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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

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08
Mai21

Recordações da adolescência

Charneca em flor

Aqui há dias fui surpreendida por uma mensagem de whatsapp de uma das minhas amigas mais antigas. Tratava-se de uma foto cuja existência eu ignorava. A imagem tinha sido captada na festa do 17° aniversário dessa minha amiga, ou seja, tem quase 30 anos (!!!!).

Fiquei perplexa por vários motivos. Primeiro porque me custa a acreditar que já passaram 30 anos e depois porque dei por mim a achar-me gira naquela fotografia. Nas imagens mentais e difusas que guardo da minha adolescência, vejo-me sempre muito feia. Eram épicas, as cenas de choro em frente ao espelho em que eu me lamentava da minha fealdade. Na verdade, a natureza não me presenteou com traços de grande beleza física mas a maturidade tem a vantagem de nos ensinar a lidar com as nossas limitações. Hoje em dia, continuo a não ser uma beldade, estou mais gorda, tenho celulite e algumas rugas, mas já não choro em frente ao espelho. Na maioria dos dias, gosto da imagem que o espelho reflecte. E também me tornei uma pessoa mais confiante e segura embora a insegurança ainda apareça esporadicamente.

Passados 30 anos, olho para a minha imagem de adolescente com um olhar mais complacente e brando. Afinal, nem era assim tão feia e, na verdade, a nossa maneira de ser, o nosso eu interior, reflectem-se na nossa imagem exterior e transformam-nos numa pessoa interessante o que é muito mais importante do que ser uma pessoa muito bonita mas vazia. O tempo que eu perdi a ter pena de mim própria.

13
Dez20

Foto da semana 50/52

Charneca em flor

Como estou a participar no desafio fotográfico da Maria, Sorrisos de Natal, tenho-me dedicado mais a captar imagens.

Sendo assim, a imagem da semana  é esta

IMG_20201127_211648.jpg

O tema deste dia era "Memória". A visão destes chocolates, fantasias de Natal, despertam-me as mais doces recordações. Quando eu era criança, era todo um processo. O meu pai ia comprando os chocolates a pouco e pouco e guardava para depois os colocarmos na Árvore de Natal. Depois do Natal, eu estava sempre ansiosa para desmanchar a árvore para os poder comer.

14
Out20

Desbloqueadores de memórias

Charneca em flor

Às vezes penso que o meu cérebro apagou tudo o que aconteceu antes do acontecimento dramático que marcou toda a minha existência. Só que depois encontro um objecto, um aroma ou uma palavra, como aconteceu na semana passada com o desafio #passa-palavra da Mula e da Mel, que reabre a minha memória. A minha infância está envolta numa névoa mas, de vez em quando, lá aparece um raio de sol que ilumina os acontecimentos passados e os traz para a frente dos meus olhos. Obrigada, Mula e Mel, por me terem ajudado a recordar.

lapis-de-cor-GI-425x318.jpg

 

15
Jul20

Memórias no posto de gasolina

Charneca em flor

O bairro onde cresci desenvolveu-se em redor do posto de abastecimento de combustível que é o estabelecimento mais antigo daquela zona. Há uns anos, este posto sofreu uma grande remodelação para se transformar numa loja muito conhecida desta área dos combustíveis,  sabem qual é? O nome começa por "T" e acaba em "angerina". 

Ontem, enquanto pagava, recuei cerca de 40 anos até aos anos 70/80 e encontrei a criança que fui naquele mesmo lugar. Na minha memória surgiram as mesas de fórmica, o balcão frigorífico onde se perfilhavam garrafas de sumol e leite ucal, a vitrine dos bolos, o colorido dos rebuçados avulso e dos chupa-chupas.

Era ali, no café da bomba, que o meu pai me comprava rebuçados "bola de neve" e  a minha avó me comprava aqueles pequeninos pacotes com 4/5 bolachas maria no dia em que regressava a casa depois de nos fazer uma visita.

Nunca a menina que fui imaginaria que, um dia, iria estar ali a abastecer o carro, pagando com cartão multibanco* e utilizando uma aplicação no smartphone** para obter desconto. 

Às vezes ainda me sinto aquela menina tímida e desajeitada e nem acredito que já passaram tantos anos. Algumas destas memórias ainda estão tão nítidas na minha cabeça. Só que o mundo evoluiu tanto desde a minha infância.

 

*O cartão multibanco foi introduzida em Portugal em 1985 mas os terminais de pagamento automático só existem desde 1987.

