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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

07
Mai19

Os meus utentes são mesmo engraçados

Charneca em flor

Ultimamente tenho andado mais atenta aos meus utentes. Ou então, tenho tido mais situações engraçadas.

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Temos uma utente bastante idosa. Vamos chamá-la de D. Maria. Acho que já passa dos 90 anos. Não sabe ler mas é inteligentíssima. É impossível tentar iludi-la seja de que forma fôr. Ontem foi à farmácia regularizar um medicamento que tínhamos enviado através de uma vizinha. A D. Maria é de boas contas. Então a esse propósito diz-me o seguinte:

- Sabe, eu não sou como o maltez de bronze. Ganha cinco e gasta onze.

É caso para dizer, rima e devia ser verdade para toda a gente.

Conheciam a expressão?!

09
Mar19

Ajudar ou não?!

Charneca em flor

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Ontem uma das minhas colegas contou-nos uma história insólita que lhe acontecera na noite anterior. Regressava a casa de carro com o marido numa estrada pouco movimentada através do campo. Reparam numa mulher que caminha pela berma, lanterna acesa e ar assustado. A minha colega convence o marido a voltar para trás para perceberem se a mulher precisava de ajuda. Acabaram por lhe dar boleia até ao local onde a pessoa tinha o carro, a muitos quilómetros de distância. Ao que parece, a mulher tinha ido a uma quinta naquela zona com o namorado e como se zangaram saiu porta fora e pensava ir caminhando até chegar ao carro que estava muito longe. 

O que fariam numa situação destas? Paravam para ajudar como a minha colega ou seguiam em frente? Quando fiz formação com o INEM, a médica formadora alertou-nos que, primeiro que tudo, está a nossa segurança. Numa situação similar podia-se, por exemplo, parar mais em frente, em local seguro, para alertar o INEM para a existência de uma pessoa, potencialmente em perigo, naquela estrada para que as autoridades prestassem auxílio. 

Desse lado, o que fariam?

24
Fev19

A resposta certa era...

Charneca em flor

Ontem fiz una pequena brincadeira e deixei aqui uma pergunta à comunidade sapense . Muito obrigada aos simpáticos colegas de plataforma Joana Marques, Marta Elle, Maribel Maia  e P.P. que tiveram a amabilidade de responder. Lamento informar que estavam todos errados. A resposta certa era a

e) Telefonam para as todas as farmácias, às 2h da madrugada, e se alguma atende, perguntam: "Está de serviço?" arriscando-se a que, do outro lado, respondam: "Não, eu gosto tanto do meu emprego que passo cá a noite!"

Pelo menos foi o que aconteceu no meu último serviço. Quer dizer não sei se a pessoa ligou para todas as farmácias mas acho graça imaginar que sim.

E também não respondi daquela maneira. Ou melhor, não disse mas pensei . Pensando bem, se eu estivesse a dormir, o que só acontece lá pelas 4h/5h da manhã, acordava com o telefone e assim estava bem desperta quando a pessoa chegasse.

23
Fev19

Pergunta à comunidade do Sapo

Charneca em flor

Se precisarem de saber qual é a farmácia de serviço, como é que fazem:

a) Consultam o Sapo Farmácias 

b) Consultam outro site informativo sobre as farmácias de serviço 

c) Consultam o teletexto (hum, será que ainda existe?)

d) Vão a uma farmácia para consultar a escala da vossa área de residência 

e) Telefonam para as todas as farmácias, às 2h da madrugada, e se alguma atende, perguntam: "Está de serviço?" arriscando-se a que, do outro lado, respondam: "Não, eu gosto tanto do meu emprego que passo cá a noite!"

 

10
Fev17

Shukraan Portugal

Charneca em flor

Shukraan Portugal é o título desta reportagem transmitida, ontem, pela TSF. Os jornalistas foram a Penela ao encontro dos refugiados que chegaram àquele concelho há 1 ano. Falaram com adultosce crianças e com quem os acolheu e os ajudou. Esta reportagem emocionou-me muito. Gostei, especialmente, de perceber como é que as crianças e os jovens ultrapassam barreiras como a língua e a religião. E a generosidade dos empresários que deram oportunidades de trabalho a estas pessoas. Alguns refugiados não estarão ainda satisfeitos mas alguns já estão a construir uma nova vida aqui. A população deste concelho do interior dá uma lição de generosidade e acolhimento a todo o país. Que estas pessoas possam ser felizes por cá.

