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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

22
Out19

Sempre a evoluir

Charneca em flor

Ontem tive um dia electrizante na farmácia. Começamos a fazer a adaptação a um novo programa informático. Havia alguma ansiedade mas acabou por correr muito bem. Vamos ver como corre amanhã sem a formadora por perto. Foi muito bom ver toda a equipa motivada. As mudanças são boas para nos abanarem um pouco, para nos fazer sair da nossa área de conforto e dar um passo em frente. Só espero que o dia de hoje corra tão bem como o de ontem.

18
Set19

Irritações #11

Charneca em flor

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Se há coisa que me irrita é um utente entrar na farmácia a falar ao telemóvel. E estar ao telemóvel durante todo o tempo do atendimento. Mas nunca me tinha acontecido o que me aconteceu aqui há dias. No mesmo dia  vi-me metida no meio de 2 conversas telefónicas diferentes. 

Primeiro foi uma jovem que me passa o telemóvel para eu ver os códigos de acesso à receita em papel mas não desligou a chamada. Ou seja, o telemóvel estava na minha mão e  a pessoa do outro lado continuava a falar, a falar... Acho que nunca tinha digitado aqueles números tão depressa para poder devolver o aparelho.

Mais tarde, atendi uma mãe que vinha aviar um antibiótico para a bebé que tinha deixado a dormir no carro... A dada altura, atende o telemóvel, penso que era o pai da criança. Então vai contando o resultado da consulta... em alta voz. Quando pergunto em que NIF quer a factura, os pais da bebé doente "discutem" em que nome seria a factura sempre em alta voz e eu ali, praticamente no meio da conversa.

Mas porque é que as pessoas não sabem usar o telemóvel? Será que acham, que quando falam ao telemóvel, estão metidos numa cabine telefónica e que ninguém está a ouvir?!

 

10
Set19

Portugueses. Difíceis de encontrar

Charneca em flor

Na minha última noite de serviço, que aconteceu na passada sexta-feira, atendi várias pessoas que não eram portuguesas. Mesmo durante o horário normal de funcionamento, temos reparado, eu e as coleguinhas, que cada vez atendemos mais estrangeiros. Sejam eles, brasileiros, angolanos, americanos e australianos a caminho de Santiago de Compostela, espanhóis, paquistaneses e até temos uma utente habitual que é italiana. 

passaportes.jpg

Ora e o que é que pensou a minha cabeça doida com poucas horas de sono?!

Pensei isto: "Aqui d' el Rei que os portugueses estão em vias de extinção."

03
Set19

Cenas da vida de uma farmacêutica

Charneca em flor

O que eu gosto  de atender pessoas com o auricular na orelha. Vêm à farmácia para ser atendidos mas estão, ao mesmo tempo, a falar com alguém ao telemóvel. Depois fazem perguntas e eu fico sem perceber se estão a falar comigo ou com a pessoa do outro lado. Foi assim o último atendimento do meu primeiro dia de trabalho. Já passava das 20h, a porta já estava fechada e até já se tinha desligado a maioria das luzes. E o utente continuava, com toda a calma, a consultar a pessoa que estava a falar no seu ouvido e não se decidia. Tão bom para terminar o dia, não acham?!

15
Ago19

Peripécias de mais uma noite de serviço

Charneca em flor

As noites de serviço são sempre inspiradoras. Senão atentem nas peripécias do último "plantão":

Situação 1 - Estaciona um reboque à porta com 2 ocupantes. Um deles toca para ser atendido. 

- Olhe, era a pílula do dia seguinte. - e continua, rindo-se muito - veja lá que tive que vir de reboque comprar isso. 

Devia estar à espera que eu também achasse graça à suposta piada. Porque é que comprar a pílula do dia seguinte é uma coisa engraçada?! Ou uma caixa de preservativos, por exemplo?! São coisas tão normais como uma caixa de aspirinas. Haja paciência.

Situação 2 - Uma receita de um antibiótico para criança cujo frasco apresenta uma capacidade de 70 ml vem com uma posologia de 5 ml de 8 em 8 horas durante 7 dias. Ora fazendo uma conta simples chego à conclusão de que um frasco não é suficiente para o tratamento prescrito uma vez que só chegava para 4 dias completos. Explico à mãe da criança que resolve voltar ao hospital. Quando volta sai-se com esta tirada:

- A Sra tinha razão. A médica passou outra receita com mais um frasco. 

Mas havia dúvidas de que eu tinha razão?!

E, como se isto não fosse já suficiente, às 2h da manhã faltou a luz devido a uma avaria que só ficou resolvida depois das 5h da manhã.

10
Ago19

Os meus utentes não deixam de me surpreender #2

Charneca em flor

Ontem recebi um telefone, na farmácia, absolutamente surreal. Comecei por falar com um pessoa e acabei a falar com outra. A jovem, pelo menos pareceu-me jovem, tinha vergonha de falar por isso tinha pedido à amiga para telefonar. A pessoa em questão queria engravidar e não estava a conseguir. Disse-me que tentava há 6 meses e telefonou para perguntar se havia algum "comprimido que pudesse ajudar". Para além de lhe dizer que existe um suplemento que pode ajudar a melhorar a fertilidade, aconselhei a ter calma e não estar muito ansiosa já que a ansiedade pode atrapalhar nestas alturas.

Pergunta da jovem: "Porque é que diz isso?"