**Os telemóveis começaram a ser comercializados em 1983 e os primeiros smartphones apareceram no mercado em 2007.

05
Nov19

Sabores de outros tempos

Os meus queijos preferidos

Charneca em flor

O tema do Desafio dos Pássaros da passada semana levou-me de regresso à infância. E fiquei com tantas saudades desse tempo feliz. Por coincidência, este fim-de-semana encontrei, numa feira, uma das minhas guloseimas preferidas desse tempo. A minha memória vive, não só das recordações que guardo no coração, mas também de cheiros e sabores. A guloseima de que falo, estranhamente, não é doce. Em miúda eu adorava doces, realmente. O que eu comprei na feira foram uns belos queijinhos alentejanos, daqueles que cheiram muito mal, carregados de sal e muito, muito duros.

Se bem me lembro, os queijos são melhores em determinada altura do ano, penso que na Primavera. Ora a minha avó comprava queijos para todo o ano. Para esses queijos se conservarem tinham que ser envoltos em sal e eram armazenados em azeite. Parece que estou a ver o pote cheio de queijos . Esse era o meu lanche preferido, uma bela fatia de pão alentejano e um pedaço daquele queijinho salgado. E, invariavelmente, ouvia a minha mãe: "- Esse bocado de queijo que vais comer, dava para mim e para os meus irmãos". Sempre, a minha mãe dizia sempre isto. Coitados dos meus tios, a minha mãe deve ter sido uma irmã mais velha muito rígida.

Os queijos que comprei não têm o sabor exacto* que guardo na memória mas cumprem bem o seu papel de alimentar a minha saudade.

 

*A memória dá uma certa patine aos sabores. Nada do que recordo da minha infância me sabe de maneira igual.

17
Mar19

Foto da Semana 11/52

Charneca em flor

IMG_20190313_075946.jpg

O meu ramo de túlipas foi a imagem mais apreciada do Instagram do blogue. Comprei este ramo num supermercado e eram bem bonitas. Quando procurei uma jarra para as pôr, bati com os olhos neste jarro.

Segundo a minha mãe, este tipo de vidro chama-se vidro amarelo. Veio da casa do meu avô paterno há muitos anos. O meu avô, o tal que me chamava ciganita, faleceu quando eu tinha 9/10 anos. Deixei de ir à casa onde ele morava nessa altura. Era uma casa muito engraçada para uma criança com um quintal bem simpático. Guardo gratas recordações da casa e das brincadeiras com os meus primos. 

Só voltei a essa casa já adulta, poucos dias antes da escritura de venda. Eu, a minha mãe (o meu pai já tinha falecido por isso a minha mãe e eu éramos herdeiras da parte dele)e os meus tios fomos esvaziar a casa. Fiquei muito surpreendida quando lá entrei. Na minha memória de criança tinha ficado a imagem de uma casa bem maior. Na realidade, a casa tinha umas divisões bem pequeninas .

Fiquei com alguns objectos do recheio da casa como, por exemplo, este jarro e uma garrafa de mesa de cabeceira feita do mesmo tipo de vidro. Nunca o tinha retirado do armário. Um desperdício. Se calhar, já não volta para lá.

25
Jan19

15 anos depois

Charneca em flor

feher1.jpg

Ainda tenho tão presente a imagem do Feher a cair inanimado no relvado e já passaram 15 anos. Impossível esquecer as imagens daquele jogo, dos outros futebolistas quer do Benfica quer do Guimarães, das equipas técnicas. Foi o momento mais triste de qualquer benfiquista. Inesquecível, o sorriso com que te despediste. Espero que a tua família possa ter encontrado consolo ao longo destes anos. Afinal partiste com um olhar feliz.

09
Dez18

Foto da semana #49

Charneca em flor

Hoje a foto da semana chega em dose dupla já que há 2 imagens com igual número de 

IMG_20181206_154403.jpg

Costa de Caparica, 6 de Dezembro de 2018

Na passada 5ª feira estive de folga devido à noite de serviço. Antes de ir dormir umas horas, houve tempo para ir ver o mar o que já não acontecia há muitas semanas. Estava um dia lindo e valeu bem a pena. Mesmo sem dormir, deu para repousar o espírito.

IMG_20181208_162136.jpg

Vinho de talha, Cabeção, Concelho de Mora, 8 de Dezembro de 2018

Participar na Prova do Vinho Novo em Cabeção já é uma tradição nossa de há alguns anos. Acontece sempre no início de Dezembro e o vinho desta vila alentejana tem a particularidade de ser produzido em talhas de barro. Esta forma tradicional de fazer vinho acontece em várias terras alentejanas. Os munícipios onde isso acontece estão, até, a preparar a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco.