 

P.S. - Shukraan quer dizer obrigada

06
Fev17

Irritações #3

Charneca em flor

Acabei de sair da minha noite de serviço. Não é um trabalho fácil mas é imprescindível. Se a população precisa, as farmácias devem estar disponíveis. Agora é preciso ver que atrás do vidro está uma pessoa que podia estar em casa a dormir confortavelmente mas está ali, disponível para ajudar. Não é uma máquina. Esta introdução serve para relatar o que me irritou esta noite (também acontece nos atendimentos diurnos mas à noite devo estar mais susceptível):

Passava das 5 da manhã e tocam à campainha. Estou acordada a ler e não levo muito tempo a atender. Mesmo durante a noite de serviço, esforço-me para saudar e cumprimentar as pessoas com a mesma simpatia com que o faço durante o dia. Entra uma senhora na casa dos 40/50. Digo "Boa noite", do outro lado silêncio absoluto. Estende-me a receita continuando a não dizer palavra. Pergunto se quer NIF na factura, estende-me o cartão do cidadão sempre em silêncio. Começo-me a interrogar: "Se calhar é muda". Digo o valor e a personagem dá-me o dinheiro. Finalmente antes de sair digna-se a falar (não era muda). "Boa noite e obrigada". Vá lá, redimiu-se no fim. 

É verdade que é o meu trabalho e que sou paga para o desempenhar da melhor maneira possível mas é assim tão difícil ser simpática para quem a atende?! 

Que tipo de sociedade estamos a construir?!

 

P.S. - Felizmente atendi uma senhora mais velha que até me pediu desculpa por incomodar. 

 

02
Fev17

Uma gracinha de um cegueta

Charneca em flor

Ontem chegou ao balcão um utente habitual da farmácia. Este senhor tem a particularidade de ser cego mas brincar com a sua deficiência. É habitual usar expressões como "bons olhos a vejam". Fazemos tudo para o ajudar e facilitar o atendimento. Qual não é o meu espanto quando ele me põe um embrulho em cima do balcão e diz: - Isto é só uma gracinha de um cegueta para vocês dividirem como irmãs. O pacote tinha uns salgadinhos. Fiquei comovida e quando lhe agradeci dizendo que não era preciso ter-se incomodado, ele responde-me: - Vocês são sempre tão gentis comigo. Só falta andarem comigo ao colo. Fiquei tocada, não pela importância do "presente" mas pela delicadeza do gesto. Não exerço a minha profissão à espera de presentes mas estes gestos recordam-me porque escolhi trabalhar em farmácia comunitária. Porque gosto, verdadeiramente, de pessoas.

20
Abr15

Lisboa está (mesmo) na moda

Charneca em flor

Hoje tive que ir ao centro de Lisboa para uma reunião. O local da reunião era na zona do Chiado. Normalmente utilizo os transportes públicos para ir a Lisboa porque é mais prático e vou mais descansada do que conduzindo o meu carro. No entanto, como hoje ia a meio do dia e a um edifício que tem estacionamento garantido, optei pelo automóvel. E arrependi-me tanto...  

Eu sei que Portugal precisa de turistas, que o turismo é uma das nossas mais importantes áreas económicas mas é preciso virem todos ao mesmo tempo? Fui obrigada a dar razão a esta crónica do Bruno Nogueira e do João Quadros, Tubo de Ensaio, na TSF. Lisboa foi, literalmente, invadida pelos turistas. Para todo o lado que se olhasse era ver grupos com guias, com mapas abertos e de máquinas fotográficas em punho. No meu percurso tinha que passar por uma rua de trânsito controlado e muito estreita e nessa rua lá estavam eles a interromper o trânsito para captar um qualquer recanto da nossa capital. Depois de estacionar o carro, tinha menos de 1 hora para tentar almoçar. Eu a andar apressadamente e os turistas a passear, naturalmente, ocupando os passeios. Enfim, parecia uma corrida de obstáculos. Agora já entendo as atitudes que se observa nos habitantes dos lugares turísticos que, muitas vezes, não olham com bons olhos para estas ondas de turistas. Vi isso quando estive, há uns anos, em Ponta Delgada e, segundo sei, os algarvios também não gostam muito das alterações ao seu dia-a-dia provocadas pelos turistas.

