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O Voo da Garça

Sonhos, desejos, opiniões, instantes da vida diária...

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03
Abr21

Novas formas de fazer conversa

Charneca em flor

Provavelmente, só reparei nesta alteração na forma de "fazer conversa" porque trabalho na área da saúde. Digam-me se também acontece convosco. Tenho reparado que, nos últimos meses, passámos de:

"Olá, tudo bem? E, lá em casa, tudo bem? Ainda trabalhax no sítio X? Corre tudo bem?"

Para

"Então já tomaste a vacina? Foi a da AstraZeneca? E tiveste sintomas ou passaste bem?"

Se calhar, isto só acontece lá na farmácia porque os farmacêuticos, tal como outros funcionários das farmácias, estão incluídos nos grupos prioritários a vacinar assim como outros técnicos de saúde e os professores. Como temos alguns utentes que fazem parte destes grupos profissionais, estas conversas têm-se repetido.

Ou então somos nós que perguntamos aos nossos idosos:

"Então, Sr. Y/ Sr. Z, já foi chamado/a para a vacina?"

Digam lá, também acontece o mesmo no vosso ambiente?

20
Mar21

Vacina AstraZeneca, sim ou não?

Charneca em flor

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Imagem daqui

Eu bem queria falar de outros temas mas é incontornável. Voltemos a falar de pandemia, desta feita a propósito da balbúrdia das vacinas AstraZeneca.

No meu quotidiano na farmácia tenho reparado que perguntar: "Então já foi vacinada?" se tornou no novo "Olá, tudo bem?". Ou sou eu que pergunto aos meus velhotes se já foram chamados para a vacinação ou então são os utentes que perguntam à equipa se já foi vacinada. Na verdade, tenho 3 colegas que já tomaram a 1a dose e tomarão a próxima no fim de Maio/início de Junho.

A semana foi marcada pela suspensão temporária, e já revertida, da vacinação com a vacina do laboratório AstraZeneca. Esta tomada de posição deveu-se à ocorrência de algumas situações de formação de coágulos sanguíneos em pessoas inoculadas com esta vacina. Embora a percentagem de ocorrências fosse muito baixa manda o princípio da precaução, como disse a nossa Directora Geral da Saúde, que se suspendesse este instrumento terapêutico enquanto se procedia à avaliação do risco.

Portugal, como é habitual, só tomou esta posição depois da maioria dos outros países o terem feito. Curioso é reparar que nalguns países foram os responsáveis políticos que o anunciaram mas em Portugal foram os responsáveis técnicos, bem como o coordenador da vacinação, que o fizeram. A conferência de imprensa em que tal aconteceu foi das mais trapalhonas que já se viu. Atenção que eu não critico por criticar e até defendo o mais possível aqueles que tiveram que tomar decisões impopulares e difíceis no último ano. Penso que não se devia ter sujeitado a Dra Graça Freitas nem o Dr. Rui Ivo, do INFARMED, àquele papel. Acredito que a decisão de suspensão foi mais política do que científica.

A Agência Europeia do Medicamento acabou por decidir pela segurança da vacina já que não se conseguiu provar a relação entre os coágulos e a vacina, embora se tenha alterado a informação relativa a potenciais efeitos secundários. 

Quanto a mim, esta situação era desnecessária e só serviu para potenciar as posições negacionistas e anti-vacinas bem como a confiança do público em geral. Já há pessoas a dizerem que não querem ser vacinadas com esta opção mas não se pode escolher a vacina que queremos tomar. Se estão disponíveis é porque são, igualmente, seguras. Quem for chamado para a vacinação, e recusar por este motivo, passará para o fim da lista ou poderá, mesmo, ficar impedido de se imunizar.

No que diz respeito aos coágulos, corre-se um risco ao tomar a pílula contraceptiva e não é por isso que se deixa de a tomar.

Todas as ferramentas terapêuticas disponíveis têm riscos e benefícios que é preciso colocar na balança. Se os benefícios superam os riscos, só há uma opção. Vacinem-se assim que puderem.

06
Fev21

Trapalhada à portuguesa

Charneca em flor

Na semana que passou verificou-se uma descida no número de novos casos positivos embora o número de mortos se mantenha, mais ou menos, no mesmo nível elevado bem como os doentes em cuidados intensivos. Felizmente deixamos de ver as imensas filas de ambulâncias à porta dos hospitais.

A trapalhada, agora, é outra. O problema de falta de organização centra-se na vacinação. Eu sei que, nos outros países da UE, também há problemas mas com o mal dos outros...

Os laboratórios farmacêuticos comprometeram-se, na negociação com a UE, com um nível de fornecimento que não estão cumprir e, como é óbvio, o nosso país é afectado por isso. O plano de vacinação elaborado já sofreu uma série de alterações. Já ouvi relatos de profissionais de saúde convocados para a vacinação que, confirmada a presença, faltam à própria da hora, sem justificação, originando as tais sobras. A Comunicação Social descobriu várias situações de vacinação de pessoas que conseguiram fintar a prioridade para serem vacinadas em primeiro lugar. Felizmente, que o número destas ocorrências é reduzido mas dá uma péssima imagem do Plano de Vacinação. Por um lado, parece que as normas são abrangentes demais permitindo incluir, na vacinação dos lares por exemplo, pessoas com cargos directivos que não contactam com os idosos. Por outro lado, parece que há instituições que pedem mais doses do que as que necessitam originando as tais "sobras" e ninguém parece controlar isso. Quando se investiga, pune-se o denunciante em vez do prevaricador como aconteceu com o farmacêutico que trabalhava no INEM do norte que foi afastado.

A notícia de hoje é que as seringas de 1 ml, mais adequadas para a vacina, podem começar a escassear. Mas há quanto tempo é que se sabe que estas seringas seriam necessárias? É verdade que, antes, não eram muito utilizadas logo havia pouca produção mas, se calhar, já se podia ter articulado um aumento da produção com as empresas fabricantes destes artigos. É claro que se pode utilizar seringas maiores mas é uma regra básica da medição, pequenos volumes devem-se medir com o instrumento mais pequeno possível de modo a diminuir a probabilidade de erro.

Enfim, não estou a ver que se consiga obter a tal imunidade de grupo que almeja. É que acontece uma trapalhada qualquer, todas as semanas.

23
Set20

Valha-me São Cosme e São Damião

Charneca em flor

Quero agradecer muito aos meios de Comunicação Social por terem alertado as pessoas, no último fim-de-semana, para a possível falta de vacinas da gripe. É sempre bom lançar o pânico. 

Há uns meses, os meus utentes faziam chantagem emocional para comprarem máscaras e agora passaram a fazê-la por causa da vacina da gripe.

Suspeito que vou ter que voltar a tomar os meus ansiolíticos naturais antes que vá engrossar as filas para o serviço de psiquiatria do hospital mais próximo. Receio ficar louca com tantas solicitações de vacina.

 

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