Compro demasiada roupa
  • Não tenho jeito nenhum para destralhar
  • Está a ser muito difícil 

    Destralhar1.png

     

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