Concluindo, isto de Lisboa estar na moda é uma coisa muito bonita excepto para quem por lá trabalha ou vive. A não ser para quem vive do turismo...

 

Nota: A imagem não é minha porque não tive tempo. É daqui

31
Ago14

Sair da zona de conforto

Charneca em flor

 

A minha semana foi um autêntico reboliço. O equilíbrio do meu local de trabalho ficou comprometido com a repentina saída de uma das colegas a quem surgiu uma proposta para trabalhar no estrangeiro. Quando ainda há férias para tirar, ficámos com menos 1 pessoa. Numa pequena empresa, uma pessoa faz toda a diferença. Num primeiro momento dei-lhe toda a força e senti até alguma inveja pela sua juventude que eu já perdi e pelo espírito de aventura que eu nunca tive. Quantas vezes penso que devia ter passado por experiências destas quando tinha menos compromissos para honrar. Depois comecei a pensar que há valores que se foram perdendo e que levam a que alguns jovens sejam capazes de gestos absolutamente irresponsáveis. Naturalmente que ela é livre para seguir este novo caminho que escolheu mas sair em semana e meia é uma grande falta de consideração e gratidão pela proprietária da empresa, que a adorava e privilegiava acima das funcionárias mais antigas, bem como uma grande falta de respeito pelas colegas que vão ter que passar a trabalhar a dobrar para compensar a sua saída. Cada um de nós, enquanto trabalhador, para exigir direitos tem que cumprir os seus deveres. Parte de mim, deseja-lhe o melhor mas a outra parte está um pouco revoltada com esta saída intempestiva quando nada o fazia adivinhar. Os próximos meses vão ser muito cansativos. 

Para equilibrar esta semana, nada melhor que uma tarde bem passada entre amigos para que eu continue a acreditar nas pessoas, nos valores e na juventude. Excelente tarde com boa comida, boa bebida, boa conversa e uns mergulhos na piscina com água aquecida pelo sol. O domingo também promete ser agradável. a ver vamos.

26
Ago14

Cedo de mais para partir

Charneca em flor

Desde muito nova que decidi que iria trabalhar na área da saúde. Pensei em medicina mas nem cheguei a concorrer. Concorri a Ciências Farmacêuticas, a enfermagem e também a outras possibilidades na área das ciências que também me poderiam encaminhar, indirectamente, para a saúde. Acabei por ir mesmo parar a Ciências Farmacêuticas e já trabalho em Farmácia Comunitária há 15 anos. Gosto muito do meu trabalho, do contacto com as pessoas, de acompanhar várias gerações da mesma família. O farmacêutico tem um papel importante porque é o último profissional de saúde que contacta com o doente antes de ele ir para casa fazer o tratamento e muitas vezes também é a primeira pessoa a quem se recorre quando surge um problema de saúde. Eu vivo o meu trabalho apaixonadamente chegando a envolver-me emocionalmente com os problemas dos utentes. Hoje o dia começou de maneira triste mas prevísivel com a notícia da morte de uma mulher de armas que lutou durante 2 anos contra o cancro. 38 anos, a vida pela frente e 3 filhas para criar. Pobre mulher, partiu muito cedo, é sempre cedo demais para se deixar 3 filhas. Quando acompanhamos o evoluir destas patologias, o sofrimento dos doentes, quando olhamos no fundo dos olhos da filha mais velha que foi obrigada a crescer nos últimos meses ou o rosto da mãe que acabou de perder a filha mas que mostra, ainda, uma grande força e dignidade, os nossos problemas torna-se infinitamente mais pequenos. É impossível ficar indiferente porque eu tenho um coração grande demais e, para mim, as pessoas são mais do que números ou euros em caixa. Nem quero pensar se fosse médica ou enfermeira e tivesse que lidar com estas situações de perto constantemente. Não sei se aguentaria muito tempo.

Que a família da S.  possa encontrar consolo e paz. Ela já encontrou paz, finalmente.

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