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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

03
Mai19

Os meus utentes não deixam de me surpreender

Charneca em flor

As noites de serviço são sempre fonte de inspiração. As pessoas que vão à farmácia a altas horas são, quase sempre, muito sui generis. Esta semana voltou a acontecer uma situação que já é recorrente. Já deviam ser quase 2 h da manhã. Tocam à campainha. Era um casal jovem. O rapaz entra decididamente e a miúda fica timidamente junto à porta entreaberta. 

O diálogo foi  mais ou menos este:

- Era um medicamento para a tosse seca.

- E há quantos dias tem tosse?

Ar atrapalhado e:

- Uns 2 dias.

Eu continuo a indagar se há outros sintomas para perceber se a tosse está no início ou não. Explico porque é que estou a fazer tantas perguntas mas o rapaz não sabe responder até que diz:

- O medicamento é para ela - e aponta para a jovem tímida.

- Ah, sim? Então diga-me lá há quanto tempo tem tosse?

- Há 1 semana.

Perante esta resposta lá decido que medicamento dispensar.

Vou buscar o medicamento e explico como se toma. Diz o rapaz:

- Olhe já agora, é uma caixa de preservativos.

Basicamente, a razão inicial para vir à farmácia de serviço são os preservativos mas, muitas vezes, as pessoas pedem outras coisas para que fique a ideia de que se lembraram dos preservativos por acaso. 

É muito frequente, principalmente entre os jovens, não pedirem logo os preservativos. Umas vezes são pastilhas para a garganta e preservativos. Ou uma caixa de Ben-u-ron e preservativos. 

Jovens, não precisam de ter vergonha. Para um/a farmacêutico/a não tem nada de anormal vender uma caixa de preservativos. Não tem mal nenhum precisarem desse artigo. Até é bom sinal. É sinal de sabem prevenir uma gravidez indesejada ou a transmissão de doenças sexxualmente transmissíveis. É sinal de que são cidadãos responsáveis e não se deve ter vergonha disso. 

14
Nov18

Gripe masculina

Charneca em flor

Começo já por dizer que, para mim, não devia haver publicidade a medicamentos. Já o devo ter repetido várias vezes por aqui. Vem isto a propósito desta publicidade

O laboratório Merck, S.A. achou que era boa ideia utilizar o estereótipo de que os homens, com gripe ou constipação, ficam logo a morrer e as mulheres têm que largar tudo para tratar deles. O spot está tão bem feito que uma utente, professora de profissão, me contou que os alunos achavam que agora havia antigripais exclusivos para homem. Acho muito discutível que uma empresa replique estes "papeis" tradicionais dos homens e das mulheres para vender antigripais. Qual é a vossa opinião? Há uma gripe masculina e uma gripe feminina? Como é na vossa casa?

20
Out17

O adeus de Francisco George

Charneca em flor

Informal_meeting_of_health_ministers_(iEPSCO)._Han

Hoje é o último dia como Director Geral de Saúde de Francisco George. Este médico, especialista em Saúde Pública, tem sido uma figura tão marcante que dá impressão que toda a vida exerceu este cargo mas, afinal, só foi nomeado em 2005. No entanto, em 1992 era Chefe de Serviço de Saúde Pública e Sub-director Geral de Saúde  em 2001. Quer como cidadã quer como profissional de saúde tenho, muitas vezes, prestado atenção às suas declarações ao longo dos anos.

Na altura da Gripe das Aves, os farmacêuticos foram convocados para uma palestra sobre o assunto em que ele era um dos palestrantes (o outro era um especialista em Microbiologia que tinha sido meu professor e pelo qual não tinha grande simpatia). Não fiquei com grande opinião dele. Pelo contrário, durante o surto de Legionella de Vila Franca de Xira, até lhe apreciei a postura. Mas sempre achei que era uma pessoa muito fria. 

A sua postura séria e circunspecta pode ter origem na sua história pessoal. O médico perdeu a esposa e uma das filhas em 2006 no mesmo acidente. Muitas vezes, conhecer alguns factos da vida pessoal de uma figura pessoal pode humanizar a pessoa aos nossos olhos e compreendê-la melhor. Para além disso, o médico trabalhou em muitos projectos de Saúde Pública em Africa. Imagino que viu situações bem mais graves do que aquelas que temos vivido por aqui. Dantes não simpatizava com o senhor, agora acho que vou ter saudades dele.

Boa sorte, Dr. Francisco George, na nova fase da sua vida.

22
Set17

Não se pode ir ao médico

Charneca em flor

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Desde que aconteceu aquele problema com os meus olhos que pensei que este ano tinha que tomar mais cuidado com a minha saúde. E  foi o que fiz. Comecei por marcar uma consulta de ginecologia para fazer a citologia, mamografia, análises e por aí fora. A consulta foi no fim de Junho, fiz os exames em Agosto e fui à consulta ontem.

Na mamografia e ecografia fiquei assustada porque me detectaram alguns microquistos e repetiram a mamografia porque o médico via uma mancha na mama esquerda. Felizmente verificou-se que não tinha significado.

Na ecografia ginecologica, o médico não disse grande coisa mas pela maneira que falou fiquei a achar que estava tudo bem.

Ontem voltei à consulta para mostrar os exames. As análises e a citologia estavam óptimas. Os microquistos na mama têm indicação para serem reavaliados daqui a 6 meses. Agora o pior foi a ecografia ginecológica. Tudo indica que tenho um pólipo. Vou ter que fazer um novo exame, histeriocopia, para confirmar e depois pode ser necessário fazer uma intervenção para retirar. 

As indicações de preparação para o exame deixaram-me um bocadinho apreensiva. 

