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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

13
Mai20

Diz que é o assunto do momento

Charneca em flor

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Não tenho seguido o Big Brother com muita regularidade. Só assim muito por alto. Vi a primeira emissão quando os concorrentes entraram no hotel para fazerem quarentena. Ontem, por acaso, liguei a televisão na TVI ao fim da tarde e vi a conversa do Cláudio Ramos com o concorrente Hélder sobre uns comentários homofóbicos. Ao que parece, o Big Brother decidiu sancionar o concorrente e lançou uma votação para as pessoas decidirem se o Hélder pode ficar ou não na casa. Tudo isso faz parte do espectáculo. Achei exagero quando o apresentador Cláudio Ramos disse que o país estava chocado com esta polémica. Qual não é a minha surpresa quando vejo no destaque da Mag no Sapo que este assunto foi o mais comentado do Twitter em Portugal. 

Como?!

Com tanto assunto mais importante, os comentários homofóbicos de um concorrente de um reality show gera um maior número de comentários do que o aumento da violência doméstica explicitada na morte da pequena Valentina, a crise económica, os problemas psicológicos provocados pelo confinamento ou o coronavírus (compreendo, este assunto já está aborrece mas continua a influenciar a nossa vida).

Atenção que eu acho que os comentários homofóbicos, xenófobos, racistas não podem ser aceites em nenhuma situação. Compreendo a atitude da produção do programa. Conseguiram "matar 2 coelhos de uma cajadada só"*. Alimentou o espectáculo do reality show e chamou a atenção para um problema real da sociedade já que estes comentários são ainda muito frequentes, infelizmente. Agora não se justifica ser o assunto mais comentado do Twitter.

 

*Agora já ofendi os defensores dos animais. Peço desculpa mas eu seria incapaz de matar um coelho fosse de que maneira fôr.

13
Fev20

Homeland, última temporada

Já estou com saudades

Charneca em flor

Não sou consumidora compulsiva de séries até porque não tenho Netflix nem outra plataforma de streaming do género. No entanto, de vez em quando, sigo algumas séries mas de uma maneira mais tradicional. Ou seja, vejo um episódio por semana. Quando muito vejo um episódio por dia quando são as séries da RTP 2 que costuma transmitir excelentes séries europeias.

Já andava a ver a série 911- Lone Star com Rob Lowe e Liv Tyler. Como o nome indica, o argumento gira à volta de um quartel de bombeiros. A corporação é muito sui generis, ou melhor, extremamente inclusiva já que consegue abranger todas as quotas (muçulmanos, homossexuais, transgeneros etc...) ao mesmo tempo. A história consegue ser, ao mesmo tempo, dramática e divertida.

Mas ontem estreou em Portugal, A Série. Homeland, ou Segurança Nacional, é uma fantástica série americana de espionagem. A personagem principal é Carrie Mathison, uma agente da CIA com doença bipolar, e ao longo de 8 temporadas fomos acompanhando a sua acção nos mais variados cenários de conflito. A actriz que desempenha o papel, Claire Danes, é muito boa tendo recebido vários prémios pelo papel desempenhado. A sua expressão dramática é surpreendente. Conseguimos acreditar mesmo naquilo que estamos a ver no ecrã. O argumento também é sempre excelente e muitas vezes surpeendente. Infelizmente, esta é a última temporada 

 

 

15
Out19

Why we hate?

Steven Spielberg tenta explicar

Charneca em flor

Graças às modernas boxes de TV que permitem andar para trás no tempo, acabei de assistir ao primeiro episódio da série documental do Discovery Channel "Why we hate?". A ideia de fazer a investigação que deu origem à série foi de Steven Spielberg que é um dos produtores. O documentário pretende "explicar porque é que nós, humanos, odiamos e temos tanto ódio dentro de nós."

No primeiro episódio foi abordado o tema do ponto de vista científico a nível da comparação com espécies animais próximas do humano e de investigação com bebés e as suas reacções ao mal. Também se aflorou o tema do bullying, do homicídio em massa, do ódio provocado por diferenças religiosas e a influência das redes sociais.

