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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

25
Jan21

Inacreditável mas previsível

Charneca em flor

Ontem só me consegui deitar quando já faltavam poucos concelhos para apurar. Estive à espera para ter a certeza que Ana Gomes ultrapassava André Ventura o que, de facto, aconteceu. No entanto, o 3o lugar daquele candidato não me deixa nada sossegada. Não consigo acreditar que quase 500 mil portugueses votaram em André Ventura. Dói-me verificar que, quer no concelho onde trabalho quer no concelho em que vivo, o candidato de extrema-direita ficou em 2o lugar. Como é que é possível que as pessoas não consigam ver o risco que se está a correr?! Eu percebo que as pessoas se sintam insatisfeitas com o estado do país, da Europa e do Mundo. Foi em épocas assim que estas teorias avançaram, no passado. Mas têm mesmo a certeza que querem viver num país comandado pelos princípios do Chega?

Larguem as redes sociais e leiam livros de história, procurem informação em fontes fidedignas, percebam o mundo onde vivem e como é que chegámos a este ponto. E percebam quais são os meios de comunicação social verdadeiramente independentes porque a Comunicação Social também deve assumir a sua quota-parte de responsabilidade no surgimento deste tipo de forças. Ponham a mão na consciência e descubram qual é o caminho que querem trilhar.

23
Jan21

Dia de Reflexão

Charneca em flor

eleicoes_legislativas_2019_1.jpg

Hoje é dia de reflexão. Já não se compreende a existência deste dia no qual não se pode fazer campanha eleitoral. Em primeiro lugar porque já muitas pessoas votaram antecipadamente no passado domingo e nessa altura a campanha não parou. Em segundo lugar porque qualquer pessoa pode ver as iniciativas dos candidatos vendo as notícias na internet ou utilizando os diapositivos da televisão que permitem ver os blocos noticiosos de ontem. Actualmente, dia de reflexão não tem qualquer lógica.

Neste ano complexo, este dia podia ter sido aproveitado para desdobrar o dia das eleições e evitar os ajuntamentos que se viram no passado domingo.

Entre a classe política e os comentadores de serviço há um medo generalizado de uma acentuada abstenção também ela provocada pelo medo que as pessoas têm da Covid-19.

Aliás, existem vários factores que já não se conseguem alterar que já provocar uma abstenção voluntária. O voto dos emigrantes não foi devidamente acautelado porque nestas eleições não é permitido o voto por correspondência. Os emigrantes que quisessem votar teriam que se deslocar aos consulados que podem ser muito distantes do seu domicílio. Para além disso, temos as pessoas que estão em isolamento por estarem contaminadas com Covid-19 ou por isolamento profiláctico por contacto próximo com casos positivos. As autarquias foram recolher os votos a casa das pessoas mas só se podiam inscrever aqueles cujo isolamento tivesse sido decretado até dia 14 de Janeiro. Tendo em conta a progressão exponencial de casos há milhares de pessoas impedidas de votar. Deveria ter sido prevista esta situação e ter-se continuado a recolher esses votos adiando a divulgação dos resultados, por exemplo. Ou avançar definitivamente com o voto electrónico que permitisse que qualquer pessoa votasse a partir de casa, por exemplo.

Por tudo isto, quem tem a possibilidade de ir votar tem uma responsabilidade acrescida, a meu ver. Se não estás impedido de ir votar, amanhã põe a tua máscara, o teu desinfectante, tua caneta, mantém a distância e vai. Ir votar é tão perigoso como ir ao supermercado mas é igualmente essencial. Não deixes que outros escolham por ti.

22
Jan21

Uma caixa de pastilhas na campanha eleitoral

Charneca em flor

Ontem as televisões mostraram imagens de uma manifestação violenta, com arremesso de objectos, junto a uma iniciativa de campanha do candidato André Ventura.

JCC-Ventura-em-Setubal-01-1-1600x1067.jpg

Assim não vamos lá. Para "derrotar" as ideias xenófobas, racistas e retrógradas deste indivíduo é preciso mais inteligência do que actos violentos. Uma vez que a sua candidatura foi considerada válida, o candidato tem todo o direito de fazer campanha até porque o estado de emergência não impede actos políticos. A democracia não está suspensa.

Podemos questionar como é que o regime democrático permitiu o surgimento destes fenómenos de extrema-direita. Aonde errámos como sociedade para que estas pessoas aparecessem no panorama político? É importante confrontar os adeptos deste senhor com ideias e não com pedras.

