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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

26
Nov20

Dúvidas existenciais

Charneca em flor

Há uma série de dúvidas que me tem assaltado o espírito, ultimamente. Passo a elencar:

  • Os negacionistas da pandemia são as mesmas pessoas que acreditam que a Terra é plana e que a chegada do Homem à Lua foi uma encenação filmada algures nos Estados Unidos da América?
  • Também serão do clube anti-vacinas?
  • Surgiram agora ou sempre existiram?
  • Estariam escondidos debaixo de que pedra? Ou em que gruta?
  • Serão assim tantos que justifiquem a atenção da comunicação social, dos humoristas e a minha própria atenção?
  • Os "médicos pela verdade" tiraram o curso aonde? Na escola da vida ou na Farinha Amparo?
  • A existência dos "jornalistas pela verdade" implica que todos os outros são pela mentira? Acredito que até um adolescente que escreva para o jornal de parede da escola tem mais ética profissional do que estes pseudojornalistas.

Eu já desconfiava que havia muita gente descompensada à solta mas a pandemia, e tudo o que a rodeia, intensificou a loucura que anda por aí.

 

05
Jun20

O outro lado da Covid19

Os novos pobres

Charneca em flor

A minha profissão dá-me muito prazer mas há sempre momentos bons, inspiradores mas também há situações que nos deixam de coração apertado. 

Ontem atendi um senhor relativamente novo, na casa dos 30/40 anos. A receita tinha medicamentos relacionados com colesterol elevado, hipertensão e anticoagulantes (para prevenção de AVC e enfartes).

Processei a receita com os medicamentos genéricos que tinha disponíveis os quais apresentavam um preço médio. Quando lhe disse o valor, o utente disse-me que não tinha dinheiro suficiente porque tinha ido pedir ajuda à Segurança Social e eles tinham-lhe dado o valor correspondente ao preço que aparecia na receita.

Muitas vezes o valor que aparece na receita como sendo o valor máximo a pagar diz respeito a  genéricos que estão esgotados ou muito difíceis de arranjar.

Fiz várias tentativas dentro do stock que tinha disponível mas não conseguia arranjar uma solução. Acabei por ter que pesquisar nos armazenistas e lá consegui uma solução.

Mas não foi o trabalho e o tempo dispendido que me incomodou. Foi o olhar daquele homem por cima da máscara. Tão triste, tão humilde. Fiquei tão incomodada por ele se ter humilhado ao ponto de me ter dado a informação quanto à proveniência do dinheiro. Que historia de vida estará por trás daquele olhar? 

É tão aflitivo perceber que as pessoas não têm dinheiro para o que é essencial. E isto ainda é só o princípio do período de crise económica que nos espera. Quantos de nós, portugueses, estarão já no limiar da pobreza?

 

 

20
Fev20

Eutanásia, sim ou não?

Charneca em flor

 

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Hoje a Assembleia da República discute os projectos de lei sobre a legalização da Eutanásia em Portugal. Este tema causa-me algum desconforto e sinto-me dividida em relação a ele. Não consigo ter uma opinião taxativa. Não posso dizer que concordo a 100% mas também sinto que não tenho o direito de julgar as pessoas que, em situação de sofrimento extremo, prefiram acelerar o processo da natureza. No entanto, a nossa legislação já prevê a recusa de tratamento e o testamento vital*. Já são instrumentos para que a vida não seja prolongada em casos de algumas patologias muito graves.

Não queria estar na pele dos deputados por isso até prefiro que não se avance para referendo como algumas vozes da sociedade propõe. Não saberia como votar.

Neste artigo do Público consegue-se perceber as diferenças e/ou semelhanças entre as 5 propostas que serão discutidas hoje.

 

*O testamento vital ou diretiva antecipada da vontade é o documento onde o cidadão pode inscrever os cuidados de saúde que pretende ou não receber. Permite também a nomeação de um procurador de cuidados de saúde. Para saber mais sobre este tema pode-se passar pela página do SNS 

05
Fev20

Empatia, sentimento em vias de extinção

Charneca em flor

Tenho-me apercebido que há um sentimento que tem desaparecido da nossa sociedade e já não é de agora. Refiro-me à empatia.

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Seja a propósito dos refugiados, do repatriamento dos portugueses que estavam em Wuhan, dos negros, dos brasileiros enfim a propósito de todos aqueles que são diferentes ou que vêm de fora, nota-se que as pessoas têm uma grande dificuldade em se colocarem "nos sapatos dos outros". Isto acontece entre aqueles com quem interajo todos os dias ou nos infâmes comentários que se lêem no Facebook ou no Twitter.