Moral da história: Há 6 meses atrás, antes de começar a ir ao médico, estava óptima. Comecei ir a consultas e os médicos desataram a encontrar doenças. Se calhar, o melhor é não ir ao medico. 

 

P.S. - Estava a brincar, o melhor é mesmo ir ao médico com regularidade. Sejam saudáveis.

29
Ago17

Cuidar da saúde nas férias

Charneca em flor

Ontem fui fazer uma série de exames (análises, ecografia pélvica e mamografia). Felizmente foram só exames de rotina. Os outros exames não me custaram por aí além, embora eu esteja cada vez mais piegas, agora a mamografia é outra conversa. Ainda por cima, o médico ficou com dúvidas e fez-me repetir na mama esquerda ainda com mais aperto. Que horror, parece-me que me arrancava a maminha. Graças a Deus está tudo bem. Em termos de saúde incomoda-me ter mais de 40 anos por ter que fazer mamografia com regularidade. Embora deva confessar que eu não sou muito assídua. Já se sabe que quem trabalha na área da saúde é pior doente, não é verdade? Eu faço tudo de olhos fechados, não me interessa nada ver o que me fazem. 

mamografia2_1042.jpg

 

De qualquer modo, ainda vão descobrir que um aperto daqueles nas mamocas não deve fazer bem nenhum. 

06
Jul17

Actualização da minha visão

Charneca em flor

Para quem tem acompanhado o meu problema ocular de que falei aqui. Há cerca de 1 mês fiz esta intervenção. Ontem aproveitei o facto de tirar o dia para ir ao médico para avaliar o resultado. Como diz uma das minhas colegas "quando se vai ao médico, não se leva relógio", estive lá a manhã toda. A consulta era às 10h e só fui atendida às  12h. Fiz novamente o exame OCT. As melhorias foram ligeiras. Acho que já consigo maquilhar o olho esquerdo. Quando ponho a lente de contacto no olho direito já consigo ver melhor para pôr a outra. Enfim, temos que ver pela positiva. Basicamente, eu tenho 43 anos mas os olhos já envelheceram bem mais.

09
Jun17

Notícias frescas dos meus olhos

Charneca em flor

Ontem lá fui fazer a injecção intra-ocular para tentar melhorar o estado da minha retina. A probabilidade de melhoria é muito baixa mas não custa tentar. A intervenção correu relativamente bem. O olho foi anestesiado de 2 formas. Eu tinha algum receio de não conseguir manter a pálpebra aberta mas é colocado um acessório para fazer isso. Não se pode dizer que tenha sentido a picada, senti uma espécie de pressão. A enfermeira esteve o tempo todo a agarrar-me as mãos. Será que as pessoas têm a reacção de impedir o médico de fazer o procedimento?! De qualquer forma, foi simpático da parte dela. Só daqui por 1 mês haverá uma nova avaliação para ver se houve alguma alteração. Quando passou o efeito da anestesia, passei a sentir algum desconforto no olho, como se o olho estivesse irritado. Parece-me que é normal  Como desinfectante foi utilizado um desinfectante à base de iodo e agora vejo uma bolinha castanha aqui a dançar. Quando é que desaparece? É chato. Vou ter que colocar um antibiótico local durante uns dias. Vamos ver como corre. 

18
Abr17

O sarampo está de volta

Charneca em flor

Esta recente epidemia de sarampo em Portugal deixa-me triste e revoltada. Triste porque Portugal tem sido apontado como um dos países com melhor cobertura vacinal da Europa. Aliás a doença foi considerada erradicada em Portugal no ano passado. Pensava, na minha boa fé, que esta moda de não vacinar as crianças ainda não tinha chegado cá. Sempre achei que os pais portugueses eram mais inteligentes. Até já tinha abordado este tema a propósito dos EUA. Revoltada porque, tendo em conta que há uma vacina eficaz e segura disponível há tantos anos, não há justificação para estarmos a viver esta situação. Felizmente não são muitos casos mas um deles é muito grave. Uma jovem de 16 anos que foi transferida para o Hospital Dona Estefânia apresenta o caso mais complicado.

O sarampo é muito contagioso e pode, em último caso, levar à morte. Ao contrário, a vacina não apresenta risco apreciável. Sinceramente, tendo em conta que há cobertura vacinal de 95%, quantas crianças tiveram problemas de saúde devidos à vacinação? Não me venham com as teorias da conspiração de que tudo isto é inventado pela indústria farmacêutica! Nem com a “alegada” relação entre o autismo e a vacinação. Se houvesse alguma relação quantas crianças autistas haveria em Portugal?! Tenho muito respeito pelo sofrimento das famílias que têm uma criança autista mas haverão outras razões. Alguém, no seu juízo perfeito, quer voltar ao tempo em que não haviam vacinas nem antibióticos? Em que a mortalidade infantil era elevadíssima?

Não sou grande fã de Francisco George, director geral de saúde, mas, desta vez, concordo inteiramente quando ele diz que se deve reflectir sobre o que é que se sobrepõe, o direito de os pais recusarem a vacinação ou o dever de salvaguardar a saúde dos seus filhos (e das outras crianças com que aqueles contactam). Será que há coragem política para tornar a vacinação obrigatória?! Para mim, a liberdade dos pais termina onde começa a liberdade dos filhos.

07
Mar17

Instantes #8

Charneca em flor

Nos últimos dias tenho-me sentido a última bolacha do pacote... toda partidinha.

Não sei se é alergia, constipação, virose ou ronha. Desconfio que as minhas amígdalas são as culpadas. Quase sempre na mudançà de estação, elas costumam dar um ar da sua graça. Assim como quem diz: "estamos aqui, não te esqueças de nós".

Ou então a culpa é minha que me tenho esquecido de tomar o meu reforço para o sistema imunitário. 

Desde que entrei nos entas, nunca mais fui a mesma :(.

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