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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

05
Set20

Resumo resumido da minha semana

Charneca em flor

Esta primeira semana de trabalho depois das férias foi muito esgotante em termos psicológicos.

Logo no primeiro dia fui surpreendida por alterações do funcionamento que vão implicar uma mudança nos horários. Não fiquei assim muito satisfeita, até me senti magoada porque achei que fui injustiçada. Mas como não sou de guardar rancores, acabei por me apaziguar.

Por outro lado, estou preocupada pela diminuição do fluxo de utentes na farmácia. De dia para dia vai-se notando a contenção das pessoas que se vão abstendo de adquirir aquilo que não é essencial mas também se nota que se avizinha uma crise muito superior ao que vivemos no tempo da troika. Embora eu não seja proprietária da farmácia, não sei até que ponto esta situação me possa atingir pessoalmente. 

Mas a machadada final foi ter percebido, mais uma vez, como as pessoas nos podem desiludir. Alguém com quem tivemos uma parceria durante muitos anos, que era tratada como mais uma da equipa e até considerada como uma amiga, cometeu uma deslealdade vil connosco. As pessoas são livres de escolher um caminho diferente se já não se revêem no percurso que trilharam até ali. No entanto, há necessidade de prejudicar os outros para ter sucesso? Como é que as pessoas se podem sentir satisfeitas por construirem a sua felicidade pisando os outros? Não consigo compreender.

46 anos de idade e continuo a ser ingénua .

26
Ago20

Charneca no Algarve

Charneca em flor

As minhas férias têm sido mais caseiras mas tive oportunidade de ir passar um fim-de-semana alargado ao Algarve como já referi ontem. O Algarve nunca foi o meu destino de férias preferencial. Devo confessar que até tenho algum preconceito em relação às pessoas que, ano após ano, não passam sem ir para o Algarve de férias. Afinal, temos uma costa tão grande e praias tão bonitas no Oeste ou no Sudoeste Alentejano. Sempre achei uma grande falta de imaginação daqueles que escolhem sempre o mesmo destino. É claro que há quem refira a água quente e a meteorologia mas não me convencem. Não achei a água assim tão quente. No entanto, há que aproveitar aquilo que a vida nos dá e foi por isso que rumei até sul.

Partimos no dia 20, quinta-feira. A viagem é longa por isso fizemos 2 paragens, Castro Verde, onde almoçamos, e Mértola.

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Igreja de Nossa Senhora da Assunção ou Nossa Senhora de Entrevinhas - Matriz de Mértola

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A casa onde fiquei alojada fica numa pequena aldeia do concelho de Castro Marim. Pequena mas muito acolhedora ainda tem, de bónus, uma pequena piscina bem agradável com o calor que tem estado.

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A vista 

O local era tão calmo que só se ouviam as cigarras, para além das galinhas e das ovelhas dos vizinhos.

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A aldeia fica muito perto de Espanha a ponto de os telemóveis terem ficado baralhados e "pensarem" que estavam em Espanha actualizando o fuso horário. Até eu fiquei baralhada mas também não é preciso muito .

Na 6a feira aproveitámos para ir à Andaluzia. A situação Covid-19 está complicada em Espanha mas achei as pessoas muito cuidadosas. Viam-se poucas pessoas sem máscara (cá em Portugal vêem-se muito menos pessoas com máscara na rua). Mesmo a caminhar na praia, havia pessoas com máscara. 

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Playa de Matalascañas

Situada em pleno Parque Natural de Doñana, Matalascañas é também conhecida pelo nome Torre de Higuera. Este nome vem da torre de defesa que ali existia e cuja ruína se tornou símbolo da praia e da cidade. Conta-se que a Torre de Higuera caiu devido ao maremoto gerado pelo Terramoto de Lisboa em 1755. No entanto, há historiadores que desmentem essa hipótese. 

No dia seguinte ficamos dentro de portas, ou seja, na costa algarvia. Fomos à Praia Verde. O enquadramento da praia é muito bonito com imensos pinheiros e algumas casas sem exagero de construções. Pelo que li, o pinhal era ainda maior mas foram derrubadas algumas árvores precisamente para arranjar espaço para a construção. 

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Praia Verde

Quando chegámos, a meio da manhã, não havia uma grande multidão na praia permitindo estender a toalha respeitando as regras de distanciamento já conhecidas. Assim que se aproxima o meio-dia, a situação começa a ser diferente o que nos causa algum desconforto. Acho que eu e o A. estamos a desenvolver demofobia  porque quando aumentam o número de pessoas na praia é a nossa deixa para irmos embora. 

Antes ainda tivemos oportunidade de apanhar um petisco para o jantar

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Conquilhas algarvias

No domingo tomámos o pequeno-almoço bem cedo para aproveitar o dia. Desta feita fomos até à aldeia de Cacela Velha onde se pode usufruir de uma das paisagens mais fotografadas do Algarve.

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Cacela Velha

A aldeia também é muito pitoresca.

