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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

12
Dez20

Blogmas 2020 - Jantares/almoços de empresas

Charneca em flor

Vinha sendo cada vez mais frequente, as empresas organizarem festas de Natal para os seus funcionários. Dependendo da dimensão da empresa, as festas podem ir de um jantar que se prolonga pela noite dentro ou um almoço no restaurante da esquina. Pelo que me apercebo a festa de Natal da empresa é sempre um acontecimento para a qual as pessoas se aprimoram na imagem. O facto de, este ano, os ajuntamentos estarem proibidos vai impedir a realização destes eventos prejudicando não só os restaurantes mas também os serviços de catering, os cabeleireiros ou mesmo as lojas de roupa e sapatos, provavelmente.

Ainda assim, ainda haverá quem arranje maneira de dar a volta ao assunto e fazer algum tipo de evento para assinalar a data.

A farmácia onde trabalho tem uma equipa pequena e já festejámos o Natal de várias formas. Anteriormente fazíamos um jantar não só com as funcionárias mas também os respectivos companheiros. Desde que nasceu o pequeno T. filho de uma das minhas colegas começamos a ir almoçar porque o menino é presença obrigatória .  Tentamos sempre assinalar o Natal mas, num ano em que não conseguimos arranjar uma data conveniente a todas, lembramo-nos de fazer um lanche onde cada uma contribuísse com os seus dotes culinários. De lanche passou a almoço e, como somos umas exageradas, às vezes prolongasse para o dia seguinte.

Este ano, pensamos fazer um almoço/lanche na mesmo uma vez que não almoçamos todas à mesma hora. Vamos ver como corre.

E no vosso local de trabalho, como celebram o Natal? Ou nem se podem ver e não vontade de conviver?

24
Out20

A dureza dos dias que passam

Charneca em flor

As últimas semanas foram muito intensas.

A pressão das pessoas por causa da vacina da gripe é tremenda. Não consigo lidar com o facto de que não há vacinas da gripe suficientes mas que isso não depende da nossa vontade nem do trabalho da farmácia. Não há nada que possamos fazer  mas não deixa de ser frustante. Há pessoas que compreendem e outras nem tanto. Houve dias em que tive vontade de largar tudo e deixar de trabalhar com o público. Afinal, já lá vão mais de 20 anos

A covid19 atingiu pessoas próximas, familiares de uma colega, bem como outras pessoas relacionadas e que eu conheço bem. Nunca tinha "sentido" o vírus tão perto. Pela notícia do jornal Expresso, o concelho onde trabalho está acima dos 200 casos por 100 mil habitantes. É assustador sentirmos medo nos olhos dos outros bem como no nosso próprio olhar quando sentimos necessidade de nos desviarmos dos outros. 

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Estou a ficar cada vez mais assustada. Se, no princípio, pensava: "as autoridades de saúde estão a exagerar, nem conheço ninguém que esteja doente.", agora tal não se verifica. Até me custa a acreditar que cheguei a dizer que isto seria como a Gripe A, uns meses turbulentos e depois o vírus acalmava e voltava ao normal. Agora já percebi que o Sars-CoV 2 veio para ficar. Mais dia menos dia o "novo normal" será só "normal".

23
Set20

Valha-me São Cosme e São Damião

Charneca em flor

Quero agradecer muito aos meios de Comunicação Social por terem alertado as pessoas, no último fim-de-semana, para a possível falta de vacinas da gripe. É sempre bom lançar o pânico. 

Há uns meses, os meus utentes faziam chantagem emocional para comprarem máscaras e agora passaram a fazê-la por causa da vacina da gripe.

Suspeito que vou ter que voltar a tomar os meus ansiolíticos naturais antes que vá engrossar as filas para o serviço de psiquiatria do hospital mais próximo. Receio ficar louca com tantas solicitações de vacina.

 

05
Set20

Resumo resumido da minha semana

Charneca em flor

Esta primeira semana de trabalho depois das férias foi muito esgotante em termos psicológicos.

Logo no primeiro dia fui surpreendida por alterações do funcionamento que vão implicar uma mudança nos horários. Não fiquei assim muito satisfeita, até me senti magoada porque achei que fui injustiçada. Mas como não sou de guardar rancores, acabei por me apaziguar.

Por outro lado, estou preocupada pela diminuição do fluxo de utentes na farmácia. De dia para dia vai-se notando a contenção das pessoas que se vão abstendo de adquirir aquilo que não é essencial mas também se nota que se avizinha uma crise muito superior ao que vivemos no tempo da troika. Embora eu não seja proprietária da farmácia, não sei até que ponto esta situação me possa atingir pessoalmente. 

Mas a machadada final foi ter percebido, mais uma vez, como as pessoas nos podem desiludir. Alguém com quem tivemos uma parceria durante muitos anos, que era tratada como mais uma da equipa e até considerada como uma amiga, cometeu uma deslealdade vil connosco. As pessoas são livres de escolher um caminho diferente se já não se revêem no percurso que trilharam até ali. No entanto, há necessidade de prejudicar os outros para ter sucesso? Como é que as pessoas se podem sentir satisfeitas por construirem a sua felicidade pisando os outros? Não consigo compreender.