Tendo em conta o mundo em que vivemos hoje, o ambiente crescente de xenofobia, racismo e misoginia que se vive em vários países da Europa é um documentário muito interessante. Faz-nos pensar e pôr a mão na consciência sobre todas as vezes que, com as nossas atitudes, nos deixamos embarcar num ambiente de ódio ou alimentámos sentimentos de ódio nos outros.

A ver com atenção. A exibição é aos domingos à noite no Discovery Channel.

12
Set19

Portugueses de segunda

Charneca em flor

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Acabei de ver esta reportagem na TVI. Já sabia que as pessoas que vivem no interior do país passam por muitas dificuldades no acesso aos serviços de saúde. Mas uma coisa é saber, outra bem diferente é "conhecer" os casos concretos e ver os rostos de algumas das pessoas que passam por esses problemas. Não sei se sabem mas os medicamentos para tratamento de doenças muito graves, como cancro, HIV, esclerose múltipla entre outras, são, apenas, dispensados a nível hospitalar. Os doentes têm que se deslocar, frequentemente, ao hospital para levantar a medicação. Nos últimos anos, devido às contingências financeiras, não costuma ser possível levantar os medicamentos para muito tempo. Se residirem nos arredores das grandes cidades, poderá não representar uma despesa assim tão grande mas para quem vive a mais de 200 km torna-se complicado e dispendioso ir levantar aquela medicação essencial.

Há 3 anos, foi feito um protocolo entre a ANF, enquanto representante das farmácias, e o governo no sentido de se realizar um ensaio-piloto para avaliar as vantagens de dispensar a medicação hospitalar nas farmácias comunitárias. A primeira terapêutica a ser distribuída desta maneira foi a terapêutica anti-retrovírica.

A farmácia onde trabalho tem feito parte deste ensaio-piloto. Quando eu e a directora técnica conversámos sobre isso, achámos que era importante entrar no ensaio porque acreditámos que os resultados obtidos poderiam ajudar a vida de todas as pessoas do país que precisam da medicação hospitalar. Por isso, ainda me doeu mais ver a realidade destas pessoas que vivem a centenas de kms do hospital. Ao fim de 3 anos, este serviço ainda não foi alargado ao resto do país nem a outras patologias para além do HIV. Sinto-me defraudada. Não foi para que esta medida ficasse no papel que nós embarcámos neste projecto. Se não servir para  melhorar a vida de mais pessoas, o nosso trabalho foi desperdiçado.

03
Abr19

Ilusões desfeitas

Charneca em flor

Ontem à noite vi esta reportagem da TVI, no programa da Alexandra Borges, e posterior discussão na TVI24. Fiz uma pequena investigação e percebi que este esquema já existe há alguns anos uma vez que encontrei notícias idênticas já com algum tempo. O esquema consiste em angariar crianças e adolescentes para falsos castings com promessas de participações em telenovelas, publicidade ou anúncios. As famílias são levadas a pagar "cursos de formação" e books fotográficos sempre na ilusão de que os filhos tenham um papel numa qualquer série ou telenovela. Ora as pessoas gastam dinheiro nesses cursos e nos books e as oportunidades prometidas nunca surgem.

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Embora os grandes culpados sejam os burlões que se alimentam dos sonhos destes miúdos e das suas famílias, a verdade é que estes pais não foram muito atentos nem muito previdentes. Foram crédulos e deixaram que pessoas sem escrúpulos espezinhassem as ilusões dos filhos. E os pais devem ser os primeiros a defender e a proteger os filhos. Os pais devem mostrar aos filhos que se deve lutar pelos sonhos, sim, mas com estudo, com esforço, com trabalho. Não são cursos de meia dúzia de horas nuns fins de semana que preparam actores. Se o caminho parece muito fácil, se calhar é porque não é o caminho certo.

