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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

30
Mai20

E esse desconfinamento?

Charneca em flor

Olá, olá, vizinhos aqui do charco do .

Então, como estão a viver o desconfinamento? Já vamos para a 3a fase . Que alegria

Na minha opinião, as pessoas estão um bocadinho desconfinadas de mais. A malta levou muito à letra o "Saiam de casa. Temos que recuperar a economia". Tal como muitos exageraram no "Fiquem em casa". 

Eu vivo na região de Lisboa e Vale do Tejo que, com o fim do confinamento, se tem vindo a tornar na região mais complicada já que a grande maioria dos novos casos têm sido detectados nesta região. Obviamente que seria expectável uma vez que é a região que concentram uma elevada percentagem da população portuguesa e imigrante. Este aumento de casos tem sido justificado, maioritariamente, por surtos claramente identificados.

Acontece que quando me desloco para trabalhar vejo as pessoas muito descontraídas e já mandaram o distanciamento social às urtigas. É por isso que eu nunca fui  muito apologista da utilização das máscaras. As pessoas, como têm uma máscara já acham que estão 100% protegidos. Nem que a máscara vá no queixo, no pulso ou na mão a abanar, tipo cesto do capuchinho vermelho. Até já tenho ouvido relatos de partilha de máscaras. Não estão a ver como se processa? Imaginem 2 pessoas que querem entrar numa loja e só uma delas é que tem máscara. Essa pessoa entra, faz as compras e saí. Nessa altura empresta a máscara à outra pessoa para que possa fazer o mesmo. Boa ideia, não acham?!

Sou obrigada a concordar com a minha patroa quando diz: "A situação em Portugal não é pior porque temos tido muita sorte. Com os disparates que se têm visto."

 

20
Fev20

Eutanásia, sim ou não?

Charneca em flor

 

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Hoje a Assembleia da República discute os projectos de lei sobre a legalização da Eutanásia em Portugal. Este tema causa-me algum desconforto e sinto-me dividida em relação a ele. Não consigo ter uma opinião taxativa. Não posso dizer que concordo a 100% mas também sinto que não tenho o direito de julgar as pessoas que, em situação de sofrimento extremo, prefiram acelerar o processo da natureza. No entanto, a nossa legislação já prevê a recusa de tratamento e o testamento vital*. Já são instrumentos para que a vida não seja prolongada em casos de algumas patologias muito graves.

Não queria estar na pele dos deputados por isso até prefiro que não se avance para referendo como algumas vozes da sociedade propõe. Não saberia como votar.

Neste artigo do Público consegue-se perceber as diferenças e/ou semelhanças entre as 5 propostas que serão discutidas hoje.

 

*O testamento vital ou diretiva antecipada da vontade é o documento onde o cidadão pode inscrever os cuidados de saúde que pretende ou não receber. Permite também a nomeação de um procurador de cuidados de saúde. Para saber mais sobre este tema pode-se passar pela página do SNS 

19
Dez19

Porque é que é tão difícil aceitar elogios?

Charneca em flor

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Ontem recebi elogios inesperados de 2 utentes. Primeiro foi uma utente que me disse que eu dava muito bem injecções. Tendo em conta que não gosto especialmente dessa tarefa é sempre bom saber que o executo bem. Depois foi outra utente que me encontrou num café. Ela ia acompanhada de 2 colegas e contou às colegas que eu tinha conseguido arranjar um medicamento para o filho que está esgotadíssimo. Agradeceu-me efusivamente dizendo que eu era impecável acrescentando que eu era muito humana. Fiquei "sem jeito". É bom saber que o meu trabalho é valorizado, que o meu esforço tem frutos e que os meus actos podem fazer a diferença na vida das pessoas. Só que fico sempre um pouco incomodada quando me elogiam. 

E convosco, como é? Têm facilidade em receber elogios?

