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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

10
Out19

Ainda as Legislativas

O que é orienta o sentido de voto?!

Charneca em flor

As eleições do último domingo continuam a dar que falar. A entrada de 3 novos, e pequenos, partidos na Assembleia da República parece ter causado grande surpresa na Comunicação Social. Não sei porquê já que penso que os meios de Comunicação Social contribuiram muito para a eleição de Joacine Katar Moreira (Livre), André Ventura (CHEGA!) e João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal). Digo isto na medida em que houve muito mais cobertura televisiva aos pequenos partidos do que era habitual. 

Dizia eu que os meios de Comunicação Social ficou tão surpreendida que, nos últimos dias, até foram descobrir aonde é que estes partidos tinham tido maior percentagem de votos.

Por exemplo, foi no concelho do Alvito, no Alentejo, que o CHEGA! teve maior percentagem de votos e a TVI foi até lá. Entrevistaram várias pessoas mas o que mais me incomodou foi um senhor que disse:

"Votei no Chega! por duas particularidades: uma é porque o André Ventura é do Benfica, essa é a primeira, e a segunda é porque ele é contra os ciganos, e eu ganho uma miséria e os ciganos é um disparate”, sublinhou José Valério, da mesma terra alentejana."

O que me choca não é ele ter votado no CHEGA! por causa dos ciganos, o que me choca é ele ter votado neste partido porque o seu líder é do Benfica.

Mas as preferências clubísticas são lá motivo para se decidir o sentido de voto? Mas está tudo louco? Eu também sou do  mas nunca votaria no André Ventura. Aliás, até me sinto envergonhada por ser do mesmo clube deste personagem .

07
Out19

A manhã seguinte

O novo Parlamento

Charneca em flor

Este será o aspecto da Assembleia da República nos próximos 4 anos

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O Parlamento está mais colorido, mais diversificado, mais plural. Mesmo que tenhamos que aceitar a entrada de um partido de extrema-direita como o Chega com o deputado André Ventura. É a democracia a actuar. 

Ainda não vi nada sobre isso mas a minha percepção é que haverá mais mulheres no hemiciclo. Não tive tempo de procurar números concretos mas acredito que não devo andar longe da verdade.

Três dos partidos mais tradicionais perderam deputados, o PSD, o CDS e a CDU. Poderá ser sinal de que as pessoas não se revêem nos seus discursos. Talvez fosse melhor renovarem as suas ideias sobre o país.

O PAN saiu reforçado o que pode ser problemático já que é um partido um pouco fundamentalista nalguns aspectos. 

A abstenção continua a ser elevada mas, desta vez, votaram mais eleitores devido à maior facilidade no voto antecipado e no recenseamento automático dos portugueses que vivem no estrangeiro.

Hoje haverá portugueses que não estarão satisfeitos com os resultados e que continuarão a reclamar nas redes sociais. Será que todos esses expressaram a sua opinião através do voto?!

03
Out19

Diogo Freitas do Amaral 1941-2019

Charneca em flor

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Diogo Freitas do Amaral faleceu hoje. Uma figura incontornável da política nacional, Diogo Freitas do Amaral marcou indiscutivelmente a nossa história. Fundou o CDS, foi vice-primeiro-ministro durante o governo AD (coligação PSD/CDS) mas, já neste século, foi Ministro dos Negócios Estrangeiros do PS num dos governos de José Sócrates, embora como independente. Esta sua opção foi muito polémica e mal vista pelo CDS/PP levando a que a sua fotografia fosse retirada da sede do partido no Largo do Caldas. Foi dos primeiros portugueses a ter um alto cargo internacional já que foi Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas nos anos 90.