Na discussão que se seguiu à reportagem, estavam presentes 2 jovens actores da TVI, Lourenço Ortigão e Sofia Ribeiro, um advogado, um dono de uma agência de modelos e uma representante de uma agência que representa vários pequenos actores para além de 2 das mães burladas. Os profissionais sérios desta área deram excelentes conselhos sobre como as pessoas se podem defender destas burlas. 

Tal como não compreendo o que leva as pessoas adultas a participarem em reality shows, ainda compreendo menos os pais que permitem que os filhos se vejam envolvidos nestes esquemas. É pelos 5 minutos de fama? É para realizarem os sonhos dos filhos ou realizarem os seus próprios sonhos através dos filhos?

12
Mar19

Quem escolhiam? Um agricultor ou um filhinho da mamã?!

Charneca em flor

As redes sociais deste país incendiaram-se nas últimas 24/36 horas. Tudo por causa das estreias televisivas do último serão de domingo. Na SIC estreou o "Quem quer namorar com o agricultor?" e na TVI surgiu o "Quem quer casar com o meu filho?". Quando cheguei a casa, depois do baptizado a que fui e mesmo cansada, ainda vi o programa da SIC e espreitei alguns momentos do programa da TVI. Não conhecia os formatos. Já muito foi escrito e tenho que concordar que estes programas perpetuam estereótipos que já não deviam existir no Séc. XXI.

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Devo confessar que o programa onde aparecem as mamãs e os seus meninos de ouro me pareceu ainda pior que o outro. Fiquei na dúvida se aquilo era uma "busca pelo amor" ou uma entrevista para uma governanta lá para casa. Nojento é o melhor adjectivo para classificar o "Quem quer casar com o meu filho?". Como é que é possível que uma mãe parta do princípio que o filho adulto tem que arranjar uma mulher que cozinhe para ele? Qualquer pessoa adulta, independentemente do sexo, deve ser capaz de cuidar de si próprio.

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Em relação ao formato da SIC, achei mais divertido. Inspirou-me mais gargalhadas embora reconheça a semelhança com um leilão de gado. Neste programa há 5 agricultores e 20 candidatas a namoradas. Os agricultores têm que escolher 4 candidatas para um novo encontro (depois do speed dating inicial) e que serão convidadas para irem passar uma temporada nas respectivas quintas. Na minha opinião, apesar de serem os homens a escolher, as mulheres acabam por ter uma palavra a dizer já que se insinuam mais ao agricultor que preferem condicionando, assim, a escolha do homem. Talvez vá vendo alguns episódios deste "Quem quer namorar com o agricultor?". Estou curiosa para ver as figuras que as personagens femininas farão no campo. Sempre quero ver o que dizem quando enterrarem os saltos altos num monte de bosta.

A natureza humana espanta-me todos os dias. Não consigo perceber o que leva estas pessoas a participarem neste tipo de programas. Será que vale tudo por 5 minutos de fama? Ainda por cima o nosso país é tão pequeno que, ao que parece, alguns dos participantes já apareceram noutros programas do género na nossa televisão. O que não deixa de ser um bom sinal. Afinal  não há assim tantos portugueses idiotas. Ainda há esperança 

Há dias em que até apetece ver estas parvoíces para descansar a cabeça de outras preocupações mais sérias .

Toda esta publicidade gratuita será óptima para os 2 canais. Com tanta conversa as audiências vão aumentar, de certeza. Afinal, não interessem se falam mal ou falam bem, o que interessa é que falem.

14
Jan19

Calhambeque do amor.

Charneca em flor

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O quê? Não é assim o nome? Se calhar, até era um nome muito mais interessante. Uma das minhas colegas achava que era assim que se chamava o programa da SIC "O carro do amor". Só vi alguns episódios, não estou a seguir com o mesmo interesse que segui o "Casados à primeira vista" no início. Segundo a descrição no site da SIC, "Duas pessoas solteiras que não se conhecem e andam à procura do amor são selecionadas para se encontrarem num carro e, juntas, enfrentarem uma viagem recheada de imprevistos divertidos." Não percebi qual é o método de selecção. Será o mesmo método do "Casados à Primeira Vista"? Supostamente científico?! Ou são escolhidos aleatoriamente? É que quer num quer noutro programa, parece que não acertam. Fazem cada match que só visto. Eu acho que fazia melhor. Será que estão à procura de novos especialistas?!