07
Dez19

Muleta tipo da linguagem

Charneca em flor

jovens-sentados-e-conversando-se-divertindo_21730-

 

Ontem fui jantar fora a um buffet de sushi que fica na cidade onde trabalho. A sala não é muito grande e as mesas para 2 pessoas são mesmo encostadas umas às outras, só têm uma balaustrada a dividir. É impossível não ouvir a conversa do lado já que as pessoas estão quase ao nosso colo. Sendo assim, ao meu lado estava um casalinho na casa dos 18/20 anos numa grande conversa o que é muito positivo porque uma boa comunicação resolve muitos conflitos. Mas não é isso que vem ao acaso. Eles sofriam de um caso grave de utilização de uma muleta da linguagem, aquela do "tipo". Já sabia que os jovens utilizam muito estas expressões como "tipo", "bué" (esta já é antiga), yá e por aí fora. Deram que falar as entrevistas de Conan Osíris e da rapper Nenny. 

É verdade que a língua não é estática e evoluí mas não deixa de ferir os ouvidos. Naturalmente que a minha geração também teve as suas expressões. Aliás, penso que já se utilizava o "bué" e lembro-me doutra bem gira, "coche" utilizado na frase "dá-me aí um coche", por exemplo. Quer dizer "dá-me aí um bocado". Acontece que "tipo" é um "coche" irritante. Os jovens usam esta palavra como uma vírgula da linguagem só que põe a vírgula demasiadas vezes no discurso. Tenho a impressão que eles diziam "tipo" de 2 em 2 palavras. Se calhar estou tipo a exagerar. Olha tipo já me contagiaram.

30
Nov19

Para preta já basto eu

disse ela

Charneca em flor

Como é habitual, o meu dia-a-dia profissional é um manancial de situações caricatas. Esta semana houve uma utente que me pôs a rir à gargalhada embora isso não seja difícil. Neste tempo em que se fala de extremismo, em que o adormecido racismo português acordou, em que se tem que ter cuidado com o nosso discurso para que seja politicamente correcto é sempre refrescante quando alguém se ri das suas próprias características. 

A senhora procurava uma escova de cabelo desembaraçadora específica. Tinha visto a divulgação dessa escova numa página de Instagram e diz-me assim:

- Se desembaraça o cabelo dela (a instagrammer), também desembaraça o meu. Ela também tem cabelo de preta como eu. Parece palha de aço.

Já não estou habituada a que as pessoas usem as palavras com este desassombro "preta como eu".

Só havia 2 cores de escova, cor de rosa/roxa e preta. Obviamente que ela escolheu a escova colorida:

- Levo esta, para preta já basto eu.

Tive que me rir, não estava nada à espera que ela se saísse com esta tirada.

Tantos eufemismos que nós arranjamos para falar destas características físicas das pessoas e esta senhora diz de si própria "para preta já basto eu".

28
Nov19

Falta de noção

Charneca em flor

Quando se trabalha no atendimento ao público, há sempre histórias para contar. Temos um utente que é daquelas pessoas que pensam que são melhores que os outros, que são seres superiores e que todas as pessoas lhe devem prestar vassalagem. Infelizmente, tivemos um problema com os medicamentos dele já que havia 2 que estavam esgotados desde Setembro, Acontece que não eram medicamentos insubstituíveis porque se tratavam de genéricos que podiam, facilmente, ter sido trocados por medicamentos de outros laboratórios. Acontece que ele queria aqueles laboratórios em específico. 

No dia em questão, ele voltou a reclamar sobre o assunto e os argumentos para nós lhe resolvermos o problema foram estes:

"Sabe, eu sou da classe média alta"

e

"Eu só venho a esta farmácia porque tenho muita consideração pela Dra F. (a patroazinha) mas pelas funcionárias não tenho consideração nenhuma"

Diga???

Tenho imensa pena que estas pérolas não tenham sido ditas ao pé de mim. É que eu tinha cá uma resposta na ponta da língua. Há pessoas que tem a mais completa falta de noção.

 

23
Nov19

no creo en brujas pero que las hay las hay

Ou não

Charneca em flor

Neste último ano da 2a década do Séc XXI, em que temos acesso a inúmeras funcionalidades através dum pequeno objecto que podemos transportar no bolso ou na mala, em que podemos ver, em tempo real, alguém que esteja do outro lado do mundo, em que as nossas informações viajam pelo ar graças à acção dos satélites que povoam a órbita terrestre, ou seja, neste tempo em que vivemos um avanço tecnológico com que nunca sonhámos, ainda é possível estar a ter uma conversa com alguém e ouvir:

- Eu não me quero encontrar com ela porque ela é uma invejosa. Ela até foi à bruxa por causa da S.. Ela disse-me que a S. tinha feito bruxaria para a prejudicar por isso teve que ir à bruxa para desfazer o que a outra lhe tinha feito.