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Mas, imagino que a maioria dos portugueses com mais de 40/50 anos se lembrarão de que Freitas do Amaral foi um dos protagonistas das Eleições Presidenciais mais renhidas da nossa democracia. Corria o ano de 1986. A direita uniu-se em torno de 1 só candidato, Freitas do Amaral. A esquerda tinha vários candidatos o que fez com que tivesse que haver uma 2a volta. Foi a única vez em que tal aconteceu. A 2a volta disputou-se entre Freitas do Amaral e Mário Soares e a campanha foi épica. Ninguém se poderá esquecer de Freitas do Amaral e a sua inseparável gabardina verde. Tudo indicava que Freitas do Amaral sairia vencedor porque as probabilidades estavam contra Mário Soares. No entanto, a campanha virou a favor do candidato do PS depois da célebre "bofetada", na verdade foi uma paulada, da Marinha Grande. O resultado final foi de 48,8% para Freitas do Amaral e 51,2% para Mário Soares.

Sejamos, ou não, apreciadores das ideias de Freitas do Amaral, que até foram evoluindo ao longo dos anos, temos que reconhecer o seu papel na construção da nossa democracia. Nos últimos anos provou que a verdadeira liberdade é pensarmos pela nossa própria cabeça, sem rótulos que nos "arrumem" num determinado lugar e sem receio das consequências que possam advir do nosso sentido crítico. 

Os políticos actuais têm muito a aprender com a história de vida destes políticos como Freitas do Amaral, Mário Soares, Sá Carneiro ou Álvaro Cunhal. Será que os políticos actuais teriam a mesma capacidade de lutar pelos seus ideiais como estes exemplos?

30
Set19

Já só falta uma semana. O país conta contigo

Charneca em flor

Já entrámos na última semana de campanha eleitoral para as Legislativas de 2019. Saem sondagens todos os dias o que não me parece uma coisa boa. "Afinal, se já está tudo decidido para que é que vou votar?" pensarão os eleitores com menos vontade de irem até às urnas. Mas não é verdade. Só no domingo é que tudo estará decidido e todos os votos contam. Eu percebo que a imagem que os nossos políticos têm dado nos últimos dias não ajuda a que as pessoas confiem neles.

A campanha do PS vai ficar irremediavelmente marcada pelo caso Tancos, infelizmente.  Mas também pelas incoerências de Rui Rio que tão depressa diz que não se pode julgar em praça pública como acaba ele próprio por julgar. 

Mas há muitas outras opções para além dos grandes partidos ou dos partidos que já tem assento parlamentar. Há pequenos partidos que também poderão ter uma palavra a dizer na futura constituição do parlamento. Porque o que se escolhe não é o futuro Primeiro-Ministro mas sim os deputados que estarão no parlamento português nos próximos 4 anos.

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Boletim de voto do meu distrito

Imagem daqui

Por isso vamos aproveitar esta última semana para investigar quem se candidata, em cada partido, no distrito onde votamos. E, para tentar perceber qual é o programa de cada partido para a próxima legislatura. Ou pelo menos, uma versão resumida porque só o PAN tem mais de 1000 medidas no programa .

 

Melhor frase da campanha: "Não me estique o dedinho" António Costa para Assunção Cristas no debate a 6 na RTP1.

24
Jul19

Há coisas que eu não entendo

Charneca em flor

Ainda gostava de saber porque é que os governantes, quando visitam os concelhos que tiveram incêndios, aparecem com o colete da Protecção Civil.

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Eduardo Cabrita, Ministro da Administração Interna 

Alguém acredita que vão fazer trabalho de campo?! Felizmente que, devido às conclusões  sobre os fogos de 2017, já só vão às zonas afectadas quando se chega à fase de rescaldo. Na verdade, se Presidente da República, Primeiro-Ministro e Ministros forem a correr para as zonas de incêndios logo no primeiro minuto, atrapalham mais do que ajudam. Isso só serviria para aparecerem nos meios de comunicação social. Sempre era mais um motivo de reportagem. 

 

24
Mai19

Dia 26, Dia E

Charneca em flor

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Hoje termina a campanha eleitoral para as eleições europeias. Estas eleições costumam ser as que estão mais distantes dos portugueses. Infelizmente porque as decisões tomadas na Europa são determinantes nas nossas vidas. É triste perceber que uma grande maioria dos portugueses nem sabe para que são estas eleições nem sabem sequer o nome dos eurodeputados que nos representam. A abstenção é sempre elevadíssima sendo ela a grande vencedora desta e de outras eleições mas nas europeias, a abstenção é ainda mais marcada. 