Aldeia de Cacela Velha

De seguida, fomos à praia da Manta Rota, uma praia muito grande e muito procurada por famílias em férias. Mais uma vez, foi muito fácil estacionar e estender as toalhas cumprindo as regras de distanciamento social. Tínhamos lido que era habitual fazer grandes caminhadas entre a Manta Rota e a Cacela Velha. Realmente, há um movimento perpétuo de pessoas para lá e para cá. Nunca percebi a necessidade que as pessoas têm de se cansarem na praia. Um dia de praia ideal para mim é ficar estendida na toalha a ler ou a dormitar.  Muito de vez em quando lá me digno a ir molhar os pés ou mais qualquer coisa. Mas, já que lá estava, acabei por entrar na "onda" e caminhar até à Cacela Velha.

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Manta Rota

Tal como nos outros dias, a tarde foi passada a relaxar à beira da piscina e a preparar a bagagem para a viagem de regresso.

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Infelizmente, foram poucos dias mas gostei muito da minha estadia no Algarve. Não encontrei as enchentes que imaginava. Realmente, estive em filas para entrar nos supermercados mas isso deve-se mais à pandemia do que ao número de pessoas. Nem se demorou muito tempo nas compras. Não fui a estabelecimentos de restauração na região por isso não sei como é que está a situação nesses locais.

Naturalmente que 2020 é um ano atípico mas eu também não tenho termo de comparação porque nunca tinha ido ao Algarve em Agosto.

Em suma, gostei muito destes meus dias no Algarve em que conheci locais que não conhecia mas em que também descansei bastante. Presumo que o facto de ter passado grande parte do tempo numa aldeia perdida na serra contribuíu para tornar a experiência mais agradável. Ficou ainda muito por explorar como as praias fluviais que existem naquela zona. Assim já tenho desculpas para voltar.

Continuo a achar falta de imaginação só conhecer o caminho para o Algarve quando temos um país tão bonito e tão diverso com recantos maravilhosos para descobrir mas começo a compreender o encanto da nossa região mais a sul.

 

05
Ago20

Meu estranho mês de Agosto

Charneca em flor

Agosto rimou, quase sempre, com férias. Em miúda era nesse mês que rumava ao Alentejo para passar as férias na casa da minha avó. Que saudades do tempo em que podia dormir a sesta e não queria! Enquanto estive na faculdade, as férias mantiveram-se em Agosto porque era o único mês em que não havia qualquer actividade. Quando comecei a trabalhar, tirei férias noutras alturas do ano porque Agosto era reservado à patroa. Com o avançar dos anos, ela deixou de se ausentar nessa altura e, por coincidência, eu conheci o A. e voltei à interrupção do trabalho neste mês. E isso acontece há 11 anos, sensivelmente porque no ano em que conheci o A. já não consegui alterar as férias. Desde 2009 que, nesta altura, ou estou em viagem ou estou excitadíssima com os preparativos para mais uma aventura.

Neste estranho ano de 2020 não acontece uma coisa nem outra e isso faz-me duvidar quando olho para o calendário. Na próxima quinzena não vou trabalhar efectivamente mas os dias devem ser passados por casa. Embora já se possa viajar, não me arrisco a tal. E como há alguns problemas de saúde para resolver, os dias de descanso servirão para se equilibrar esses problemas. Espero conseguir pôr as leituras em dia e talvez escrever mais.

Este mês de Agosto será tão invulgar que sinto que estou a viver uma realidade alternativa e ainda vou acordar para perceber que isto tudo foi só imaginação da minha cabeça. Ou talvez não.

18
Jul20

Ir à esplanada

actividade radical?!

Charneca em flor

Há pouco fui beber um café a uma esplanada. Parece uma actividade sem grande história, não é verdade? Acontece que deve ter sido a segunda vez que tomei café fora de casa desde meados de Março (quando começou o estado de emergência). Cumpri todas as recomendações das autoridades de saúde mas mesmo assim, em vez de ter prazer em estar ali, fiquei em stress. Numa mesa próxima vi cerca de 7 pessoas a tomar o pequeno-almoço numa mesa com capacidade para 4 pessoas, numa situação normal. Não me pareceu que fizessem parte do mesmo agregado familiar. Afastei-me o mais possível de tal grupo. 

Levei comigo uma revista e escolhi para ler um artigo sobre as sequelas, para a saúde futura, da covid-19. Isso também não ajudou à descontracção. Obviamente, que fiquei lá o mínimo tempo indispensável para beber o café. 

Estarei a ficar paranóica?!

 

15
Jul20

Memórias no posto de gasolina

Charneca em flor

O bairro onde cresci desenvolveu-se em redor do posto de abastecimento de combustível que é o estabelecimento mais antigo daquela zona. Há uns anos, este posto sofreu uma grande remodelação para se transformar numa loja muito conhecida desta área dos combustíveis,  sabem qual é? O nome começa por "T" e acaba em "angerina". 

Ontem, enquanto pagava, recuei cerca de 40 anos até aos anos 70/80 e encontrei a criança que fui naquele mesmo lugar. Na minha memória surgiram as mesas de fórmica, o balcão frigorífico onde se perfilhavam garrafas de sumol e leite ucal, a vitrine dos bolos, o colorido dos rebuçados avulso e dos chupa-chupas.