Muitas vezes a falta de empatia chega a tocar outro sentimento, o ódio. Esses comentários partem não de pessoas com pouca instrução mas de indivíduos que têm obrigação de ter algum conhecimento. Fico especialmente incomodada quando essas atitudes, sejam ao vivo ou virtuais, são tomadas por pessoas que conheço há muitos anos. Não sei se sempre pensaram assim ou se as pessoas foram (des)evoluindo com o tempo.

Há dias que passo pelo Facebook e até fico indisposta. Dá-me vontade de deixar de lá ir ou então de fazer uma limpeza sumária aos "amigos" xenófobos ou racistas.

Quando a conversa ocorre ao vivo é mais complicado. Às vezes não consigo evitar de argumentar em sentido contrário mas depois penso que não vale a pena o esforço.

Será que me estou a dar com as pessoas erradas?

30
Nov19

Para preta já basto eu

disse ela

Charneca em flor

Como é habitual, o meu dia-a-dia profissional é um manancial de situações caricatas. Esta semana houve uma utente que me pôs a rir à gargalhada embora isso não seja difícil. Neste tempo em que se fala de extremismo, em que o adormecido racismo português acordou, em que se tem que ter cuidado com o nosso discurso para que seja politicamente correcto é sempre refrescante quando alguém se ri das suas próprias características. 

A senhora procurava uma escova de cabelo desembaraçadora específica. Tinha visto a divulgação dessa escova numa página de Instagram e diz-me assim:

- Se desembaraça o cabelo dela (a instagrammer), também desembaraça o meu. Ela também tem cabelo de preta como eu. Parece palha de aço.

Já não estou habituada a que as pessoas usem as palavras com este desassombro "preta como eu".

Só havia 2 cores de escova, cor de rosa/roxa e preta. Obviamente que ela escolheu a escova colorida:

- Levo esta, para preta já basto eu.

Tive que me rir, não estava nada à espera que ela se saísse com esta tirada.

Tantos eufemismos que nós arranjamos para falar destas características físicas das pessoas e esta senhora diz de si própria "para preta já basto eu".

29
Out19

A arte de decifrar os outros

Charneca em flor

No passado sábado fui a uma formação. Entre vários temas expostos, houve um que me chamou mais a atenção. O último palestrante foi Alexandre Monteiro e a sua prelecção teve como tema "Decifrar pessoas". A palestra foi muito interessante. Penso que a maioria de nós consegue intuir que a linguagem não verbal é tão importante como a linguagem verbal. Aliás há estudos que concluem que a linguagem corporal comunica mais do que aquilo que dizemos. É importante perceber o que os outros dizem através da sua postura quer em contexto profissional quer em contexto pessoal. Gestos tão simples como franzir a testa ou o nariz podem indicar, a uma pessoa atenta, de que não gostamos de algo. Os truques do Alexandre Monteiro vão poder ajudar-me a decifrar os meus utentes mas também poderão ser úteis para poder controlar melhor os meus gestos de modo a que a minha linguagem corporal facilite a compreensão da mensagem que pretendo transmitir. O Instagram de Alexandre Monteiro é muito esclarecedor e tem imensos exemplos de como podemos interpretar os gestos dos outros.

Eu digo muitas que o problema não é o que se diz mas o tom com que se diz. No entanto, tudo tem a sua importância seja a mensagem, o tom ou os gestos com que se comunica.

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O que acham desta imagem? Acham que o nível de interesse dos 2 intervenientes é o mesmo? O que será que esta imagem nos poderá dizer?

 

 

09
Mar19

Ajudar ou não?!

Charneca em flor

estrada.jpg

 

Ontem uma das minhas colegas contou-nos uma história insólita que lhe acontecera na noite anterior. Regressava a casa de carro com o marido numa estrada pouco movimentada através do campo. Reparam numa mulher que caminha pela berma, lanterna acesa e ar assustado. A minha colega convence o marido a voltar para trás para perceberem se a mulher precisava de ajuda. Acabaram por lhe dar boleia até ao local onde a pessoa tinha o carro, a muitos quilómetros de distância. Ao que parece, a mulher tinha ido a uma quinta naquela zona com o namorado e como se zangaram saiu porta fora e pensava ir caminhando até chegar ao carro que estava muito longe. 

O que fariam numa situação destas? Paravam para ajudar como a minha colega ou seguiam em frente? Quando fiz formação com o INEM, a médica formadora alertou-nos que, primeiro que tudo, está a nossa segurança. Numa situação similar podia-se, por exemplo, parar mais em frente, em local seguro, para alertar o INEM para a existência de uma pessoa, potencialmente em perigo, naquela estrada para que as autoridades prestassem auxílio. 