Não podemos continuar a olhar para o lado e deixar que outros escolham por nós. Pensando bem os nossos políticos têm uma certa culpa desta situação. Afinal, a campanha eleitoral não tem sido de grande elevação. Fala-se mais da política interna (mais entendível pelos eleitores) do que política europeia. Fazem-se acusações mútuas e nem se ouve falar de programa eleitoral ou de que medidas os candidatos pensam defender a nível europeu.

A comunicação social também tem a sua quota de culpa dando muita cobertura aos partidos maiores e pouco falando dos pequenos partidos que também são uma opção de escolha válida.

Agora, todos nós somos culpados pela nossa própria desinformação porque não procuramos informarmo-nos. Não podemos esperar ter sempre a "papinha feita". Podemos e devemos ir à procura de informação.

Não ir votar é uma falta de respeito pela memória de todos aqueles que lutaram para que as gerações actuais tivessem o direito ao voto.

Por isso, no domingo, mesmo com as temperaturas convidativas a passar o dia na praia, vão votar. Não ocupa assim tanto tempo. Não deixem que os outros continuem a escolher. Todos temos uma palavra a dizer e o voto é a maneira mais fácil de fazermos ouvir a nossa voz.

13
Mai19

Começa, hoje, a campanha.

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Hoje arranca a campanha eleitoral para as Eleições Europeias. Em Portugal ocorrem a 26 de Maio. Se a abstenção já é grande nas outras eleições, nestas costuma ser enorme. Isso é muito mau sinal a respeito da saúde da  nossa democracia. Porque é que se deixa que os outros escolha  por nós?! A maioria dos portugueses acha que estas eleições nada têm que ver com o seu dia-a-dia mas não podiam estar mais enganados. As decisões europeias são preponderantes para a nossa vida e é por isso que estas eleições são muito importantes. É verdade que a classe política não é muito bem vista por uma grande parte dos portugueses. Por vezes, quando ouvimos um candidato, é difícil perceber qual é o seu programa porque alguns ocupam a maior parte do tempo a atacar/acusar os adversários. 

Para podermos votar em consciência é preciso procurar conhecer os programas eleitorais, os princípios que cada candidato manifesta e os seus planos para o projecto  europeu. Se calhar, é  preciso procurar bem mas encontram.

Eu, da minha parte, tenho assistido ao programa "Debates europeias 2019" na RTP. Se  não viram, está disponível na RTP Play. A TSF também tem feito uma boa cobertura da pré-campanha com entrevistas aos principais candidatos. Esta rádio tem transmitido uma pequena rubrica, depois das 7h30m, chamada "Sabia que..." na qual divulga factos e informações relacionadas com a União Europeia. A rubrica está disponível em site da rádio. A informação existe. Há que saber procurá-la.

Eu sou europeísta convicta. Apesar de tudo, o país colheu muitos benefícios com a adesão à antiga CEE. Eu vejo como portuguesa mas também como cidadã europeia.

Dia 26 de Maio, o nosso futuro conta convosco. Não se esqueçam de votar.

 

 

 

 

 

 

 

 

29
Ago18

Volta, emigrante

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No passado fim de semana, António Costa anunciou uma medida que o PS pretende inscrever no próximo Orçamento de Estado. Será oferecido, entre outros incentivos, um desconto de 50% no IRS para portugueses que tenham emigrado, contra a sua vontade, durante os anos da Troika e que pretendam voltar ao país. Todos nos lembramos de que o anterior Primeiro-Ministro, Passos Coelho, aconselhou os jovens portugueses a sairem da sua zona de conforto e também nos lembramos das imagens no aeroporto quando os jovens se despediam da família em lágrimas.

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Ora, à primeira vista, parece uma bonita medida de incentivo ao regresso. Realmente, é uma pena que o país invista na formação dos jovens para depois serem outros países a usufruírem desse conhecimento. No entanto, acho discutível que seja uma medida justa. Consta que chegaram a emigrar 100 mil pessoas por ano. Será que todas elas emigraram por não terem alternativa? Ou emigraram porque o país era pequeno para as suas, legítimas, ambições? Ou porque quiseram "fugir" dos problemas que o país enfrentava? Até compreendo que se queira favorecer o regresso dos que partiram mas será justo para os que ficaram cá, a aguentar o barco, a pagar mais impostos, com ordenados congelados tantos anos? 