46 anos de idade e continuo a ser ingénua .

05
Jun20

O outro lado da Covid19

Os novos pobres

Charneca em flor

A minha profissão dá-me muito prazer mas há sempre momentos bons, inspiradores mas também há situações que nos deixam de coração apertado. 

Ontem atendi um senhor relativamente novo, na casa dos 30/40 anos. A receita tinha medicamentos relacionados com colesterol elevado, hipertensão e anticoagulantes (para prevenção de AVC e enfartes).

Processei a receita com os medicamentos genéricos que tinha disponíveis os quais apresentavam um preço médio. Quando lhe disse o valor, o utente disse-me que não tinha dinheiro suficiente porque tinha ido pedir ajuda à Segurança Social e eles tinham-lhe dado o valor correspondente ao preço que aparecia na receita.

Muitas vezes o valor que aparece na receita como sendo o valor máximo a pagar diz respeito a  genéricos que estão esgotados ou muito difíceis de arranjar.

Fiz várias tentativas dentro do stock que tinha disponível mas não conseguia arranjar uma solução. Acabei por ter que pesquisar nos armazenistas e lá consegui uma solução.

Mas não foi o trabalho e o tempo dispendido que me incomodou. Foi o olhar daquele homem por cima da máscara. Tão triste, tão humilde. Fiquei tão incomodada por ele se ter humilhado ao ponto de me ter dado a informação quanto à proveniência do dinheiro. Que historia de vida estará por trás daquele olhar? 

É tão aflitivo perceber que as pessoas não têm dinheiro para o que é essencial. E isto ainda é só o princípio do período de crise económica que nos espera. Quantos de nós, portugueses, estarão já no limiar da pobreza?

 

 

12
Mai20

Não sei quem é esta pessoa

Charneca em flor

Há uma interrogação que me tem atormentado nos últimos dias. Que pessoa me estou a tornar com esta pandemia? Dou por mim a julgar as pessoas que vejo a rua. Ou porque são idosas e estão na rua, aparentemente sem nada de urgente para fazer. Ou porque não têm máscara ou está mal colocada. 

No supermercado, faço cara feia (é mais olhar matador porque só se vêem os olhos) a quem se aproxima demasiado.

No meu local de trabalho, em vez do meu habitual sorriso, agora escondido pela máscara, e natural simpatia, passo o tempo a "ralhar":

- Respeite a distância

- Não ponha os seus objectos em cima do balcão 

- Não, não pode ir ver isso que está no expositor 

- Espere na zona marcada

- Não pode estar à frente da porta

- Tem que esperar na rua 

- A máscara tem que tapar o nariz

- Não pode estar no interior da farmácia sem máscara 

- a máscara, a máscara, a máscara...

Basicamente estou a tornar-me numa vigilante chata e irritante. Não conheço esta pessoa em que me estou a tornar e também não simpatizo nada com ela.

10
Mai20

Foto da semana 20/52

Charneca em flor

O Instagram do blogue tem andado muito florido. Desta feita não se trata de flores silvestres nem das minhas plantas mas sim de um ramo de margaridas que recebemos lá na farmácia onde trabalho.

20200510_083110.jpg

Apesar de se tratar de uma acção de marketing já que vinha acompanhado de material publicitário alusivo a um anti-histamínico (estamos na época das alergias), não deixa de ser um gesto bonito e que nos fez sorrir . Para além disso, também vinha com uma carta de agradecimento pelo trabalho que temos vindo a desenvolver nesta época difícil e exigente. 

São bonitas, não são?

 

14
Abr20

Será que as pessoas não aprendem?

Charneca em flor

Actualmente, a farmácia onde trabalho funciona com 2 turnos. A ideia é salvaguardar o funcionamento da farmácia no caso de algum dos elementos ser contagiado pelo coronavírus. Também tem a grande vantagem de permitir que tenhamos mais algumas horas de descanso. E que falta que faz o descanso. Acontece que eu estou fartinha das pessoas que entram na farmácia. Mas mesmo farta.

Com tanta informação, é impressionante como as pessoas continuam a não se saber comportar perante a situação que vivemos. Senão vejamos:

  • Continuam a tossir para as mãos 
  • Não respeitam as distâncias, apesar das marcações no chão
  • Apesar de os expositores estarem "bloqueados" com fitas vermelhas e brancas, continuam a mexer nos produtos expostos
  • Encostam-se aos balcões obrigando-me a gastar álcool e mais álcool para higienizar a superfície
  • Pousam telemóveis e carteiras nos balcões o que me leva a gastar mais álcool 
  • Os idosos vão quase todos os dias à farmácia para comprar 1 qualquer caixinha quando deveriam ir só uma vez por semana (ou pedir a alguém) e comprar tudo de uma vez
  • Querem por querem comprar máscaras - especialmente depois da conferência de imprensa de ontem - mas depois não as sabem usar e passam o tempo a mexer na dita

Não há paciência que aguente.

Há dias em que é muito difícil acreditar que "vai ficar tudo bem".

Mas depois descansa-se, lê-se, cozinha-se, faz-se bolos, ouve-se música e acumula-se energia - e paciência - para voltar ao trabalho.

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