P.S. - Parece que o "5 para a Meia-Noite" fez uma paródia ao programa com o mesmo título do meu post. Espero não ser acusada de plágio. É mesmo verdade que a minha colega A. achava que o nome era "Calhambeque do amor". Às tantas era muito mais adequado.

 

 

08
Jan19

Oprah à portuguesa

Charneca em flor

Ontem estreou o aguardado Programa da Cristina. A julgar pelos vários posts, twitters e publicações no Instagram diria-se que se trata de um programa em horário nobre. Só que não. É um programa em horário matinal dirigido, regra geral, a um público muito específico. Ao olhar para os feeds das minhas redes sociais parece que esta manhã ninguém estava a trabalhar. Confesso que também fui espreitar durante a minha hora de almoço e graças à box que permite recuar no tempo. Porque será que há tanto interesse neste programa? Será mesmo inovador como apregoam? Ou a "transferência milionária", como se fosse um futebolista, é que atraiu as pessoas? Ou será que Cristina Ferreira é mesmo a Oprah portuguesa? No bocadinho que vi, dei com um médico a exemplificar como é que as mulheres devem fazer a sua higiene intíma de modo a prevenir as infecções urinárias. Se isto não é serviço público...

Seja como for, Cristina Ferreira e a SIC foram muito bem sucedidos  no sururu que criam à volta do programa. Veremos se as audiências reflectem esta percepção de popularidade.

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Só achei que o telefonema do Presidente da República foi excessivo. Se são amigos, telefonava-lhe privadamente. Telefonar, em directo, não ficou muito bem ao Presidente. Está na fronteira entre ser popular e ser popularucho ou, mesmo, populista. E as explicações que deu não me convencem. Gosto muito deste Presidente mas, desta vez, excedeu-se.

04
Dez18

The fallen Madonna with the big boobies

Charneca em flor

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Os quarentões e quarentonas da blogosfera lembram-se, com certeza, da divertida série de humor da BBC, "Allô, Allô". A série girava à volta de um café francês e do seu proprietário, René, que, simultaneamente ajudava a Resistência e atendia com toda a atenção os ocupantes alemães. Todos os personagens, os alemães, os franceses e os ingleses queriam o quadro The Fallen Madonna with the big boobies, uma suposta obra fictícia de um falso pintor. Passados todos estes anos, todas as cópias foram destruídas menos uma. Essa cópia foi vendida, ontem, num leilão por 17 mil euros. Um feito considerável para uma "obra-prima" da ficção. 

26
Nov18

Everybody's gotta live, Love

Charneca em flor

Hoje, ao contrário do que vem sendo hábito, não trago uma novidade musical. Trago uma música tão antiga como eu . Durante a semana passada, assisti ao último episódio da brilhante série portuguesa Sara. E esta música acompanhou a personagem principal na sua cena final.

Esta versão da música Everybody's gotta live fez parte do álbum Real to Real, da banda Love liderado por Arthur Lee, que foi editado em 1974, precisamente o ano em que eu nasci.

Boa semana

P.S. - A série Sara partiu de uma ideia original de Bruno Nogueira e contou com o desempenho de alguns dos melhores actores portugueses, Beatriz Batarda, Nuno Lopes, Rita Blanco ou Albano Jerónimo entre outros. Estes actores arriscaram em embarcar nas loucuras de Bruno Nogueira e daí resultou uma brilhante e surreal série com personagens absolutamente fantásticas. "Lá isso é verdade" como diria o Manuel, personagem da novela "Sangue de Paixão " que faz parte da loucura da série Sara, interpretado por João Nunes, actor de novelas canastrão, que, por sua vez, é interpretado pelo Nuno Lopes. Perceberam?!

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