O meu pensamento foi "Porque se nota na voz que é ansiosa e porque uma gravidez não surgir ao fim de 6 meses é perfeitamente normal"

Mas só lhe fui dizendo para ficar menos ansiosa que a gravidez iria surgir. O que eu não estava à espera é que ela me dissesse:

- Mas é que nós temos relações sexuais todos os dias e de todas as maneiras e feitios. A Sra não tem noção.

Imagino que até tenha feito o pino. Esta jovem tem muito que aprender. Nas relações sexuais, sejam recreativas ou para reprodução, deve-se privilegiar a qualidade em vez da quantidade. Até porque a mulher só é fértil alguns dias por mês e ejaculações diárias prejudicam a qualidade dos espermatozóides.

Os utentes dizem muitas coisas que eu escusava de ouvir

23
Jul19

Gosto de dar sem que me peçam

Charneca em flor

A proprietária da farmácia onde trabalho decidiu fazer uns sacos reutilizáveis bem bonitos, por sinal. Os sacos são branquinhos e têm o logotipo da farmácia em verde claro. A ideia dela é reduzir a utilização de sacos plásticos ou mesmo de sacos de papel que só serviam para ir para o lixo ou para a reciclagem, na melhor das hipóteses. Sendo assim, ela teve a iniciativa de comprar os tais sacos por motivos ambientais. E claro que também é uma forma de fazer publidade. Começamos a distribui-los, maioritariamente, pelos utentes habituais para controlarmos melhor se oferecemos 1 para cada pessoa/agregado familiar de modo a chegar, se possível, à totalidade dos utentes. O saco é distribuído com a explicação das razões ambientais que nos movem, ou seja, pedimos aos utentes que se comprometam a trazer os sacos quando vierem à farmácia. Até aqui tudo bem. Tenho todo o gosto em fazer esta oferta em nome da farmácia. Já há uma boa parte dos utentes que honram o compromisso e é uma alegria quando vemos que já vêm com o saquinho.

No entanto, há atitudes que me aborrecem mas que acontecem sempre que estamos a oferecer seja o que for:

  1. Pessoas que vêm pouco à "nossa" farmácia e que entram, de propósito, para pedir "um saquinho daqueles"
  2. Quando até iamos dar o saco mas ainda não tinhamos acabado o atendimento e a pessoa já está a dizer: "E a mim não me dá um saco dos vossos?"

Detesto quando as pessoas pedem, pedem, pedem. Tenho todo o gosto em oferecer sem as pessoas estarem já a contar com isso. É como fazer desconto a um delegado comercial, por exemplo. A proprietária dá-me liberdade para isso e, às vezes, acontece os delegados fazerem compras aqui na farmácia. Quando são pessoas com as quais temos boas relações, eu acho que deve ser valorizado o facto de, visitando tantas farmácias, optarem pela nossa para fazerem compras. Sendo assim, tenho o hábito de fazer um pequeno desconto. Quando há um delegado que me pede desconto, fica logo marcado. Nunca mais olho para a pessoa da mesma maneira. Detesto!

14
Jul19

Ai, as belas noites de serviço

Charneca em flor

As noites de serviço ao fim de semana são sempre épicas mas a de ontem foi extraordinária, no mau sentido. Ficam aqui só alguns exemplos:

  1. Invasão de melgas e mosquitos a ponto um utente comprar uma quantidade enorme de repelentes para levar para uma festa de casamento ali na zona.
  2. Pedido de pílula do dia seguinte pelas 4h da manhã. Para quê esperar pelo dia seguinte se se pode tomar logo na hora seguinte?
  3. Pergunto a uma senhora se precisa de seringa para medir correctamente o antibiótico. Resposta imediata: "Nem pensar que aqui é uma roubalheira. Eu costumo trazer do centro de saúde". Eu olhei com os olhos esbugalhados e respondo: "Bom, custam à volta de 20/25 cêntimos. A mim não me parece uma roubalheira mas a senhora é que sabe", enquanto penso: "as seringas que lhe dão no centro de saúde são pagas pelos impostos de todos, incluindo os seus". Diz a personagem: "Desculpe, pensava que custavam mais de 1€.". Não teria sido mais simpático perguntar o preço antes de partir do princípio que era uma "roubalheira"?

O meu trabalho é uma animação.

04
Jul19

Antiga?! Eu?!

Charneca em flor

Eu bem quero parecer mais jovem. Até adoptei um estilo mais jovial na maneira de vestir e tudo. Bem quero fazer parte do grupo das mais novas da equipa da farmácia mas tenho que me render à evidência que sou mesmo uma quarentona . Senão vejamos esta situação que se passou hoje:

Estávamos 3 funcionárias no atendimento, eu, uma técnica e uma outra farmacêutica mais nova. Vejo que  uma senhora, a D. Maria, se foi aproximando do meu balcão embora eu estivesse a atender. A outra farmacêutica mais jovem (30 anos) acabou o seu atendimento e chamou o número da D. Maria.

Reacção da D. Maria:

- Eu estou à espera para fazer uma pergunta à Dra Charneca em Flor.

- Mas eu ainda vou demorar - digo eu - pode perguntar à minha colega que ela também é farmacêutica.

- Ah mas é uma pergunta mais antiga. - diz a D. Maria.

- Estou a ver, a senhora está a achar a minha colega mais moderna - digo eu a rir embora sem achar grande graça.

Se as pessoas já acham que eu estou capacitada para responder a perguntas mais antigas é porque estou mesmo velha .

 

P.S - A pergunta era sobre um xarope calmante do qual eu nunca ouvi falar. Afinal a D. Maria é bem mais antiga do que eu.

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