É preciso reflectir e perceber se esta medida anunciada se justifica porque traz benefícios ao país ou se tem alguma remota relação com as eleições legislativas do próximo ano.

29
Mai18

Dignidade de vida ou morte digna?!

Charneca em flor

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Daqui a umas horas, vários projectos sobre a eutanásia serão votados na Assembleia da República. O tema tem sido aflorado na comunicação social mas não considero que esteja a dividir o país. Tenho para mim que muitos portugueses nem têm conhecimento deste assunto. 

De entre os chamados temas fracturantes da sociedade, este é aquele sobre o qual eu não tenho uma convicção firme formada. Quer dizer, sou sensível a argumentos de ambas as partes.

Por exemplo, em relação ao aborto sempre fui contra e votei "não" nos 2 referendos. Sempre considerei que a anterior lei da Interrupção da gravidez já contemplava os casos onde é compreensível recorrer a esta intervenção. Tendo em conta que há métodos contraceptivos adequados a cada mulher, a cada casal e a cada realidade, na minha opinião, não se deveria recorrer à interrupção da gravidez como método de controlo da natalidade. Fico espantada como, no séc. XXI, ainda há tantas mulheres que utilizam mal os métodos contraceptivos, por falta de conhecimento ou por pura irresponsabilidade, comprometendo a sua eficácia.

Já quando penso na eutanásia, fico muito dividida. Por um lado, acho que o Estado deve disponibilizar o acesso aos melhores cuidados de saúde possíveis, sejam eles preventivos, curativos ou paliativos. Essa deve ser a principal preocupação, principalmente no que diz respeito a doenças graves, incapacitantes ou terminais. Por outro lado, também compreendo o argumento de que as pessoas têm o direito de morrer com dignidade e com o menor sofrimento possível. Aceito que algumas patologias podem provocar um sofrimento atroz e sem sentido. Compreendo que o desespero possa levar a pessoa a considerar essa opção final. No meu dia-a-dia, ouço tantos idosos dizerem: "Mas o que eu ando cá a fazer?" e eu tento sempre arranjar algo de positivo nas suas vidas mas a verdade é que, às  vezes, fico sem argumentos.

Não sei o que faria se estivesse numa situação de doença incurável ou o que sentiria se alguém da minha família me dissesse que queria recorrer à eutanásia para se libertar da dor.

Ainda bem que não estou na pele dos deputados. O que quer dizer que, se houvesse um referendo, provavelmente votava em branco. Dos 2 lados da barricada, há argumentos válidos e lógicos. 

Veremos o que se segue.

23
Out17

Vão até lá, srs deputados

Charneca em flor

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Marcelo Rebelo de Sousa em Midões, Tábua

Imagem daqui

 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tem andado pelos concelhos afectados pelos incêndios do passado domingo. Tem visto os estragos nas habitações e nas indústrias e tem-se encontrado com os familiares das vítimas mortais. Marcelo tem estado presente e tem dado o consolo possível dadas as circunstâncias. Ontem ouvi-lhe uma exortação que tem toda a lógica. Dizia ele que achava que seria útil irem delegações de deputados a estes locais. Não só os deputados eleitos por aqueles círculos mas deputados de todas as regiões para terem uma "exacta noção da situação".

Acho que tem toda a razão mas não é só agora e naqueles lugares que os deputados deviam ir. E não só eles mas também os ministros e os secretários de estado. Afinal, são eles que aprovam ou não as leis e as medidas que vão influenciar as nossas vidas. A maioria não faz ideia do que é o país que fica fora dos centros urbanos. Não fazem ideia do que é o país real, muito para além do país que imaginam entre as paredes da Assembleia. 

Excelente ideia, Sr. Presidente. Agora é só uma questão de aceitarem o repto lançado.

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