A vila de Cabeção é muito especial para mim porque passei lá todos os Natais da minha infância e do ínicio da adolescência. Depois de perder o meu pai e de a minha mãe começar a trabalhar num estabelecimento comercial, comecei a ir só lá almoçar no dia de Natal. Os meus avós viviam lá e os meus tios ainda moram por aqueles lados. Se não conhecem, aconselho a visita ao Munícipio de Mora. Tem imensos pontos de interesse e para quem gosta de comer (e de beber um bom vinho) vale a pena a visita.

Bom domingo.

 

 

 

 

05
Out18

Desafio 52 semanas #40

Charneca em flor

mulher-cheira-perfume-flor-size-620.jpg

 

Adoro o tema desta semana. A memória olfactiva tem, para mim, uma grande importância. Há cheiros que, assim que os sinto, me transportam para momentos felizes. Infelizmente alguns aromas também me transportam para momentos infelizes mas desses não vamos falar agora. Assim aqui ficam os aromas da minha vida.

- Roupa acabada de lavar

- Relva acabada de cortar

- Terra molhada depois de um dia de chuva

- Alfazema - este aroma leva-me de volta ao sul de França, mais precisamente, a Marselha. Lá é impossível fugir deste aroma, sente-se a cada esquina.

- Coentros - lembra-me a minha avó que me mandava apanhar os coentros para a açorda e eu nunca conseguia distinguir entre os coentros e a salsa.

- Chocolate e café, os meus maiores vícios

- Maçãs mas as verdadeiras, as que se apanham das árvores e não as que se "apanham" nos supermercados. Lembra-me o Outono porque é a altura de as apanhar.

- Mercados de rua em que se sentem os aromas de todas as frutas e legumes ao mesmo tempo. Recordo um mercado onde vou muitas vezes, o Mercado da Fruta das Caldas da Rainha mas também os mercados de rua típicos das cidades francesas, principalmente.

- O coelho estufado da minha mãe. Delicioso.

- Limão. Este aroma leva-me para Itália e lembra-me Limoncello, uma bebida maravilhosa mas perigosa.

- O aroma que se liberta das dunas. Já tentámos investigar e parece-nos que o aroma a que me refiro vem de umas flores amarelas que, quando secas, libertam um aroma cativante.

- Maresia. Palavras para quê? É o aroma da indolência, das férias junto ao mar. E também me leva para o restaurante de La Coruña onde comi os melhores mexilhões da minha vida.

- Canela, o aroma do Natal em família,das filhozes da minha avó na infância ou das filhozes e rabanadas do A. nos últimos anos.

 

Muitos "cheiros" ficaram esquecidos mas já se percebe que a minha memória vive muito do olfacto. Hoje cheira-me a feriado, um feriado que estava mesmo a apetecer porque os últimos dias foram excepcionalmente cansativos a nível físico e mental. Bom feriado.

 

23
Set18

Foto da semana #38

Charneca em flor

IMG_20180921_140151.jpgUm dos meus outfits da passada semana foi a imagem mais votada do instagram do blogue. Sempre que visto uma saia comprida lembro-me do meu avô João. Era o meu avô paterno e faleceu quando eu tinha 9/10 anos. Chamava-me quase sempre "ciganita" mas esta alcunha tinha alguma razão de ser. A verdadeira responsável por esta alcunha foi a minha mãe. Uma das principais características da minha mãe sempre foi o seu jeito para a poupança, essencial nas décadas de 70/80. Durante muitos anos, o meu pai era o único a trabalhar lá em casa. Nunca senti falta de nada mas não havia espaço para luxos. Para além disso também não havia tanta possibilidade de comprar roupa mais barata como hoje em dia. As peças de roupa tinham que durar muito tempo. Como eu era muito magra (bons tempos) e, de ano para ano, crescia mas não engordava, a minha mãe arranjou uma estratégia infalível para as minhas saias durarem mais tempo. Quer fossem compradas ou feitas por ela, eram quase sempre compridas. Assim podia continuar a vesti-las durante mais tempo. Eu ia crescendo, a cintura era a mesma e a saia ia ficando ligeiramente mais  curta. Lembro-me de uma saia de pregas de que gostava muito que durou desde a 1ª à 4ª classe. 

Ora quando o meu avô me via com uma saia comprida, típica das mulheres de etnia cigana, dizia : - olha, lá vem a ciganita. E ciganita fiquei até ao fim da sua vida. Durante a adolescência tornei-me adepta das mini-saias já que era moda mas também como forma de contrariar a mania das saias compridas que a minha mãe tinha. Foi a minha forma de rebeldia mas, na verdade, sempre gostei de saias compridas. Adoro o aspecto imponente que me conferem e deliro com o movimento do tecido à volta das pernas. 

 

P.S. - Atenção que a palavra "ciganita" é usada neste post com muito carinho e sem sentido depreciativo. Nesta época do politicamente correcto é sempre bom fazer esta ressalva.

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