Desse lado, o que fariam?

03
Mar18

Mas que puritanos

Charneca em flor

Durante esta semana ficou a saber-se que o Facebook tinha censurado uma foto de uma pequena estatueta com mais de 25 mil anos, a Venus de Willendorf. Consideraram conteúdo pornográfico. Fiquei muito preocupada com a minha preparação académica. É que tenho ideia de ver esta mesma imagem no meu livro de História do 7º ou 8ºano. Será que nos anos 80, os livros escolares divulgavam imagens pornográficas?! 

(espero que o  não me retire a imagem)

Ao que parece, já vieram assumir o erro mas demoraram mais de 2 meses.  Já não é a primeira vez que acontecem este tipo de episódios com produções artísticas.

Dava jeito era bloquearem aquelas publicações lamechas com frases feitas e imagens do pôr-do-sol, autêntica poluição visual.

As redes sociais, ou melhor, as pessoas que as gerem estão empenhadas em formatar o nosso pensamento e o nosso conhecimento. Actualmente, no feed de notícias dão primazia às publicações dos nossos amigos e familiares. Tudo bem, tenho muito gosto em saber o que acontece com eles mas se eu sigo, voluntariamente, páginas informativas porque também quero saber o que acontece no resto do mundo, qual é a justificação para isso desaparecer do meu feed?

É por estas e por outras que o Facebook é cada vez menos a minha praia.

13
Nov17

Chegou ontem

Charneca em flor

Finalmente, o "nosso" Cristiano Ronaldo teve uma filha sem que tivesse que fazer uma encomenda à Amazon. E o Cristiano Ronaldo Junior que pensava que os bebés chegavam todos da América em pacotes de encomenda?! 

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O que é curioso é que Cristiano e Cristianinho estão todos equipados com bata e touca mas a Georgina maquilhou-se para a selfie. 

Bom, vamos deixar de lado a má língua e a brincadeira e dar os parabéns à família Aveiro por mais este bebé. Que sejam todos muito felizes que eu até simpatizo com eles. Esperemos que esta jovem espanhola consiga ser a mãe que estas 4 crianças felizes. Talvez o CR7 tenha encontrado a mulher da sua vida. Na minha opinião, a Georgina tem cara de ser boa pessoa e de ter bom coração. E, já agora, que o CR7 siga marcando muitos golos e conquistando muitos troféus.

10
Out17

Automóvel ou autocarro?!

Charneca em flor

rodoviária nacional.jpg

Camionete da carreira, outros tempos

 

Nos últimos dias, devido a uma série de peripécias, tenho utilizado os transportes públicos. Durante muitos anos, fui utilizadora regular. Logo aos 14, comecei a ir de autocarro para a escola. Na faculdade, inicialmente, ia de comboio e mais tarde de autocarro.  E nos primeiros anos como trabalhadora também me deslocava de autocarro. Depois aburguesei-me e passei a andar maioritariamente de carro. Conduzir todos os dias para o emprego é um acto muito isolado. Deslocar-me de transportes públicos têm imensas vantagens. Posso pôr as leituras em dia, por exemplo. Posso observar as pessoas e ver como elas ocupam o tempo. Antigamente via-se mais pessoas a ler um livro ou a ler o jornal ou simplesmente a observar como eu. Quando estava na faculdade até costumava estudar no autocarro. Hoje em dia contam-se pelos dedos de 1 mão as pessoas que lêem livros ou jornais em papel. Os smartphones dominam completamente a "paisagem". Outra coisa que mudou foi o aspecto dos meios de transporte. As carruagens dos comboios e do metropolitano estão mais agradáveis e bonitas. Uma coisa que se mantém é o não cumprimento de horários pelo menos na empresa que serve a (pequena) cidade onde vivo. Aliás, costuma-se dizer que os horários só existem para confirmar o atraso. 

Concluindo, gostei de voltar a andar de transportes públicos e, se fosse mais barato, até andava mais vezes. Claro que para quem tem um título de viagem mensal ou que compre conjuntos de viagens deve sair mais em conta mas para uma viagem isolada não é muito barato. Por exemplo, para eu ir de casa para o trabalho, uma viagem de pouco mais de 10 km em que a maior parte do percurso é uma recta, gasto € 2,25. Acho um bocadinho caro. Devia-se investir mais nos transportes públicos. Utilizar mais os transportes públicos em detrimento do transporte próprio é sinal de evolução.

E desse lado utilizam mais o carro ou outro meio de transporte nas vossas deslocações diárias?

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