Era ali, no café da bomba, que o meu pai me comprava rebuçados "bola de neve" e  a minha avó me comprava aqueles pequeninos pacotes com 4/5 bolachas maria no dia em que regressava a casa depois de nos fazer uma visita.

Nunca a menina que fui imaginaria que, um dia, iria estar ali a abastecer o carro, pagando com cartão multibanco* e utilizando uma aplicação no smartphone** para obter desconto. 

Às vezes ainda me sinto aquela menina tímida e desajeitada e nem acredito que já passaram tantos anos. Algumas destas memórias ainda estão tão nítidas na minha cabeça. Só que o mundo evoluiu tanto desde a minha infância.

 

*O cartão multibanco foi introduzida em Portugal em 1985 mas os terminais de pagamento automático só existem desde 1987.

**Os telemóveis começaram a ser comercializados em 1983 e os primeiros smartphones apareceram no mercado em 2007.

08
Jul20

Mas que ano...

Charneca em flor

Já estamos na 2a metade do ano e lembrei-me de ir à procura de alguma lista de desejos que pudesse ter feito no início do ano. E encontrei esta imagem

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Tenho a dizer que o ano de 2020 está a ser muito diferente daquilo que eu imaginei quando escrevi esta lista. Não só por causa da maldita pandemia mas pelas rasteiras que a vida nos pregou nos últimos dias. 

 

 

05
Jul20

Um aniversário estranho

Charneca em flor

Hoje faço anos, 46. Já tinha dito que o ambiente que me rodeia é muito diferente do habitual. Desde o 40° aniversário que se instituiu uma tradição aqui em casa, fazer uma escapadinha de fim-de-semana. Este ano, devido a toda esta conjectura que nos rodeia não organizámos nada. Mas eu estava apaziguada com esta decisão, embora me custasse. Contava fazer, pelo menos, um passeio. Só não contava ter o meu amor internado para uma cirurgia. Vai ser um aniversário memorável, disso não há dúvida, mas não da maneira que eu esperava.

Mas enfim, vai tudo correr bem, se Deus quiser. Só me resta agradecer pelo dom da vida que recebi há 46 anos e pela felicidade de, todos os dias, encontrar motivos para me levantar de manhã, continuar a trilhar o meu caminho e descobrir novas paixões. 

Se tiverem curiosidade em descobrir as comemorações de alguns dos meus aniversários anteriores é espreitar.

43° aniversário

44° aniversário

45° aniversário

02
Jul20

Sinto falta da música popular

Charneca em flor

O mês de Julho é o meu preferido porque é o meu mês de aniversário. No entanto, a estranheza deste ano de 2020 também chegou a este aspecto da minha vida. Nesta altura do ano, a cidade onde trabalho costuma estar em festa. Aliás eu nasci, precisamente, no primeiro dia dessa festa. Quer eu participe na festa ou não, a música, os carrinhos de farturas, as ruas e as montras enfeitadas conferem um tom mais alegre ao ambiente. 

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Este ano, como seria de esperar, a festa foi cancelada. E isso é mesmo muito estranho. Eu vivo numa outra localidade mas já trabalho aqui há 20 anos, quase metade da minha vida. Há 20 anos que os dias que antecedem o meu aniversário são dias muito alegres por aqui. O que é engraçado é que, em anos anteriores, até fico farta da música mas este ano estou a achar que há demasiado silêncio. A falta dos sinais indicativos de uma das maiores festas do Ribatejo quase que me fazem esquecer que estou quase a ficar mais velha.

06
Jun20

A minha nova paixão

Charneca em flor

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Não sei se a pandemia que me levou a descobrir uma nova paixão ou se foi da Primavera. O que é certo é que descobri me dá um grande prazer dedicar-me as plantas. Quando estamos na aldeia, eu e o A. somos aprendizes de agricultores mas ele dedica-se a isso mais do que eu. Embora eu fique muito contente por aquilo que obtemos como resultado do nosso trabalho.

Em relação às plantas decorativas, sempre gostei muito mas nunca tive grande jeito mas também não dispendia muito tempo com elas. Até me considerava uma assassina de plantas. A minha mãe sempre teve muito jeito e até ficou agradavelmente surpreendida comigo.

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Consigo situar como é que me apaixonei pelas plantas. A "culpada" foi a Rita da Nova. Ouvia falar disso no podcast "Terapia de Casal" do qual já falei aqui. Como a sigo no instagram e no blogue, reparei que ela tinha plantas lindas e perguntei-lhe onde as tinha adquirido. Acabei por fazer uma encomenda aos Viveiros Vítor Lourenço. Como quando se navega na internet, uma pesquisa vai levando a outra, descobri mais apaixonados por plantas e tenho aprendido muito. 

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Estou quase a deixar de ser uma completa assassina de plantas . Como tem corrido bem com as plantas de interior, comecei a dar atenção as plantas que o meu falecido sogro tinha no pátio da casa da aldeia. E que bonitas estão. Pelo menos, a maioria. Até arrisquei em comprar uma buganvília cor de rosa. Vamos ver quanto tempo dura a minha paixão .

 

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