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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

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16
Jan19

A Ode da polémica

Charneca em flor

Esta semana, a Porto Editora viu-se metida numa nova polémica.

Já em 2017, a editora tinha sido criticada porque lançou 2 livros de actividades diferentes, um para meninos e outro para meninas. Só se prova que viam  mais além. A nova Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, do Brasil, também diz que "menino veste azul e menina veste rosa". Se calhar era consultora da Porto Editora naquela altura.

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Mas adiante. Agora o problema é com um manual de português para o 12o ano. Ao que parece, Fernando Pessoa e os seus heterónimos fazem parte do programa. Os autores do livro escolheram o poema "Ode Triunfal" do heterónimo Álvaro de Campos mas, no livro do aluno, omitiram 3 versos. A situação foi denunciada depois de alguns estudantes terem ouvido a versão áudio. Os versos omitidos, ou censurados, utilizam linguagem considerada obscena e relacionada com pedofilia:

Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas; 

E cujas filhas aos oito anos - e eu acho isto belo e amo-o! 

Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

A justificação da Porto Editora é que omitiu os versos nos livros dos alunos porque aquelas frases poderiam perturbar e distrair os alunos. Assim o livro do professor tem o poema na íntegra. No entender dos autores e dos editores seria opção do professor abordar, ou não, estes versos consoante a turma.

Hoje falámos sobre isto lá na farmácia e a minha patroa estava muito chocada com os versos relacionados com pedofilia. 

Ó minha gente! Este poema foi escrito há mais de 100 anos. Repito, há mais de 100 anos. Os ditos versos podem-se justificar pelo contexto sócio-cultural da época em que foi escrito. Não podemos olhar para um poema publicado no início do séc. XX com os olhos do séc. XXI. As circunstâncias de então são muito diferentes das actuais  circunstâncias. Aliás, este poema é conhecido exactamente por ser um poema que choca com os cânones quer a nível da linguagem quer a nível do estilo. Uma verdadeira inovação na altura em que foi publicado originalmente, na revista Orpheu em Março de 1915. E, convenhamos, é tão extenso que o mais natural é que os alunos nem dessem por esses versos. 

O programa de português de 12o ano aconselha a escolher 3 poemas do heterónimo Álvaro de Campos mas não especifica quais. Se era para "trucidar" a obra, ao menos escolhiam outro poema. E evitava-se esta polémica.

P. S - Um homem em cuja cabeça viviam tantos outros homens tinha um certo nível de perturbação psiquiátrica, não acham?! Por isso mesmo é que era um génio. Um dos maiores poetas portugueses, muito mais apreciado fora de Portugal do que aqui neste nosso rectângulo. Típico. 

 

 

02
Ago18

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

Charneca em flor

Quando é que será que os políticos portugueses percebem que o que não é ilegal, pode, ainda assim, ser imoral?! Vem esta reflexão a propósito da mais recente polémica.

Fica aqui o meu conselho para os detentores de cargos públicos:

Quando aceitarem candidatar-se a um determinado cargo, ou quando tomarem posse, ou quando tiverem que defender a posição do vosso partido, espreitem bem para dentro dos armários... pode estar lá escondido um esqueleto.  E ninguém quer isso.

 

P.S - É uma pena que o vereador Ricardo Robles tenha saído da Câmara Municipal de Lisboa. Digam lá se não tornava o executivo bem mais interessante .

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19
Set17

Cuidado com a relva

Charneca em flor

As redes sociais, esses arautos dos bons costumes dos tempos modernos, arranjaram um novo alvo. Por estranho que pareça ainda há pouco tempo, toda a gente andava doida por esta personalidade ter escolhido Portugal para viver. Falo da Madonna. Pois que as redes sociais, os jornais, as televisões transformaram em notícia tudo o que a Madonna postava no Instagram. E uma grande parte dos portugueses inchou de orgulho. Pois que ela andava a cavalo na Comporta, pois que ela almoçava com o Nuno Gomes, pois que ela visitava o Mosteiro dos Jerónimos, pois que ela vai ouvir Fado ou Morna na Mouraria e por aí fora. 

madonna-3.jpg

 

Mas, há sempre um mas, nem tudo são rosas. Primeiro foi a Madonna que se queixou da burocracia em desalfandegar uma encomenda. Agora são as tais das redes sociais que se ofenderam com a publicação em que se vê os filhos a correm pela relva do Palácio de Seteais mesmo ao lado de uma placa que informar que isso não é permitido. Também achei que ela devia dar o exemplo e não escarrapachar os disparates das crianças no Instagram. Como mãe, a sua preocupação deveria ser ensinar a respeitar o património comum. No entanto também não acho que é caso para cruxificar a cantora e dizer, como já li, se era para isto ela que ficasse lá pelos EUA.

São crianças, senhores, são crianças. Quem é que nunca fez qualquer coisa proibida, como pisar a relva, conduzir acima do limite de velocidade, estacionar onde era proibido, tirar fotografias em monumentos onde não é permitida? Quem nunca fez nenhuma destas coisas que atire a primeira pedra. Deixem lá as crianças serem felizes e um bocadinho rebeldes.

Por mim, a Madonna não se ia embora só por causa disto. Podia era fazer um donativo ao Palácio de Seteais para ajudar a cuidar da relva. Ficava-lhe bem.

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