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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

08
Jun21

O tornozelo?! Aqui em baixo?

Charneca em flor

A maioria dos leitores habituais já devem saber que eu sou uma orgulhosa farmacêutica. Grande parte dos dias são muito intensos mas há sempre momentos que nos divertem ou que nos deixem boquiabertas. Eu tento utilizar palavras mais simples para que as pessoas entendam facilmente aquilo que estamos a dizer. Uma das mais importantes funções de uma farmacêutica é garantir a adesão à terapêutica dos utentes. O que eu nunca esperei é que alguém não compreendesse uma palavra que eu considero muito corriqueira.

Ontem, enquanto tentava ajudar uma utente em relação a meias de contenção, perguntei-lhe qual era a medida do tornozelo. Acreditam que ela não sabia o que era o tornozelo? Apontando para o próprio tornozelo e perguntou: "O tornozelo? Aqui em baixo?". Estou a questionar-me, até agora, se tornozelo é uma palavra "cara".

02
Mai21

Foto da semana 18/52

Charneca em flor

Esta semana, no Instagram, há 2 imagens com igual número de . No entanto, decidi escolher, apenas, uma para foto da semana já que foi, efectivamente, captada durante a semana que passou.

20210502_085300.jpg

 

Encontro esta árvore florida no meu percurso entre o sítio em que estaciono o carro e o meu local de trabalho. Não sei como se chama mas é giro ver as suas mudanças ao longo das estações do ano.

Bom domingo e Feliz Dia da Mãe.

30
Abr21

Voltaram as cercas sanitárias

Charneca em flor

Ontem ficámos a saber que o país passa a estar em estado de calamidade a partir de dia 1 de Maio. Esta alteração significa uma maior abertura da economia nomeadamente a nível do alargamento dos horários de funcionamento da restauração e dos centros comerciais. 

Odemira-29-Abril-mapa.jpg

Ao mesmo tempo foram anunciadas cercas sanitárias a duas freguesias do concelho de Odemira. A situação neste município está caótica devido à multiplicação de casos entre a população migrante que trabalha nas inúmeras explorações agrícolas existentes na região. Ao que parece estas pessoas vivem em condições precárias que não respeitam os direitos humanos.

Extraordinário. O governo descobriu agora aquilo que já toda a gente sabe. Quer as pessoas que lá vivem, assim como as pessoas que visitam a região e os jornalistas que já fizeram inúmeras reportagens sobre o assunto, já sabem há muito desta situação. Possivelmente só a Autoridade para as Condições no Trabalho e o Ministério que a tutela é que não tinham dado por nada.

Ainda há dias vi uma reportagem sobre as reacções xenófobas a estes migrantes que se verificam no concelho de Odemira. Embora não seja aceitável até é compreensível que as pessoas tenham estas atitudes perante o medo da pandemia. Mas, na verdade, os empresários agrícolas que potenciam estas situações é que deviam sofrer represálias por sujeitarem as pessoas a estas condições de vida e deviam ser responsabilizados, de alguma forma, pela progressão da doença naquela região. Por agora serão obrigados a testar os trabalhadores das suas explorações.

Veremos quanto tempo durarão estas cercas sanitárias.

27
Mar21

Em modo diva

Charneca em flor

Aqui há 2 semanas, instalaram sensores de  movimento, na farmácia onde trabalho, para que a iluminação se acenda, e apague, quando estamos a passar. Parece uma coisa banal mas eu sinto que estou a desfilar numa passerele e as luzes vão-se acendendo à minha passagem. 

Ora, na verdade, estes sensores não se destinam a alimentar a minha vaidade mas sim a poupar energia já que previnem que as luzes fiquem acesas sem necessidade.

O problema é que, agora, penso que todas as luzes se deveriam acender, apenas e só, pela minha presença. Já dei por mim, mais de uma vez, surprendida porque a iluminação não se acende quando eu desfilo caminho como uma diva. Fico até ofendida pela falta de consideração das lâmpadas. 

Vejam lá que, para subir a escada do meu prédio, tenho que carregar no interruptor. Falta de respeito  .

 

12
Dez20

Blogmas 2020 - Jantares/almoços de empresas

Charneca em flor

Vinha sendo cada vez mais frequente, as empresas organizarem festas de Natal para os seus funcionários. Dependendo da dimensão da empresa, as festas podem ir de um jantar que se prolonga pela noite dentro ou um almoço no restaurante da esquina. Pelo que me apercebo a festa de Natal da empresa é sempre um acontecimento para a qual as pessoas se aprimoram na imagem. O facto de, este ano, os ajuntamentos estarem proibidos vai impedir a realização destes eventos prejudicando não só os restaurantes mas também os serviços de catering, os cabeleireiros ou mesmo as lojas de roupa e sapatos, provavelmente.