Há mesmo quem acredite que André Ventura é anti-sistema?! Ainda há poucos anos ele foi candidato autárquico pelo PSD. Não, André Ventura não é anti-sistema. Ele, apenas, deu mediatismo à "conversa de café". Aliás, nos debates percebeu-se que ele não é capaz de discutir uma ideia que seja. Limitou-se a falar mais alto do que os outros candidatos.

Estes actos violentos, bem como as piadas dos humoristas, só vão servir os objectivos deste indivíduo. Ele, e os seus seguidores, vão-se vitimizar. E isso até pode funcionar a seu favor.

Os leitores mais novos não se devem recordar da famosa paulada da Marinha Grande a Mário Soares. Decorria a campanha para a primeira volta das eleições presidenciais de 1986. A Marinha Grande era hostil a Mário Soares mas o candidato insistiu em lá ir. Era esperado por um grupo de oponentes e gerou-se uma situação de violência tendo o candidato levado bofetadas e pauladas. Antes deste incidente as sondagens não eram favoráveis a Mário Soares mas, depois do sucedido, o candidato usou esta situação a seu favor levando-o a conseguir levar as eleições para uma 2a volta que acabou por vencer.

Por fim, só quero dizer que se querem votar como forma de protesto, votem antes no Vitorino Silva, mais conhecido como Tino de Rans. Votar em André Ventura como protesto é muito arriscado. Depois não se venham lamentar.

Não estou a comparar estes dois políticos que isso até é ofensivo para Mário Soares. Só quero dizer que estes actos violentos podem ser contraproducentes e levar a resultados contrários ao que se pretende.

24
Jan16

Marcelo sucede a Cavaco

Charneca em flor

imagem daqui

Faltava 25 minutos para as urnas encerrarem quando eu exerci o meu dever de não engrossar a abstenção. Até ao último momento é possível, basta que as pessoas tenham vontade. Mais uma vez a vencedora foi a abstenção. 51,22% dos eleitores optaram por não ir votar. Obviamente que haverá uma margem de erro devido à desatualização dos cadernos eleitorais mas mesmo assim há uma imensa maioria (4.912.461 dos eleitores) que não liga às eleições ou então deixaram de considerar que o seu voto conta. Os políticos não têm sabido atrair as pessoas, antes pelo contrário. Mesmo os candidatos desalinhados com os partidos não conseguiram mobilizar as massas.

Marcelo Rebelo de Sousa foi a escolha de 52,11% daqueles que se deslocaram às secções de voto. O seu dircurso de vitória foi no átrio da Faculdade de Direito onde era, até agora, professor. Fez-se esperar e teve uma entrada apoteótica rodeado de seguranças. Ao contrário do que é hábito, o discurso não foi improvisado. Estava com um ar mais solene, já institucional. Aproveitou para falar de consensos, da necessidade de estabilidade e dos tempos difíceis que se avizinham.

O PS foi um dos derrotados da noite como seria de esperar ao haver 2 candidatos ligados ao PS mas sem serem claramente apoiados pelo partido. Mesmo assim, o resultado de Sampaio da Nóvoa até nem foi mau tendo em conta que há poucos meses era quase um desconhecido. Maria de Belém teve, também, um péssimo resultado. Outro grande derrotado foi o PCP já que o seu candidato só atingiu 3,91% da votação. O PCP tem que repensar as suas acções, talvez refrescar a imagem. Quem sabe arranjar uns candidatos mais jovens, por exemplo. O que leva a outro vencedor nesta noite, o Bloco de Esquerda. Marisa Matias conseguiu 10,12% dos votos ficando à frente de Maria de Belém. Tal deve-se, na minha opinião, à sua imagem fresca, à sua mensagem, à sua reconhecida competência política. A direcção do BE tem sido inteligente nas escolhas que faz e na maneira como se apresenta ao eleitorado. 

Outro dado a reter, e que devia fazer pensar os políticos, é o facto de Vitorino Silva, o Tino de Rans, ter sido escolhido por quase 150 mil pessoas. Há distritos em que ficou à frente de Edgar Silva e mesmo de Maria de Belém. Um candidato que foi muitas vezes ridicularizado e que até participou, no passado, num reality show. Mais uma prova de que os portugueses estão desiludidos com os políticos habituais.

 

P.S. - Uma das melhores frases da noite: "Marcelo quer ser o Presidente Betadine" por André Macedo na Hora Seguinte da RTP

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