Surreal .

Só me posso sentir grata  por não pautar a minha vida por crendices deste tipo. Os momentos difíceis acontecem porque têm que acontecer ou porque tomamos decisões erradas na vida que contribuem para que a vida não corra sempre sobre rodas.

 

29
Out19

A arte de decifrar os outros

Charneca em flor

No passado sábado fui a uma formação. Entre vários temas expostos, houve um que me chamou mais a atenção. O último palestrante foi Alexandre Monteiro e a sua prelecção teve como tema "Decifrar pessoas". A palestra foi muito interessante. Penso que a maioria de nós consegue intuir que a linguagem não verbal é tão importante como a linguagem verbal. Aliás há estudos que concluem que a linguagem corporal comunica mais do que aquilo que dizemos. É importante perceber o que os outros dizem através da sua postura quer em contexto profissional quer em contexto pessoal. Gestos tão simples como franzir a testa ou o nariz podem indicar, a uma pessoa atenta, de que não gostamos de algo. Os truques do Alexandre Monteiro vão poder ajudar-me a decifrar os meus utentes mas também poderão ser úteis para poder controlar melhor os meus gestos de modo a que a minha linguagem corporal facilite a compreensão da mensagem que pretendo transmitir. O Instagram de Alexandre Monteiro é muito esclarecedor e tem imensos exemplos de como podemos interpretar os gestos dos outros.

Eu digo muitas que o problema não é o que se diz mas o tom com que se diz. No entanto, tudo tem a sua importância seja a mensagem, o tom ou os gestos com que se comunica.

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O que acham desta imagem? Acham que o nível de interesse dos 2 intervenientes é o mesmo? O que será que esta imagem nos poderá dizer?

 

 

03
Set19

Cenas da vida de uma farmacêutica

Charneca em flor

O que eu gosto  de atender pessoas com o auricular na orelha. Vêm à farmácia para ser atendidos mas estão, ao mesmo tempo, a falar com alguém ao telemóvel. Depois fazem perguntas e eu fico sem perceber se estão a falar comigo ou com a pessoa do outro lado. Foi assim o último atendimento do meu primeiro dia de trabalho. Já passava das 20h, a porta já estava fechada e até já se tinha desligado a maioria das luzes. E o utente continuava, com toda a calma, a consultar a pessoa que estava a falar no seu ouvido e não se decidia. Tão bom para terminar o dia, não acham?!

10
Ago19

Os meus utentes não deixam de me surpreender #2

Charneca em flor

Ontem recebi um telefone, na farmácia, absolutamente surreal. Comecei por falar com um pessoa e acabei a falar com outra. A jovem, pelo menos pareceu-me jovem, tinha vergonha de falar por isso tinha pedido à amiga para telefonar. A pessoa em questão queria engravidar e não estava a conseguir. Disse-me que tentava há 6 meses e telefonou para perguntar se havia algum "comprimido que pudesse ajudar". Para além de lhe dizer que existe um suplemento que pode ajudar a melhorar a fertilidade, aconselhei a ter calma e não estar muito ansiosa já que a ansiedade pode atrapalhar nestas alturas.

Pergunta da jovem: "Porque é que diz isso?"

O meu pensamento foi "Porque se nota na voz que é ansiosa e porque uma gravidez não surgir ao fim de 6 meses é perfeitamente normal"

Mas só lhe fui dizendo para ficar menos ansiosa que a gravidez iria surgir. O que eu não estava à espera é que ela me dissesse:

- Mas é que nós temos relações sexuais todos os dias e de todas as maneiras e feitios. A Sra não tem noção.

Imagino que até tenha feito o pino. Esta jovem tem muito que aprender. Nas relações sexuais, sejam recreativas ou para reprodução, deve-se privilegiar a qualidade em vez da quantidade. Até porque a mulher só é fértil alguns dias por mês e ejaculações diárias prejudicam a qualidade dos espermatozóides.

Os utentes dizem muitas coisas que eu escusava de ouvir

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