Ainda assim, ainda haverá quem arranje maneira de dar a volta ao assunto e fazer algum tipo de evento para assinalar a data.

A farmácia onde trabalho tem uma equipa pequena e já festejámos o Natal de várias formas. Anteriormente fazíamos um jantar não só com as funcionárias mas também os respectivos companheiros. Desde que nasceu o pequeno T. filho de uma das minhas colegas começamos a ir almoçar porque o menino é presença obrigatória .  Tentamos sempre assinalar o Natal mas, num ano em que não conseguimos arranjar uma data conveniente a todas, lembramo-nos de fazer um lanche onde cada uma contribuísse com os seus dotes culinários. De lanche passou a almoço e, como somos umas exageradas, às vezes prolongasse para o dia seguinte.

Este ano, pensamos fazer um almoço/lanche na mesmo uma vez que não almoçamos todas à mesma hora. Vamos ver como corre.

E no vosso local de trabalho, como celebram o Natal? Ou nem se podem ver e não vontade de conviver?

24
Out20

A dureza dos dias que passam

Charneca em flor

As últimas semanas foram muito intensas.

A pressão das pessoas por causa da vacina da gripe é tremenda. Não consigo lidar com o facto de que não há vacinas da gripe suficientes mas que isso não depende da nossa vontade nem do trabalho da farmácia. Não há nada que possamos fazer  mas não deixa de ser frustante. Há pessoas que compreendem e outras nem tanto. Houve dias em que tive vontade de largar tudo e deixar de trabalhar com o público. Afinal, já lá vão mais de 20 anos

A covid19 atingiu pessoas próximas, familiares de uma colega, bem como outras pessoas relacionadas e que eu conheço bem. Nunca tinha "sentido" o vírus tão perto. Pela notícia do jornal Expresso, o concelho onde trabalho está acima dos 200 casos por 100 mil habitantes. É assustador sentirmos medo nos olhos dos outros bem como no nosso próprio olhar quando sentimos necessidade de nos desviarmos dos outros. 

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Estou a ficar cada vez mais assustada. Se, no princípio, pensava: "as autoridades de saúde estão a exagerar, nem conheço ninguém que esteja doente.", agora tal não se verifica. Até me custa a acreditar que cheguei a dizer que isto seria como a Gripe A, uns meses turbulentos e depois o vírus acalmava e voltava ao normal. Agora já percebi que o Sars-CoV 2 veio para ficar. Mais dia menos dia o "novo normal" será só "normal".

23
Set20

Valha-me São Cosme e São Damião

Charneca em flor

Quero agradecer muito aos meios de Comunicação Social por terem alertado as pessoas, no último fim-de-semana, para a possível falta de vacinas da gripe. É sempre bom lançar o pânico. 

Há uns meses, os meus utentes faziam chantagem emocional para comprarem máscaras e agora passaram a fazê-la por causa da vacina da gripe.

Suspeito que vou ter que voltar a tomar os meus ansiolíticos naturais antes que vá engrossar as filas para o serviço de psiquiatria do hospital mais próximo. Receio ficar louca com tantas solicitações de vacina.

 

05
Set20

Resumo resumido da minha semana

Charneca em flor

Esta primeira semana de trabalho depois das férias foi muito esgotante em termos psicológicos.

Logo no primeiro dia fui surpreendida por alterações do funcionamento que vão implicar uma mudança nos horários. Não fiquei assim muito satisfeita, até me senti magoada porque achei que fui injustiçada. Mas como não sou de guardar rancores, acabei por me apaziguar.

Por outro lado, estou preocupada pela diminuição do fluxo de utentes na farmácia. De dia para dia vai-se notando a contenção das pessoas que se vão abstendo de adquirir aquilo que não é essencial mas também se nota que se avizinha uma crise muito superior ao que vivemos no tempo da troika. Embora eu não seja proprietária da farmácia, não sei até que ponto esta situação me possa atingir pessoalmente. 

Mas a machadada final foi ter percebido, mais uma vez, como as pessoas nos podem desiludir. Alguém com quem tivemos uma parceria durante muitos anos, que era tratada como mais uma da equipa e até considerada como uma amiga, cometeu uma deslealdade vil connosco. As pessoas são livres de escolher um caminho diferente se já não se revêem no percurso que trilharam até ali. No entanto, há necessidade de prejudicar os outros para ter sucesso? Como é que as pessoas se podem sentir satisfeitas por construirem a sua felicidade pisando os outros? Não consigo compreender.

46 anos de idade e continuo a ser ingénua .

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